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Petrobras afunda, Hering desaba 6% e grupamento faz mais uma vítima na Bolsa

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão

bolsa painel
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa apaga rali visto mais cedo, quando chegou a subir 2,4%, e fecha em leva alta de 0,22%, mas de volta ao patamar dos 38.000 pontos. Nesta manhã, as ações da Petrobras ajudaram a trazer otimismo ao mercado, depois de subirem 6%, mas logo o cenário se inverteu, com o petróleo voltando a operar no campo negativo, se afastando de reações eufóricas sobre a China. 

Juntamente, as ações dos bancos também viraram para queda, com Itaú Unibanco e Bando do Brasil. Bradesco foi a exceção, conseguindo se manter no zero-a-zero. 

Diante do movimento do mercado, Vale, que também chegou a mostrar expressiva alta de 8%, amenizou ganhos perto do fechamento, enquanto as siderúrgicas Usiminas e Gerdau viraram para queda. Destaque negativo também para as ações da Cia Hering, que afundaram até 6,4%, após fracas vendas no quarto trimestre que, embora já esperadas, reforçaram o cenário extremamente desafiador para a companhia. 

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, R$ 9,18, +3,26%; VALE5, R$ 7,04, +1,29%) chegaram a disparar 8% no intraday, mas perderam força perto do fechamento, juntamente com o movimento do restante do mercado. Hoje, o minério de ferro encerrou em alta de apenas 0,5%, cotado a US$ 42,1 a tonelada, segundo a The Steel Index. 

Ainda no radar da companhia, ajudaram a trazer otimismo ao mercado expectativas por estímulos na economia chinesa e notícia de que o governo se dispôs a negociar um acordo com a mineradora para recuperação do Rio Doce, que ao lado da BHP, é dona da Samarco, segundo informações do jornal O Globo. Conforme ressalta o Valor Econômico, um eventual acordo para a recuperação do rio Doce, onde toda a lama foi despejada em novembro, é uma alternativa à ação civil que pede R$ 20 bi das mineradoras em razão da tragédia.  

Um pouco mais descoladas, as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 3,38, +0,30%), holding que detém participação na mineradora, tiveram alta mais amena, enquanto as siderúrgicas Usiminas (USIM5, R$ 1,01, -0,98%) e Gerdau (GGBR4, R$ 3,44, -2,27%) viraram para queda. Já CSN (CSNA3, R$ 3,28, +2,50%) conseguiu se manter em alta. 

Em nota a clientes hoje, o BTG Pactual ressaltou que o setor siderúrgico teve um forte dia ontem, gerando debate em torna da melhora da percepção lá fora, indicando que pode estar próximo a um fundo (no ciclo global, apenas). Os analistas destacaram alguns pequenos sinais positivos no exterior, como aumento de preços na China, Estados Unidos e tentativa da Europa.

Por aqui, no entanto, não há nada muito diferente, com o cenário de atividade de 2016 ainda desolador, enquanto descontos ainda parecem mais prováveis que aumentos, comentaram os analistas.

Hoje, dados do Inda (Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço) mostraram que a venda de aços planos caiu 22,6% em dezembro na comparação com o mesmo mês de 2014. 

Petrobras (PETR3, R$ 6,15, -2,38%; PETR4, R$ 4,66, -2,92%)
Depois de disparar 6% nesta manhã, as ações da Petrobras viram para queda, puxadas pelo preço de petróleo. O petróleo WTI caía 3,77%, a US$ 28,31 o barril, enquanto o Brent avançava 0,7%, a US$ 28,75 o barril. 

Segundo fonte que pediu anonimato disse à Bloomberg, a Petrobras discute corte de 30% de cargos gerenciais. A proposta de cargos de gerência partiu da diretoria e precisa da aprovação do conselho de administração, que se reúne hoje e pode discutir sobre a pauta. Na última sexta-feira, o diretor financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, disse que a empresa faria uma segunda rodada de demissões. 

Hoje, o BTG Pactual cortou o preço-alvo para os ADRs da estatal, de US$ 5 para US$ 3 o papel, destacando que a aparente falta de qualquer sentido de urgência está cobrando um pedágio enorme sobre a empresa e destaca que 2015 foi um ano perdido para a estatal. A recomendação para os papéis é neutra. 

BRF (BRFS3, R$ 47,15, +0,90%)
O Bank of America Merrill Lynch cortou nesta terça-feira o preço-alvo das ações da BRF de R$ 60,00 para R$ 56,00, após reduzir estimativas para os números da empresa. A recomendação seguiu em underperform (desempenho abaixo da média).

Apesar da queda de 30% desde o 3° trimestre, os analistas do banco ressaltaram que mantêm cautela com as ações da companhia, em meio a riscos de crescimento nos lucros deste ano.

Eles ainda veem pressão nas margens da companhia para o primeiro semestre deste ano, enquanto as margens internacionais começam a se deteriorar. Para o 4° trimestre do ano passado, eles esperam Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 1,56 bilhão, 7% abaixo do consenso do mercado.

