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Petrobras e Vale disparam entre 6% e 11%; "trio da celulose" desaba 6%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quarta-feira

Vale
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa disparou pelo terceiro pregão (2) seguido, mirando os 45.000 pontos, em meio ao maior apetite ao risco dos investidores por conta do noticiário político e mercado externo. O movimento do índice foi puxado principalmente pelas ações da Vale e Petrobras, que subiram entre 6% e 11%.  

Papéis do setor de consumo também subiram forte nesta sessão, com Natura, Cia Hering e Lojas Renner registrando alta superior a 4%. Chance maior de impeachment da presidente Dilma Rousseff ajudava a suavizar a curva de juros, contribuindo para puxar ações que se beneficiam de juros mais baixo. Contribuíram ainda para o movimento positivo os papéis dos bancos, que subiram mais de 2%. 

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Do outro lado, as ações do setor de papel e celulose apareceram como as maiores perdas do índice, entre queda do dólar frente ao real e desvalorização dos preços da celulose. O dólar comercial ampliou perda nesta sessão, indo a R$ 3,8877 na venda, após notícia da Folha de S. Paulo de que o empresário Léo Pinheiro, ex-presidente e sócio da empreiteira OAS e investigado na Operação Lava Jato, decidiu fazer um acordo de delação premiada. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Vale (VALE3, R$ 14,22, +11,01%; VALE5, R$ 9,99, +8,12%)
Depois de operarem em queda mais cedo, as ações da Vale aceleraram os ganhos, fechando na máxima do dia, seguindo o bom humor do mercado. Além disso, nesta tarde, a Samarco - joint venture entre Vale e BHP Billiton - fechou um acordo de R$ 20 bilhões de compensação pelos prejuízos causados pelo rompimento da barragem da companhia em Mariana, Minas Gerais, em 5 de novembro do ano passado. O acordo também prevê mais R$ 4,1 bilhões para investimentos em ações compensatórias em 15 anos.

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Com a arrancada de hoje, os papéis da Vale acumularam alta de 24% em 3 pregões, seguindo ainda o movimento de alta do minério de ferro e maior chance de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que já traz ruídos ao mercado. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 4,64, +6,91%), holding que detém participação na Vale. Destaque ainda para nota do blog de Lauro Jardim, do jornal O Globo, que está nas mãos do Credit Suisse a missão de vender os bilionários ativos da área de fertilizantes da Vale. 

Petrobras (PETR3, R$ 7,98, +5,42%; PETR4, R$ 5,52 +3,95%) 
As ações da Petrobras viveram reviravolta nesta tarde, após dados estoques de petróleo nos Estados Unidos jogaram para baixo os papéis, assim como os preços do petróleo, que passaram a intensificar perdas após os dados americanos. O movimento, no entanto, durou pouco tempo e as ações voltaram a subir forte, juntamente com o Ibovespa. Lá fora, o petróleo Brent subiu 0,73%, a US$ 37,08 o barril. 

Além dos preços do petróleo, a estatal refletiu rumor sobre corte no plano de investimentos e aumento de risco político no Brasil. Ontem, fontes disseram à Reuters que a estatal vai cortar em 20% seu plano de investimentos 2016-2020 no próximo mês para aproximadamente US$ 80 bilhões. Se for confirmado o corte, esse será o menor programa de investimentos de 5 anos para a companhia desde 2006. 

Segundo o BTG Pactual, a notícia é positiva, mas não resolve o problema de alavancagem da companhia (de US$ 125 bilhões). "Podemos dizer que a Petrobras está comprando tempo para tentar reerguer a empresa para o futuro, mas ainda é muito dependente do preço do petróleo", comentaram os analistas do banco, que seguem cautelosos com o case.

Destaque ainda para a notícia do Valor de que a companhia perdeu ontem uma discussão bilionária na última instância do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais): no balanço do terceiro trimestre de 2015, a Petrobras estimava a disputa em R$ 7,3 bilhões e a classificava como perda "possível". Por uma questão processual, a Câmara Superior manteve autuações por duas deduções de recursos injetados no fundo de pensão Petros, que reduziram a base de cálculo do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O jornal aindainformou que a estatal deve perder US$ 1,95 bilhão no Japão, com a compra da refinaria Nansei Sekiyu K.K., em Okinawa. Segundo uma fonte a par do assunto na estatal, o rombo é "muito parecido" com o da refinaria americana em Pasadena, apesar de menos falado. "

Destaque ainda para os comunicados divulgados pela empresa nesta manhã: a diretoria executiva da Petrobras aprovou a condução de negociações exclusivas com a Pampa Energia para a venda da Petrobras Argentina, por 30 dias, segundo comunicado divulgado ao mercado. O período de exclusividade pode ser estendido por igual período e a "transação ainda está sujeita à aprovação de seus termos e condições finais pela Diretoria Executiva e pelo Conselho de Administração da Petrobras, bem como pelos órgãos reguladores competentes”.

