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O jogo mudou: mercado troca "ganhadoras" com Selic menor por exportadoras e 30 ações estouram na Bolsa

Confira os destaques da Bovespa na sessão desta quinta-feira (10)

Vale
(Bloomberg)

SÃO PAULO - A sessão foi de forte turbulência para o Ibovespa, que caiu 3,25% nesta quinta-feira (10), a 61.201 pontos, pressionado pelas ações de bancos e da Petrobras, enquanto os papéis das commodities seguiram em disparada. Em dia de forte aversão ao risco, apenas 13 das 58 ações que compõem o índice registraram alta. 

Os ativos locais foram varridos por onda de estresse que atingiu os emergentes em meio às especulações sobre políticas a serem adotadas por Donald Trump. Por um lado, a expectativa pelo pacote de US$ 500 bilhões de infraestrutura impulsiona as commodities e as ações do setor, entre outras notícias vindas da China. O minério de ferro com entrega à vista superou na quarta-feira a marca de 70 dólares por tonelada, maior valor desde janeiro de 2015, refletindo firme demanda das usinas por carregamentos com alta concentração de ferro, que elevam a eficiência dos fornos, em meio aos elevados custos com carvão. 

Entre as maiores altas, as empresas do setor de papel e celulose Suzano e Fibria, com perfil exportador, subiram mais de 11%, com a disparada de 4,73% do dólar frente ao real, na maior alta desde outubro de 2008. Na sequência, apareceram as ações da Vale e exportadoras que davam continuidade ao rali dos últimos dias. Em meio ao rali, opções de Vale, que eram cotadas a R$ 0,01 no início da semana, dispararam até 2.700% na Bovespa em três pregões (clique aqui e confira aqui).

Já do outro lado, a expansão fiscal deve fazer com que o Federal Reserve eleve os juros de forma mais rápida do que a esperada anteriormente, o que repercute no mercado de DIs brasileiro, uma vez que a expectativa de juros mais altos nos EUA também deve influenciar na política monetária. 

ODIs longos dispararam, acompanhando a alta no yield dos treasuries norte-americanos, que respondem às expectativas por políticas mais expansionistas de Donald Trump. Os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2021 subiram 0,44 ponto percentual, a 11,87%, enquanto os papéis curtos, com vencimento em janeiro de 2018, avançaram 0,14 ponto, a 12,09%.

Com isso, ações de shoppings, do varejo, construtora e concessionárias sofreram fortes quedas na sessão de hoje, de olho nos próximos passos da política monetária brasileira. Desta forma, a eleição de Trump trouxe um forte impacto para os mercados - e que pode ser observado ao olhar os extremos do Ibovespa

Confira os destaques da Bovespa nesta quinta-feira (10):

Impacto com DI
Em dia de alta do DI e expectativa por alta de juros mais forte lá fora com possíveis reflexos na política monetária brasileira, a
s varejistas caíram forte, assim como outras empresas que repercutiram o cenário doméstico. Com a queda dos juros, as famílias consomem mais, o que obviamente aumenta a receita destas companhias. Assim, os níveis mais altos de taxa de juros ou perspectiva de queda mais lenta são prejudiciais para empresas de consumo. Magazine Luiza (MGLU3, R$ 94,83, -3,22%), Via Varejo (VVAR11, R$ 9,14, -4,69%),  Lojas Renner (LREN3, R$ 23,30, -4,90%), Lojas Americanas (LAME4, R$ 18,67,-6,42%), Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 58,26, -5,14%) afundaram. Cabe lembrar que as vendas do varejo caíram acima do que o esperado, o que ajuda às fortes quedas do setor. 

Imobiliárias como Cyrela (CYRE3, R$ 10,00, -8,09%) e MRV (MRVE3, R$ 12,26, -1,53%), Direcional (DIRR3, R$ 5,01, -2,34%) despencaram, assim como empresas do setor de shopping centers como BR Malls (BRML3, R$ 11,12, -8,10%) e Multiplan (MULT3, R$ 60,16, -3,47%). 

Além disso, ainda há o caso das concessionárias, que possuem fluxos de caixa previsíveis por trabalharem com grandes projetos com valuations próprios. Então, sendo a TIR (Taxa Interna de Retorno) de um projeto conhecida, a atratividade desses papéis é muito determinada pela diferença entre a Selic, que é a nossa taxa livre de risco, e essa TIR. Quanto maior a taxa de juros, portanto, menor a atratividade das ações de empresas como CCR (CCRO3, R$ 15,45, -5,13%) e Ecorodovias (ECOR3, R$ 8,40, -6,11%).

