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"Ponte para o futuro" do PMDB faz estatais e bancos disparam até 8% e educacionais afundarem na Bolsa

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta segunda-feira

SÃO PAULO - O Ibovespa intensificou ganhos nesta tarde, com investidores movidos pelo retorno da aposta de que crescem as chances de haver um impeachment da presidente Dilma Rousseff. O ponto central dessa expectativa tem relação com a reunião do diretoria nacional do PMDB marcada para amanhã, que pode confirmar a ruptura do partido com o governo. 

De olho no noticiário político, os papéis das estatais dispararam até 8% nesta sessão, liderados pela Petrobras, que operou totalmente descolada dos preços do petróleo no mercado internacional, cujo contrato Brent encerrou em queda. 

Por outro lado, as ações das educacionais afundaram hoje já na mira dos próximos passos do PMDB, caso haja uma transição do governo Dilma para Michel Temer. Os planos do programa "Ponte do Futuro" do partido incluem, segundo o O Estado de S. Paulo, amplo corte de políticas sociais, com possível impacto no Fies. Com isso, os papéis da Estácio e Kroton afundaram mais de 4%, figurando como as maiores quedas do Ibovespa. 

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta segunda-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 10,63, +6,41%; PETR4, R$ 8,44, +8,07%)
As ações da Petrobras aceleraram ganhos nesta tarde, juntamente com o Ibovespa, de olho no noticiário político em meio à expectativa de que o PMDB rompa com o governo amanhã na reunião da cúpula do partido. Diante do radar político agitado, os papéis da estatal se descolaram d
os preços do petróleo no mercado internacional, que viraram para queda. Lá fora, o contrato do Brent registrou desvalorização de 0,37%, a US$ 40,29 o barril. 

No radar da companhia, a Petrobras convocou para 28 de abril realização de assembleias geral extraordinária e ordinária para aprovar proposta de reforma do estatuto social da companhia que traz um novo modelo de governança, com redução do número de diretorias executivas de sete para seis, entre outras mudanças.

A assembleia, anunciada em comunicado divulgado nesta segunda-feira, também elegerá o presidente do Conselho de Administração da petrolífera, bem como 10 membros do colegiado, incluindo representantes dos trabalhadores, dos acionistas minoritários e dos acionistas preferenciais.

Educacionais
As ações do setor de educação afundaram hoje, enquanto aumentam as chances de uma transição política. Isso porque o PMDB já trabalha com um plano que inclui um amplo corte de políticas sociais para o caso de a presidente Dilma Rousseff sofrer impeachment e o partido formar um novo governo liderado pelo atual vice-presidente, Michel Temer. 

Na área educacional, a discussão é ampla. Entre elas, o partido estuda adotar regras mais rígidas para o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). "O Fies é eficaz, mas precisa de meritocracia", disse Moreira Franco, presidente da Fundação Ulysses Guimarães, em entrevista ao Estado. Moreira é próximo ao vice Michel Temer e faria parte de um restrito grupo de assessores de Temer e estaria encarregado de propor programas numa possível transição política.  

Em meio às expectativas, as ações do setor caíram forte hoje, com Kroton (KROT3, R$ 11,19, -4,52%), Estácio (ESTC3, R$ 11,36, -7,11%), Ser Educacional (SEER3, R$ 10,70, -1,11%) e Anima (ANIM3, R$ 10,45, -5,00%). 

Vale e siderúrgicas
Descoladas da euforia que tomou conta dos papéis dos bancos e estatais, as ações da Vale (VALE3, R$ 15,17, +0,80%; VALE5, R$ 11,39, +0,18%) e Bradespar (BRAP4, R$ 6,19, +1,01%), holding que detém participação na mineradora, registraram ganhos mais amenos em sessão de queda dos preços do minério de ferro. A commodity cotada no porto de Qingdao, na China, fechou em queda de 1,08%, a US$ 55,76 a tonelada.  

Com altas mais fortes, apareceram as siderúrgicas, apesar das expectativas fracas para o setor este ano apresentadas hoje pelo Instituto Aço Brasil. Na Bolsa, subiram as ações da Gerdau (GGBR4, R$ 6,19, +3,51%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 2,20, +5,77%) e Usiminas (USIM5, R$ 1,86, +1,64%). Nesta tarde, o Instituto Aço Brasil estimou que a produção de aço bruto no País em 2016 terá uma queda de 1% em relação a 2015, atingindo um volume de 32,920 milhões de toneladas. Será uma nova redução na produção, após o encolhimento de 1,9% no ano passado. "Vivemos a pior crise da história da siderurgia brasileira", disse o presidente executivo do instituto, Marco Polo de Mello Lopes.

