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Da "agradável surpresa" à decepção: o que os analistas viram nos 8 resultados de hoje

Números divulgados entre a noite de ontem e esta manhã agitam o mercado neste pregão, com destaque para Magazine Luiza e Braskem disparando mais de 9%

Braskem_petroquímico
(Divulgação)

SÃO PAULO - A quinta-feira (4) foi bastante agitada pela temporada de resultados corporativos e diversas ações reagem aos números divulgados entre a noite de ontem e esta manhã, com destaques para a Braskem, que disparou mais de 10% nesta sessão, mesmo após ver seu lucro líquido cair 73%.

Fora do índice chamou atenção os números da Magazine Luiza, que viu seu lucro disparar 243%, com suas ações avançando mais de 11% hoje. Entre as decepções, a Totvs e a Mills divulgaram balanços considerados ruins pelos analistas, sendo que a segunda ainda sofre bastante com a crise econômica brasileira:

Confira as análises dos principais resultados desta quinta-feira:

Magazine Luiza (MGLU3)
O resultado:companhia encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 10,4 milhões – uma alta de 243% em relação ao mesmo período do ano passado. No semestre, o lucro ficou em R$ 15,7 milhões, alta de 166%. As vendas brutas consolidadas cresceram 4,8% de abril a junho, enquanto as vendas do e-commerce tiveram alta de 33,6%, e alcançaram 22,5% do total das vendas da empresa. A companhia registrou também um "impairment" relacionado à provisões para perdas em crédito de liquidação duvidosa de R$ 5,5 milhões no trimestre.

A análise: Para o BTG Pactual, a companhia apresentou resultados fortes, com destaque para as vendas online e controle das despesas. "As principais razões para o forte crescimento online foram: (i) estratégia multicanal da companhia; (ii) aumento na conversão das vendas em compras feitas através do seu aplicativo móvel; e (iii) estratégia de preços menos agressiva no mercado". "A empresa está fazendo sua lição de casa. O fluxo de caixa operacional aumentou significativamente, para R$ 99 milhões, impulsionado por fortes vendas on-line, necessidades de capital mais baixas e menores despesas", disseram.

Desempenho das ações: As ações da varejista dispararam 12,61%, cotadas a R$ 50,00, praticamente na máxima da sessão. O volume financeiro também chamou atenção e ficou em R$ 35,19 milhões, contra média de 21 dias de R$ 6,52 milhões.

Braskem (BRKM5)
O resultado: A empresa registrou uma evolução de 3% em sua receita líquida entre abril e junho, atingindo R$ 11,886 bilhões. Por outro lado, o lucro líquido da companhia caiu 73%, registrando R$ 281 milhões no segundo trimestre. Já o Ebitda ajustado, foi de R$ 3,011 milhões no período, o que corresponde a uma alta de 15% no comparativo anual.

A Análise: Para os analistas do BTG Pactual, a companhia foi uma "agradável surpresa, com a força do resultado vindo de uma fonte inesperada". Segundo eles, o Ebitda foi uma grande surpresa, impulsionado por melhores volumes, incluindo no Brasil. Para o BTG, este era para ser um trimestre negativo, até porque o dólar caiu muito, mas não foi o que aconteceu.

Desempenho das ações: os papéis da companhia lideraram os ganhos do Ibovespa com alta de 10,80%, cotados a R$ 20,31, sendo que na máxima do dia as ações atingiram ganhos de 11,40%, para R$ 20,42. O volume superou a média de R$ 22,78 milhões e chega a R$ 69,39 milhões.

A teleconferência: Em conferência, o CEO da empresa, Fernando Musa, afirmou ainda que a demanda doméstica no Brasil deverá cair entre 5,5% e 6% em 2016, abaixo dos 7% previstos inicialmente. Vale destacar que as autoridades americanas informaram que receberam novas alegações sobre processos da Brasjem no Brasil. O CEO da Braskem informou que ainda não teve acesso a novas alegações e que os advogados da petroquímica tomarão conhecimento após encontro com as autoridades.

Totvs (TOTS3)
O resultado: A companhia viu seu lucro líquido cair 45% no segundo trimestre, para R$ 37,7 milhões, resultado afetado, de acordo com comunicado, pela mudança na estrutura de capital da companhia no período, que saiu de uma posição de caixa líquido entre abril e junho de 2015 para uma posição de dívida líquida no segundo trimestre deste ano. Enquanto isso, a receita líquida totalizou R$ 545 milhões, uma queda de 2% em um ano.

A análise: O Santander destacou que os resultados foram “fracos”; margens de software contraíram com “nova desaceleração em licenças e receita de manutenção, em meio à exposição a segmentos econômicos com menor desempenho”.

Desempenho das ações: Na mínima da sessão as ações da companhia chegaram a cair 6,48%, a R$ 30,15, mas aliviaram um pouco o movimento e recuaram 2,54%, para R$ 31,42.

Light (LIGT3)
O resultado: A companhia reportou prejuízo líquido de R$ 58,4 milhões no segundo trimestre, 2% superior às perdas de R$ 57 milhões anotadas em igual período de 2015. A companhia atribuiu o prejuízo à piora do resultado financeiro em R$ 34,6 milhões, que foi parcialmente compensada pela melhora na linha de equivalência patrimonial. O Ebitda ajustado foi de R$ 162,6 milhões, uma alta de 10,2%, principalmente em função do aumento de 26,4% no volume de energia vendida pela geradora, devido à estratégia de sazonalização, explicou a empresa no relatório de resultados. A receita líquida recuou 10,4% no segundo trimestre para R$ 1,999 bilhão.