Exportadoras e commodities
Exportadoras como as ações de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 28,28, +11,12%), Suzano (SUZB5, R$ 12,05, +13,57%) e Klabin (KLBN11, R$ 16,30, +5,78%) foram destaque de ganhos na Bovespa hoje em um dia de forte alta do dólar. A Embraer (EMBR3, R$ 18,26, +4,46%) também registrou expressivos ganhos, assim como a JBS (JBSS3, R$, 9,25, +1,43%).

Destaque ainda para a Vale (VALE3, R$ 26,87, +7,48%;VALE5, R$ 24,90, +8,21%e para as siderúrgicas, que também registraram forte alta. A ação da Vale tem nova disparada seguindo o rali de minério de ferro, chegando a subir 10% na máxima do dia. O minério de ferro spot (à vista), negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza, fechou em alta de 4,42%, a US$ 74,12, em mais um dia de disparada da commodity. Na variação semanal, os papéis VALE3 já sobem 20%. A Bradespar (BRAP4, R$ 15,30, +6,18%), holding da mineradora, também subiu forte. 

Ainda no radar da mineradora, o Valor Econômico desta quinta-feira informa que o presidente da Vale, Murilo Ferreira, ficará no comando até o fim do mandato, em maio. Segundo o jornal, o presidente Michel Temer vai procurar uma solução de mercado para substituir Murilo Ferreira na presidência da Vale, diz Valor Econômico, citando pessoas próximas a Temer. A regra para a escolha do novo executivo será a mesma aplicada à escolha dos presidentes da Petrobras e da Eletrobras, diz o jornal. O governo pretende fazer a mudança em comum acordo com Bradespar e Mitsui, os sócios privados da Vale.

CSN (CSNA3, R$ 11,25, +3,78%) e Gerdau (GGBR4, R$ 12,50, +3,82%) dispararam na Bolsa. O cenário é de alta ainda mais forte para a Gerdau principalmente por conta da exposição nos EUA. Além disso, no radar do setor, a Usiminas teve a sua recomendação elevada de neutra para compra pelo HSBC, com o preço-alvo sendo elevado de R$ 3,75 para R$ 5,25. Por fim, o Valor Econômico informa que o Brasil vai contestar na OMC sobretaxa dos EUA ao aço.

Petrobras (PETR3, R$ 17,34, -4,99%; PETR4, R$ 15,50, -6,91%)
Após alta de 3% na máxima desta sessão, as ações da Petrobras viraram para forte queda nesta sessão, de olho nos preços do petróleo, que operavam em queda nesta sessão. O contrato do Brent caiu 1,27%, a US$ 45,77 o barril, enquanto o WTI afundou 1,55%, a US$ 44,57 o barril. A commodity recuou com investidores preocupados com a vitória de Trump nos EUA e uma possível situação de sobreprodução de petróleo em 2017, em meio à ausência de cortes na produção entre os países da OPEP. A organização se encontra no próximo dia 30 de novembro, em Viena, para fechar as conversas sobre um possível corte, mas dúvidas ainda seguem se os países conseguiram chegar a um acordo.

Além disso, investidores aguardam pela divulgação do resultado da petrolífera após o fechamento deste pregão. Durante o programa semanal Comprar ou Vender, o analista Marco Saravelle, da Upside Investidor, comentou que o balanço da empresa deve vir muito bom no 3° trimestre e que qualquer correção da ação seria oportunidade de compra, com ou sem Trump (para conferir o programa, clique aqui). 

Bancos
Os bancos tiveram forte queda em meio ao cenário de risco, em um dia em que Banco do Brasil e Bradesco divulgaram resultados. BB (BBAS3, R$ 25,53, -6,41%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 35,10, -4,98%) e Bradesco (BBDC4, R$ 29,01, -8,92%) caíram forte.

Nesta manhã, o  Bradesco anunciou que teve lucro líquido de 3,236 bilhões de reais no terceiro trimestre, queda de 21,5 por cento ante mesma etapa de 2015. Na métrica ajustada, o lucro do período foi de 4,462 bilhões de reais, recuo de 1,6 por cento sobre um ano antes. O resultado incluiu pela primeira vez os números do HSBC no Brasil, aquisição que o Bradesco concluiu no início de julho.

A carteira de crédito da instituição fechou setembro em 521,77 bilhões de reais, um aumento de 10 por cento em 12 meses. O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,4 por cento no período, ante 4,6 por cento no trimestre anterior e 3,8 por cento em igual etapa de 2015.