Mais afastadas das demais ações do setor, que registraram fortes ganhos hoje, apareceram os papéis da CSN (CSNA3, R$ 7,80, +0,13%), que têm leves ganhos, repercutindo notícia de incêndio na usina Presidente Vargas, que ocorreu na noite de sexta-feira e deixou quatro funcionários feridos, e expectativa pelo balanço do 4° trimestre, programado para ser divulgado após este pregão. 

Segundo o BTG Pactual, ainda é difícil quantificar os potenciais impactos do incêndio, mas a notícia em si é negativa para a empresa. Além disso, há expectativa de números fracos da CSN no último trimestre do ano passado, com Ebitda entre R$ 690 milhões e R$ 700 milhões. Os volumes de aço devem vir fracos, com queda de 7% na comparação trimestral, e receita levemente abaixo do registrado no 3° trimestre, comentaram os analistas. 

Já em relação à Vale, segundo a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, o contrato de Murilo Ferreira como presidente da mineradora vence em maio, mas os acionistas já decidiram renová-lo. Ferreira continuará onde está por mais dois anos pelo menos, afirmou a coluna. Em esclarecimento à CVM, a mineradora informou que a nova política de remuneração ao acionista ficará mais alinhada à geração de caixa e reflete a volatilidade no preço das commodities. 

Além disso, a CGII aumenta participação para 10,13% das PNs. Por fim, destaque para a notícia de que a Samarco quer voltar no quarto trimestre com 60% da capacidade. 

Bancos
Os papéis dos bancos subiram em dia de bom humor do mercado em meio à expectativa de que o PMDB rompa com o governo amanhã na reunião de cúpula do partido. O Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,10, +5,85%) apareceu entre as maiores altas do Ibovespa, seguido por Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 31,76, +2,48%) e Bradesco (BBDC4, R$ 27,54, +4,87%). No setor financeiro, destaque também para as ações da BB Seguridade (BBSE3, R$ 30,04, +5,26%).   

Gol (GOLL4, R$ 3,30, +6,11%)
A Gol é elevada de underweight para neutra pelo JPMorgan. A companhia informou que contratou a assessoria financeira PJT Partners para aconselhar a companhia na tomada de medidas para fortalecer a sua estrutura de capital, liquidez e perfil de seu endividamento. Adicionalmente, PJT irá assessorar a companhia referente a alternativas para sua dívida sem garantia colocada no exterior.   

Cetip e BM&FBovespa 
As ações da Cetip (CTIP3, R$ 41,16, +1,03%) chegaram a subir 1,84%, a R$ 41,49, nesta sessão, maior preço desde o IPO em outubro de 2009. Na máxima do dia, os papéis da companhia ultrapassaram o preço oferecido pela BM&FBovespa (BVMF3, R$ 15,75, +2,74%). Em 3 de março, o conselho de administração da Cetip rejeitou segunda proposta de aquisição da BM&FBovespa, de R$ 41,00 por ação. 

Eneva (ENEV3, R$ 0,14, 0,0%)
A geradora de energia Eneva, ex-MPX, fechou acordo com o fundo de investimentos em participações Cambuhy I e com a OGX Petróleo e Gás, que participarão de um aumento de capital da companhia por meio de 1,15 bilhão em ativos da Parnaíba Gás Natural (PGN), que atua na exploração e produção de gás no Maranhão, segundo comunicado divulgado nesta segunda-feira.

A Eneva afirmou que, com a transação, passará a deter até 100% do capital social da PGN, na qual possui atualmente participação de 27,25%.

"A Eneva se tornará a única empresa independente... a exercer duas atividades distintas e complementares de geração de energia e exploração e produção de óleo e gás", afirmou a empresa no comunicado. "A soma das experiências e competências... e de seus ativos operacionais e humanos permitirá maior integração das atividades e desenvolvimento das operações."

Rumo (RUMO3, R$ 3,35, +1,21%)
O conselho de administração da Rumo Logística aprovou a contratação de instituições para reestruturação de dívidas e oferta pública de até 1,5 bilhão de ações ordinárias, para levantar no mínimo R$ 2 bilhões, informou a companhia em comunicado ao mercado. A empresa também poderá contar com apoio do BNDES

A companhia celebrou com Bradesco, Banco Itaú, Banco do Brasil e HSBC acordo para reestruturação de parte das dívidas com vencimento em 2016, 2017 e 2018 através de liquidação antecipada, que será feita com duas emissões de debêntures simples no valor de R$ 2,38 bilhões, com prazo de sete anos. O comitê do BNDES indicou, em 22 de março, um possível apoio financeiro à companhia, diz o comunicado. O apoio pode vir por participação na oferta restrita, financiamento de até R$ 1,5 bilhão e participação de até R$ 300 milhões em emissão de debêntures conversíveis

WEG (WEGE3, R$ 14,23, +2,37%)
A WEG anunciou nesta segunda-feira a compra da fabricante norte-americana de motores elétricos Bluffton Motor Works, com sede no Estado de Indiana. A companhia brasileira informou que o valor da transação não representa investimento relevante para e empresa. A Bluffton tem cerca de 400 funcionários e em 2015 teve receita líquida de US$ 64 milhões.