A companhia ainda aprovou o “início do processo de cessão dos direitos de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural de um conjunto de campos terrestres, assim como a venda dos ativos relacionados a essas concessões”. Por fim, a empresa informou o início da produção antecipada de Sépia, no pré-sal de Santos.  

Consumo
As ações do setor de consumo também subiram forte hoje, com Natura (NATU3, R$ 28,53, +3,37%), Cia Hering (HGTX3, R$ 13,54, +3,60%) e Lojas Renner (LREN3, R$ 19,12, +3,24%) registrando alta superior a 3%. Chance maior de impeachment da presidente Dilma Rousseff ajudava a suavizar a curva de juros, contribuindo para puxar ações que se beneficiam de juros mais baixo. 

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BM&FBovespa e Cetip
Segundo apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o conselho de administração da da Cetip (CTIP3, R$ 38,80, +1,17%) poderá dar, nesta quarta-feira, um passo para iniciar as conversas formais com a BM&FBovespa (BVMF3, R$ 12,53, +2,79%) sobre a possibilidade de combinação de negócios das companhias.

O objetivo, conforme fontes, seria discutir detalhes sobre a oferta vinculante recebida pela Bolsa (de R$ 41,00 por ação), como questões jurídicas e procedimentos, antes da resposta final, que deve acontecer em meados da próxima semana, já perto do fim da validade da proposta feita pela BM&FBovespa.

"Trio da celulose"
Por outro lado, as ações do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 39,95, -6,57%) , Suzano (SUZB5, R$ 15,44, -5,10%) e Klabin (KLBN11, R$ 21,34, -2,38%) desabaram hoje, liderando as perdas do Ibovespa, em meio à queda do dólar e desvalorização do preço da celulose. Ontem, o FOEX reportou que os preços da celulose fibra curta na China caiu 1,2% na semana, para US$ 548,76 a tonelada, enquanto na Europa teve leve recuo de 0,2%, para US$ 763,34 a tonelada. 

Em relatório, analistas do BTG Pactual ressaltaram que, depois de duas semanas seguidas de estabilidade, eles acreditavam que os preços da celulose estavam atingindo seu fundo e as ações se recuperando por conta dessa expectativa. No entanto, os preços nesta semana mostraram outro movimento de queda na China - em um padrão agressivo para os padrões da indústria -, enquanto na Europa seguiram estáveis (até agora um pouco mais resistentes, mas que não parece sustentável). Além disso, enquanto algumas manchetes de jornais apontam que existir claras indicações de que os chineses estão de volta ao mercado, eles acreditam que o problema aqui é que eles ainda estão exigindo descontos nos preços. E, pelo que os analistas escutaram, alguns players estariam dispostos a conceder tal desconto (mesmo com os preços nesses níveis). 

Apesar desse cenário, os analistas ainda mantêm recomendação de compra para as ações da Suzano e Fibria, tendo em vista ainda uma exposição ao câmbio, dividendos (que devem alcançar um yield na faixa entre 6% e 7% nesses papéis) e valuation atrativo. No entanto, eles salientam que o mercado parece não querer "pegar a faca caindo", com os investidores precisando ver um sinal claro de que os preços estão, de fato, se estabilizando antes de revisitar esses nomes. Aliado a isso, "um vento contrário" do dólar também ajuda a trazer pressão agora para esses nomes. 

Gol (GOLL4, R$ 2,73, +21,33%)
As ações da Gol seguiram em disparada nesta sessão, após ter sido publicada ontem a medida provisória que aumenta o limite de participação de estrangeiros no capital votante das empresas aéreas brasileiras. O limite era de 20% das ordinárias e agora passa a ser de 49%. Assim como a valorização, chamou atenção o volume financeiro registrado com as ações hoje de R$ 33,799 milhões, bem acima da média diária de R$ 7,025 milhões dos últimos 21 pregões. 