Oi (OIBR4, R$ 1,50, +5,63%)
As ações da Oi lideraram os ganhos do Ibovespa após notícia de que a companhia vai assinar nos próximos dias mandato com Santander e Barclays para serem assessores financeiros na preparação da proposta de fusão com Tim Participações (TIMP3, R$ 5,85, +1,56%), diz O Globo, citando uma fonte não identificada do setor. Até agora, Oi contava com BTG Pactual como único parceiro para trabalhar no projeto de consolidação. Os bancos europeus vão trabalhar em conjunto com BTG, diz O Globo, citando um executivo não identificado do setor. Segundo o jornal, a Oi não comentou o assunto.

Sabesp (SBSP3, R$ 19,10, +0,90%)
Depois de disparar 7% na véspera após recomendação de compra por banco suíço, as ações da Sabesp chegaram a subir 2,9% na máxima desta sessão, mas perderam força. Essa é a sexta alta da ação em oito pregões. 

Depois de uma entrevista animadora do presidente da companhia ao Valor, que deixou espaço para aumento de tarifa para consumidores mais ricos, incluindo a indústria, o Credit Suisse elevou a recomendação da companhia para equivalente a compra ("outperform") ontem, no que o banco chamou de "call com alta convicção".

Os analistas elevaram, ainda, em 50% a projeção de Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia para 2016, enquanto dobraram o LPA (Lucro Por Ação) estimado para este ano, levando o preço-alvo de R$ 21,00 para R$ 24,00 por ação, o que representa um potencial de alta de cerca de 35% no papel.

Rossi (RSID3, R$ 2,07, -13,75%)
Após grupamento de cinco para um, as ações da Rossi tiveram mais um pregão de forte queda na Bolsa. Ontem, as ações fecharam cotadas a R$ 0,49. Hoje, já abrindo negociadas pós-grupamento, os papéis renovam mínima histórica na Bolsa, caminhando para sua quinta queda seguida e confirmando a "cilada do grupamento".   

CCR (CCRO3, R$ 11,55, +4,05%)
A CCR enviou comunicado a respeito das notícias publicadas sobre a venda da STP, reiterando que recebeu e está analisando uma oportunidade de alienação de sua participação acionária na referida empresa, apresentada em caráter não vinculativo. Ontem, o jornal O Estado de S. Paulo informou que a  Sem Parar, maior empresa de pagamento eletrônico de pedágios do País, está à venda e pode passar para as mãos de uma companhia americana. A transação tem potencial para movimentar até R$ 4 bilhões se o grupo estrangeiro FleetCor ficar com 100% do negócio. Segundo apurou a reportagem, as conversas entre as duas empresas já duram alguns meses e agora estão focadas em definir se todos os sócios da Sem Parar venderão suas participações ou não. Responsável por movimentar R$ 11 bilhões no ano passado, a Sem Parar pertence à STP, que tem como acionistas a concessionária CCR.

Multiplan (MULT3, R$ 38,89, +0,49%)
A Multiplan divulgou a sua prévia operacional do quarto trimestre, que, para o BTG Pactual, veio acima do esperado. Mesmo que o segmento "mesmas lojas" tenha mostrado um crescimento abaixo da inflação, os analistas consideraram que os números seriam bem recebidos pelo mercado, uma vez que as vendas aceleraram sequencialmente, mesmo diante do cenário macroeconômico atual, o que reforça a visão da resiliência do portfólio. O Itaú BBA também destacou que a empresa conseguiu entregar "números resilientes" apesar do cenário macro.

As vendas cresceram 4,1% no quarto trimestre na comparação anual, para R$ 4,2 bilhões. As vendas de lojistas nos shopping centers da Multiplan atingiram R$13,3 bilhões, um crescimento de 4,5% sobre as vendas de 2014, que por sua vez haviam crescido 12,1% sobre o ano anterior. Nos últimos cinco anos, as vendas quase dobraram, passando de R$7,5 bilhões em 2010 para o número atual. Em um período de dez anos, a partir de 2005, as vendas mais que quadruplicaram sobre o montante inicial, adicionando R$10,2 bilhões às vendas nominais. A taxa composta de crescimento anual (CAGR) no período foi de 15,6%.

Gafisa (GFSA3, R$ 2,15, -0,92%)
As vendas e lançamentos da incorporadora Gafisa cresceram no quarto trimestre, na comparação anual, com a retomada de lançamentos para média e alta rendas no período e salto nas vendas da Tenda, de imóveis econômicos. Entre outubro e dezembro do ano passado, o segmento Gafisa - voltado para média e alta rendas - foi responsável por 55,7 por cento dos 14 lançamentos do trimestre, em um total de 380,3 milhões de reais. Um ano antes, a companhia não lançou novos imóveis neste segmento. A Tenda também viu os lançamentos crescerem, a 25,3 por cento ano a ano, encerrando dezembro em 302,6 milhões de reais. Assim, o resultado consolidado do trimestre apresentou um avanço de 182,7 por cento, a 683 milhões de reais, informou a incorporadora nesta segunda-feira.