De julho a setembro, a despesa do Bradesco com provisão para perdas esperadas com calotes atingiu 5,742 bilhões de reais, aumento de 49,1 por cento em 12 meses, número fortemente influenciado por maiores provisões para a carteira do HSBC. O banco teve rentabilidade anualizada sobre o patrimônio líquido de 17,6 por cento no período, queda de 3,1 por cento sobre um ano antes.

"O Bradesco reportou um lucro líquido ajustado em linha com as expectativas", destaca a XP Investimentos, apontando um ROE de 17,6% e um destaque positivo para a redução na PDD e o resultado de seguros, previdência e capitalização. Já a receita com serviços também foi outro destaque positivo. No lado negativo, redução na margem financeira do banco e maiores despesas administrativas. Já o BB teve lucro líquido de 2,246 bilhões de reais no terceiro trimestre, queda ante 3,06 bilhões obtidos em igual período de 2015. Em termos ajustados, o lucro do maior banco do país em ativos foi de 2,337 bilhões de reais entre julho e setembro, ante 2,881 bilhões um ano antes.

"O Banco do Brasil reportou um resultado, lucro líquido, acima das expectativas do mercado, com melhora na margem financeira do Banco como ponto positivo. Como ponto negativo, revisão no guidance do banco. Seguimos otimistas com o case de Banco do Brasil, pois acreditamos que o ativo se beneficiará da gestão com menor interferência governamental e a busca por retornos mais elevados", afirma a XP Investimentos.

Kroton (KROT3, R$ 13,80, -8,67%)
A Kroton reportou um lucro líquido ajustado consolidado de 452,7 milhões de reais no terceiro trimestre, 11,1% maior em relação ao mesmo período de 2015. A geração operacional de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de 532,2 milhões de reais, uma alta de 4,7 por cento ante o terceiro trimestre do ano passado.

Ultrapar (UGPA3, R$ 66,40, -2,42%) 
O grupo Ultrapar divulgou lucro líquido de R$ 380,1 milhões no terceiro trimestre, alta de 27% em relação ao mesmo período do ano passado. 
 

A empresa, que atua com distribuição de combustíveis, rede de farmácias e indústria química, apurou geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 1 bilhão de julho a setembro, avanço de 9% ante o terceiro trimestre de 2015. 

O Santander destaca que os resultados foram “mais uma vez ajudados” pela Ipiranga, unidade de distribuição de combustíveis’’ “acreditamos que a capacidade da empresa de recuperar participação de mercado em sua unidade de distribuição de combustíveis, os resultados operacionais e a conclusão da aquisição da Ale são os catalisadores a serem monitorados”.

Braskem (BRKM5, R$ 28,35, +3,62%)
A Braskem teve lucro líquido de 818 milhões de reais no terceiro trimestre, ante lucro de 1,475 bilhão no mesmo período do ano passado, divulgou a maior petroquímica da América Latina nesta quinta-feira.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de 3,01 bilhões de reais, estável sobre o valor registrado um ano antes.

Oi (OIBR4, R$ 2,25, -11,76%)
A Oi anunciou prejuízo líquido de R$ 1,015 bilhão no 3° trimestre, ante prejuízo de R$ 1,027 bilhão em igual período do ano passado. A receita líquida total ficou em R$ 6,4 bilhões, queda de 6,3% na mesma base de comparação.

O Ebitda atingiu R$ 1,6 bilhão no período, queda de 24,5% frente ao registrado em 2015, enquanto a margem Ebitda recuou 6,2 pontos percentuais, para 25,7%.  

Segundo o Itaú BBA, "não descarta-se uma reação positiva devido a margens melhores que o esperado” em resultados “ligeiramente positivos". 

MRV Engenharia (MRVE3, R$ 12,26, -1,53%)
A construtora MRV Engenharia divulgou que teve lucro líquido de R$ 150 milhões no terceiro trimestre, alta de 5,4% sobre mesmo período de 2015. O Ebitda ajustado da companhia, focada principalmente no segmento de imóveis residenciais para consumidores de baixa renda, somou R$ 168 milhões de julho a setembro, queda de 14,8% sobre o terceiro trimestre de 2015.

Juntamente, a companhia anunciou o pagamento de dividendos extraordinários no montante de R$ 150 milhões, ou de R$ 0,34 por ação. O pagamento está condicionado ainda à aprovação dos acionistas em assembleia geral extraordinária a ser convocada até dia 31 de janeiro de 2017, com o objetivo da distribuição para até o dia 31 de março do ano que vem. 