Desde que aumentaram rumores (na sexta-feira passada) sobre aumento de participação de estrangeiros em companhias aéreas brasileiras, as ações da Gol dispararam na Bolsa. Considerando o movimento de hoje, a alta já foi de 48% nesses últimos 4 pregões.

Veja também: O que diz, agora, o analista que 'antecipou' a disparada de 140% da Gol?

Elétricas
Leilão de usinas e cortes de recomendações de ações do setor elétrico por bancos trouxeram pressão para elétricas nesta sessão. A AES Tietê (TIET11, R$ 13,91, -4,53%) chegou a registrar a maior queda do setor (-5,28%) nesta sessão, mas amenizou o movimento. A leitura negativa sobre a ação veio após o HSBC rebaixar sua recomendação de compra para manutenção e notícia sobre leilão ontem da China Three Gorges (chinesa que levou as usinas da Cesp) para venda de energia no mercado livre (30%), que teve resultado fraco, segundo o BTG Pactual. "Preços dos produtos ofertados variavam entre R$ 115 e R$ 125, o que gera pressão de preços no geral", comentaram, em nota enviada a clientes, os analistas do banco nesta manhã.

Segundo eles, premissas de longo prazo utilizadas nos modelos (por volta de R$ 140) podem estar superavaliadas, dada indicação desse leilão, gerando pressão para geradoras descontradas, com destaque para AES Tietê, Copel (CPLE6, R$ 23,67, -0,34%) e Tractebel (TBLE3, R$ 35,51, -1,33%), que também caíram nesta sessão. 

Além da AES Tietê, o HSBC rebaixou a recomendação das ações da Light (LIGT3, R$ 8,75, +2,58%) e Equatorial (EQTL3, R$ 38,05, +0,13%) de compra para manutenção, enquanto a CPFL (CPFE3, R$ 16,75, -2,33%) foi rebaixada de manutenção para "reduzir" pelo banco.

Já o BTG Pactual reduziu a recomendação para a Taesa (TAE11, R$ 18,10, -4,99%) de compra para neutra em meio à alta das ações da companhia destacando que, após representar uma boa oportunidade de investimento e de continuar sendo um bom veículo para tanto em meio ao cenário turbulento no Brasil, o valuation agora está esticado. O preço-alvo para os ativos é de R$ 17,00. 

Weg (WEGE3, R$ 13,65, +3,02%)
Após ter sido penalizada na semana passada, quando figurou como uma das maiores quedas do Ibovespa após balanço fraco do 4° trimestre, o JPMorgan rebaixou hoje as ações da Weg 
de "overweight" (desempenho acima da média) para neutra pelo JPMorgan. 

Construtoras
O Credit Suisse revisou a recomendação para o setor imobiliário, rebaixando MRV (MRVE3), EzTec (EZTC3) e Even (EVEN3) para neutro, enquanto Direcional (DIRR3) e Tecnisa (TCSA3) tiveram elevação para outperform e neutro, respectivamente. "O principal destaque vai para a mudança no call em MRV que, apesar de ainda estarmos otimista com o segmento de baixa renda, acreditamos que o valuation atual ja precifica boa parte do bom momento. Assim, na baixa renda preferimos Direcional (único rating outperform) e entre os players de media renda, preferimos Cyrela (apesar de mantermos o rating neutro)", afirmou. 

Gradiente (IGBR3, R$ 2,31, -2,12%) 
As ações da microcap IGB Eletrônica, dona da marca Gradiente, chegaram a subir 13,14% nesta sessão, a R$ 2,67, mas perderam força e fecharam em queda. Como pano de fundo da disparada registrada nesta manhã, uma antiga disputa da companhia pela marca iPhone. Na terça-feira, a IGB Eletrônica informou que foi publicada decisão admitindo recurso especial interposto pela companhia com vistas a levar à apreciação das cortes superiores a suposta ilegalidade na utilização da marca iPhone pela Apple. Com isso, a questão será remetida ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) para apreciação.   

Braskem (BRKM5, R$ 25,45, -0,20%)
Em entrevista ao Valor, o presidente da Braskem, Carlos Fadigas, afirmou que a empresa vai avaliar ativos petroquímicos que sejam colocados à venda no mercado externo, em busca de oportunidades decorrentes do redesenho da indústria petroleira provocado pelo forte recuo nos preços do petróleo. "Empresas de petróleo dos mercados em que a Braskem atua estão colocando ativos à venda e a Braskem está atenta", afirmou o presidente da companhia ao jornal. 

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