As vendas no segmento Gafisa, totalizaram 245,2 milhões de reais entre outubro e dezembro, alta de 38,3 por cento sobre 2014, e queda de 1 por cento em relação ao trimestre anterior. Na Tenda, as vendas cresceram 87,6 por cento no quarto trimestre ante 2014, a 237,5 milhões de reais, com recuo de 3,2 por cento trimestre a trimestre. No consolidado, as vendas foram de 483 milhões de reais, alta anual de 58,8 por cento, sendo 66,6 por cento de lançamentos. No quarto trimestre de 2015, o estoque consolidado a valor de mercado teve um aumento de 3,5 por cento, na comparação com o trimestre anterior, totalizando 2,9 bilhões de reais, disse a Gafisa.

Educação
Em relatório sobre o setor de educação, o Bradesco BBI reduziu a recomendação para a Anima (ANIM3, R$ 10,19, -3,87%) para neutro, enquanto a Kroton (KROT3, R$ 8,49, +2,41%) é considerada a top pick do setor; a Estácio (ESTC3, R$ 11,87, +1,37%) tem recomendação neutra.

Cia Hering (HGTX3, R$ 12,24, -6,35%)
As ações da Cia Hering fecharam na mínima do dia, como a segunda maior queda do Ibovespa. A receita bruta da companhia foi de 607,9 milhões de reais no quarto trimestre, queda anual de 0,7 por cento, informou a varejista nesta segunda-feira, acrescentando que o desempenho foi pressionado pelo canal multimarcas.

Segundo analistas, o resultado veio fraco, mas em linha com as estimativas. O Santander destacou em relatório que os dados operacionais da companhia confirmam a expectativa de uma temporada de resultados fraca para a Hering e ressalta a falta de "momentum" para a ação.

Na Hering Store, principal rede de lojas da companhia, as vendas caíram 3,3 por cento. Considerando o critério mesmas lojas (abertas há mais de 12 meses), as vendas diminuíram 5,1 por cento. A empresa abriu 38 lojas e encerrou 25 unidades em 2015, contabilizando 840 pontos de venda ao final de 2015. 

Rumo (RUMO3, R$ 2,44, -18,67%)
As ações da Rumo voltaram a liderar as perdas do Ibovespa. A empresa informou que a assembleia geral extraordinária que vai decidir sobre o cancelamento do aumento de capital anunciado em dezembro, de R$ 650 milhões, será realizada dia 3 de fevereiro. Segundo relatório do BTG Pactual, expectativas de que a injeção de capital pudesse não ocorrer levaram o papel a afundar 60% este ano. 

Queiroz Galvão (QGEP3, R$ 4,39, -6,40%)
As ações da Queiroz Galvão afundaram nesta sessão, apesar de relatório do BTG Pactual desta terça-feira, que manteve como única recomendação de compra entre as petroleiras brasileiras a ação da companhia.

Analistas justificam a "compra" em Queiroz Galvão por conta de Manati. Eles ressaltaram, no entanto, que seguem com visão cautelosa para o setor, diante do que parece ser uma "tempestade perfeita": combinação de queda das commodities e altos níveis de alavancagem das companhias.

Como as empresas estão muito correlacionadas ao preço do petróleo, os analistas começam a questionar o valor do ativo de empresas como, por exemplo, Petrobras (PETR3PETR4). No caso da estatal, o banco cortou o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) de US$ 5,00 para US$ 3,00. A recomendação seguiu como neutra.

Grupo "X"
As ações da OSX Brasil (OSXB3, R$ 0,16, +23,03%) chegaram a subir 46% na máxima desta terça-feira, após Eike Batista anunciar que venderá 90 milhões de ações da companhia para uma afiliada da Mubadala, o fundo soberano de Abu Dhabi. O megaempresário também anunciou que venderá fatias relevantes na CCX Carvão (CCXC3, R$ 3,50, +15,13%), MMX Mineração (MMXM3, R$ 0,23, +9,52%) e Óleo e Gás Participações (OGXP3, R$ 0,03, 0,00%).

A fatia de Eike e da Centennial Asset - afiliada do empresário - na OSX representam 28,78% do capital social e terá a vendida concluída para a gestora que possui participação no Grupo EBX ainda no primeiro semestre do ano, segundo comunicado enviado na noite de segunda-feira (18). Quem irá adquirir os papéis de Eike é a 9 West Finance, empresa afiliada da Mubadala. 

Sobre a fatia da CCX, empresa que explorava carvão na Colômbia, a 9 West Finance comprará 4,5 milhões de ações, o que equivale a aproximadamente 26,45%. Na máxima do dia, as ações da companhia chegaram a subir 25%, quando bateram em R$ 3,80. A fatia na MMX que Eike venderá equivale a 21,04% das ações - ou 34.130.324 papéis. Já na extinta OGX, Eike pretende transferir 11,47% das ações para a 9 West Finance.

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