EzTec (EZTC3, R$ 15,45, -6,36%)
A EZTec viu seu lucro líquido cair 53%, totalizando R$ 48,78 milhões; já a receita líquida caiu 37%, somando R$ 115,53 milhões. A margem bruta passou de 49,1% para 44,1%, e a líquida caiu de 56,7% para 42,2%.

São Martinho (SMTO3, R$ 58,09, -3,13%)
O Grupo São Martinho reportou lucro líquido de R$ 68,91 milhões no 2° trimestre do ano-safra 2016/2017, correspondentes aos meses de julho, agosto e setembro. O montante é 184,7% maior na comparação com o de R$ 24,2 milhões em igual período do ano passado. 

O Ebitda ajustado totalizou R$ 368,70 milhões (mais 15,6%), com a margem Ebitda ajustada variando de 46,7% para 47,3%. Já a receita líquida passou de R$ 683,60 milhões para R$ 779,32 milhões. 

Juntamente, a companhia revisou sua projeção de moagem de cana-de-açúcar na safra 2016/17 para 19,26 milhões de toneladas, ante previsão anterior de 20,55 milhões de toneladas. A companhia reduziu também sua projeção de produção de açúcar em 2016/17 para 1,297 milhão de toneladas, ante projeção anterior de 1,356 milhão de toneladas. 

A São Martinho anunciou também o desdobramento de suas ações na Bovespa, na proporção de uma ação para três, com os mesmos direitos e vantagens das pré-existentes. Pelo preço do fechamento deste pregão (a R$ 59,97), os papéis passariam a valer cerca R$ 19,90 na Bolsa. Segundo o comunicado da empresa, a operação não irá alterar o capital social da companhia, que passará a ser dividido em 339.987.621 ações ordinárias. 

Cosan (CSAN3, R$ 40,70, -3,55%)
A Cosan reportou prejuízo líquido de R$ 58,8 milhões no 3° trimestre, crescimento de 34,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. A receita líquida atingiu R$ 1,437 bilhão, crescimento de 5,9%.

O Ebitda somou R$ 642,9 milhões no trimestre, crescimento de 16,6% na comparação com igual período do ano passado. A margem Ebitda subiu 4,1 pontos percentuais, indo de 40,6% para 44,7%.  

O Bradesco BBI espera reação neutra a resultados “em linha” com o esperado em termos gerais; “embora a alavancagem esteja em tendência de queda nos últimos trimestres, esperamos que o capital de giro sazonal aumente a dívida líquida/Ebitda acima de 2 vezes no quarto trimestre”.

Rumo (RUMO3, R$ 6,32, -5,95%)
A Rumo informou ter registrado um prejuízo líquido de R$ 58,8 milhões, alta de 34,6% na comparação com o mesmo período do ano passado e acima dos R$ 23,6 milhões esperados. A receita líquida totalizou R$ 1,44 bilhão,  alta de 5,9% na base anual. O Ebitda somou R$ 642,9 milhões, 17% superior aos R$ 551,5 milhões quando comparado ao mesmo período do ano passado, enquanto a margem Ebitda avançou 4,1 pontos percentuais, a 44,7%. 

Vulcabras (VULC3, R$ 2,45, +9,87%)
O lucro da Vulcabras Azaleia dobrou no 3° trimestre, para R$ 19,8 milhões. A receita caiu 15%, passando de R$ 357,2 milhões para R$ 308,3 milhões no mesmo intervalo de 2016. O Ebitda caiu 2,6%, para R$ 60,4 milhões no período.

Ambev (ABEV3, R$ 17,83, -0,56%)
Além da temporada de balanços, destaque para as  recomendações 
de ações. O JPMorgan Securities elevou a recomendação para as ações da Ambev de neutra para overweight, com preço-alvo sendo levemente reduzido de R$ 21,00 para R$ 20,50 para 2017.

"Esperamos que a tempo para recuperação e potencial recuperação dos ativos e maiores dividendos", destacaram os analistas em nota.

Triunfo (TPIS3, R$ 3,30, -1,49%)
A Triunfo terá um "block trade" envolvendo 12,5 milhões de ações de sua emissão esta semana, segundo comunicado enviado pela BM&FBovesa nesta quarta-feira. O comunicado não diz por qual preço sairiá a operação, mas considerando o preço de fechamento da ação nesta sessão (R$ 3,35) atingiria o montante de R$ 41,8 milhões. 

O "block trade" (leilão agendado por um grande investidor para se desfazer de uma quantidade significativa de ações) ocorrerá no dia 11 de novembro, próxima sexta-feira, na BM&FBovespa. 

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