A análise: Segundo o Votorantim, o destaque positivo ficou para a redução da alavancagem da empresa; contudo, o segmento de distribuição ainda é um fator negativo.

Desempenho das ações: As ações fecharam quase na máxima do pregão, com ganhos de 8,44%, cotadas a R$ 15,41, após chegarem a subir 9,85%, a R$ 15,61.

Banco ABC Brasil (ABCB4)
O resultado: A companhia viu seu lucro líquido contábil crescer 17,2% no segundo trimestre, ao marcar R$ 104,1 milhões. Já o lucro líquido contábil por ação da companhia passou de R$ 0,58 para R$ 0,67 no mesmo comparativo, atingindo R$ 104,1 milhões. O retorno anualizado sobre o patrimônio líquido, por sua vez, atingiu 15,7% ao ano no período, o que corresponde a um aumento de 0,7 ponto percentual em comparação com o trimestre anterior e 0,1 ponto ante o segundo trimestre de 2015.

A análise: Para os analistas do Safra, o lucro líquido mais uma vez surpreendeu. Eles afirmam que não foi o melhor balanço já divulgado pelo banco e chamam atenção para o mix de resultados, com a carteira apresentando queda de 10,5% no ano e resultado positivo vindo de tesouraria e variação cambial. No geral, o resultado foi bom quantitativamente, mas mais fraco no qualitativo.

Desempenho das ações: Os papéis sobem 3,68%, para R$ 14,37, após chegar a subir 3,82% na máxima da sessão, cotada a R$ 14,39.

Multiplus (MPLU3)
O resultado: O lucro líquido da companhia teve alta de 25% no segundo trimestre, atingindo R$ 136,5 milhões, enquanto a receita líquida cedeu 3%, para R$ 543,7 milhões. Por outro lado, o custo de resgates de pontos recuou 10%. As despesas operacionais recuaram 12%, levando o lucro operacional a R$ 147,2 milhões, o que representa um avanço de 23%. Já a margem operacional chegou a 27,1%, com alta de 5,8 pontos percentuais.

A análise: O BTG Pactual destacou que a companhia teve um forte preço sobre o lucro, enquanto o Credit Suisse, após o resultado, elevou o preço-alvo de R$ 39,00 para R$ 44,00. "Mantemos a recomendação neutra, devido a visibilidade limitada de crescimento de earnings para 2017-18 e pouco potencial de valorização", afirma o Credit.

Desempenho das ações: Após chegar a subir 3,01%, a R$ 44,55 na máxima do pregão desta quinta, os papéis deram uma leve aliviada e avançaram 2,31%, cotados a R$ 44,25. 

Mills (MILS3)
O resultado: A empresa teve prejuízo líquido de R$ 20,9 milhões no segundo trimestre, o que representa uma alta de 156% em relação às perdas de R$ 8,2 milhões do mesmo período de 2015. De acordo com o balanço, os números foram impactados pela piora no desempenho operacional, além de provisões e despesas não recorrentes. A receita líquida recuou 29%, para R$ 105,4 milhões, enquanto os custos não caíram em igual proporção e houve aumento de despesas, levando a um prejuízo operacional de R$ 26,1 milhões, contra lucro operacional de R$ 9 milhões um ano antes.

A análise: De acordo com o Votorantim, os números foram ruins afetados por preços baixos e menores volumes. "Embora a empresa continue se esforçando para ajustar as suas operações para uma demanda mais fraca e vender ativos, os impactos da crise na economia brasileira ainda têm um forte efeito sobre a Mills", afirma o Votorantim.

Desempenho das ações: Os papéis da companhia chegaram a afundar 7,81% na mínima do dia, para R$ 5,31, mas se distanciaram deste patamar, caindo 5,56% no fim do dia, cotados a R$ 5,44. O volume financeiro superou a média de R$ 7,45 milhões e atingiu R$ 15,74 milhões.

Profarma (PFRM3)
O resultado: A companhia registrou um lucro líquido de R$ 8,4 milhões no segundo trimestre, uma forte alta ante os R$ 126 mil de um ano antes. A empresa destaca na comparação a mudança estrutural e seus eventos operacionais e societários relativos à aquisição dos 50% remanescentes da rede de varejo Tamoio em dezembro de 2015 e os eventos não recorrentes ocorridos nos períodos comparados. Com isso, o lucro ajustado seria de R$ 16 milhões. A receita da farmacêutica cresceu 19,2% no período, para R$ 1,1 bilhão, enquanto o Ebitda atingiu R$ 54,1 milhões, o que representa uma alta de 99%.

A análise: Segundo o Brasil Plural, a companhia mostrou tendências positivas, com uma melhora em sua estrutura de capital, que permitiu a companhia se aproveitar da alta de preços. Para os analistas, há um progresso contínuo no nas vendas da companhia, que agora estão contribuindo de forma positiva para o Ebitda, embora tenham sido ofuscadas pelas outras divisões.

Desempenho das ações: Após chegar a subir 9,24%, para R$ 11,47 na máxima do dia, os papéis da companhia reduziram os ganhos e subiram 3,81%, cotados a R$ 10,90, com um volume que atingiu R$ 2,97 milhões, contra média de 21 dias de R$ 977 mil.

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