PetroRio (PRIO3, R$ 4,78, +32,78%)
A PetroRio destacou que não há qualquer acordo definitivo para aquisição de ativos da Petrobras. Na quinta-feira, após o primeiro lucro desde sua fundação, em 2015, a PetroRio destacou metas ousadas. Para elevar a produção para 100 mil barris por dia até 2017, a companhia negocia a compra de participação em quatro áreas produtoras de petróleo - uma delas pertencente à Petrobras. Antes disso, entretanto, a empresa poderia anunciar a compra de outra petroleira para acelerar o crescimento no mercado nacional, segundo o diretor financeiro, Blener Mayhew, que previu ter um negócio assinado ainda este ano. 

Sabesp (SBSP3, R$ 23,75, +2,81%)
A Sabesp teve lucro líquido de R$ 461 milhões no quatro trimestre de 2015, resultado quase 15 vezes superior ao lucro de R$ 31,4 milhões registrado no mesmo período do ano anteriorO resultado foi beneficiado pelo aumento de 13% na receita operacional líquida e melhora no resultado financeiro. 

Veja mais: O 'quase colapso' da Sabesp que se transformou em lucro de 90% para quem não acreditou no fim da água

 O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado subiu 92% para R$ 957,2 milhões, ante R$ 498,7 milhões no quarto trimestre de 2014. A receita operacional líquida da Sabesp atingiu R$ 3,2 bilhões no quatro trimestre, ante R$ 2,8 bilhões no mesmo período de 2014, beneficiada pelo reajuste tarifário de 15,2% aplicado desde junho de 2015.

O BTG Pactual e Credit Suisse comentaram que o resultado foi bem forte, com destaque para a receita e para o Ebitda. Os analistas do Credit ressaltaram que, depois de vários trimestres em que a empresa acelerou de forma relevante o capex (investimentos em bens de capital) para lidar com a crise de abastecimento, o 4° trimestre ficou marcado por um corte de capex de R$ 900 milhões. Após o balanço, eles destacaram que seguem confiantes no papel, que ainda é seu "top pick". De ponto positivo, os analistas salientaram ainda que a empresa tem R$ 13 bilhões em dívida e uma grande sensibilidade a um possível corte da taxa de juros. 

A companhia também anunciou no fim da noite de quinta-feira que pediu autorização para Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (Arsesp) para suspender a partir de primeiro de maio o bônus para quem reduziu o consumo de água, devido a crise hídrica, e a da tarifa de contingência, para aqueles que aumentaram o consumo de água. 

Cesp (CESP6, R$ 16,40, +0,55%)
A Cesp teve prejuízo líquido de R$ 363,6 milhões no quarto trimestre, recuo de 68,3% em relação à perda de um ano antes, informou a estatal paulista nesta quinta-feira. O Ebitda foi negativo em R$ 313,7 milhões no trimestre, queda de 77,3% em relação ao mesmo período de 2015. A receita operacional líquida da companhia somou R$ 707,9 milhões no trimestre, com retração de 19,8% ante mesmo período de 2014. As receitas com venda de energia caíram 39%, para R$ 667,6 milhões.

No trimestre, a Cesp foi impactada de forma relevante por uma provisão de R$ 580,8 milhões, devido a uma disputa judicial com o governo federal em torno do final da concessão das usinas de Jupiá e Ilha Solteira, cujo contrato encerrou em 7 de julho.

Segundo o Credit Suisse, esse ponto levou a um dividendos bastante baixo, de R$ 41 milhões (ou R$ 0,13 por ação, representando um yield de 0,7%). Os analistas do banco suíço seguem com recomendação neutra para o papel, acreditando que a Cesp ainda precisa se adaptar a nova realidade sem as usinas. Eles lembram que mesmo levando em consideração o payout de 2015, a empresa tem potencial para uma geração de caixa sólida e pagamento de dividendos no futuro. A Cesp tem um montante considerável de dívida em dólares, de US$ 221 milhões, que apresentou pouca variação neste trimestre, mas que pode ser relevante nos próximos, comentaram. 

BR Properties (BRPR3, R$ 9,22, +3,02%)
A GP Investiments lançou oferta por até 172,4 milhões de ações ordinárias da BR Properties (BRPR3).  

A Oferta pública voluntária para aquisição do equivalente a até 58% do capital social da BR Properties começa hoje e vale até 11 de maio, segundo edital publicado no Valor Econômico. A GP quer comprar pelo menos 112,8 milhões de ações ON, equivalentes a 38% do capital social; ela já detém 12% de ações ON da BR Properties. O BTG Pactual possui fatia de 15% e Petros tem 10%, entre outros acionistas. O preço ofertado por ação é de R$ 10,00; na quinta, a ação BRPR3 fechou a R$ 8,95.

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