Por Ricardo Bomfim Em mercados  15 jan, 2016 18h45

Copom e China roubarão os holofotes na semana; confira mais eventos

Mercado não terá alívio nos próximos dias; a hora é de ficar bem atento aos indicadores macroeconômicos

Por Ricardo Bomfim Em mercados  15 jan, 2016 18h45

SÃO PAULO - Esta semana foi de pânico nos mercados. O Ibovespa caiu 5% pressionado pelo petróleo e, mais especificamente nesta sexta, por dados negativos nos Estados Unidos. E os próximos dias, para a tristeza de qualquer investidor, não prometem muita melhora no cenário geral. Teremos dados da China logo no começo da terça-feira e um Copom (Comitê de Política Monetária), que promete trazer muita volatilidade. 

"Acho que o assunto mais importante da semana que vem são esses dados da China", disse a economista da Claritas, Marcela Rocha. À meia noite (horário de Brasília) de terça serão divulgados o PIB (Produto Interno Bruto) da China, as vendas do varejo e a produção industrial. Para ela, os indicadores oferecerão um alívio na parte econômica e trarão estabilidade para o yuan. No entanto, é impossível falar o mesmo para o mercado, já que as bolsas chinesas são pouco transparentes, o que ficou evidente nos dias de forte desvalorização recentes. Como é comum que as bolsas europeias reajam a grandes movimentos em Xangai, a resposta dos mercados a esta questão aparece como uma incógnita. 

Quando o mercado passar pela China, ele enfrentará um novo foco de tensão: a decisão do Copom da quarta-feira (20). "Os economistas aumentam o ruído com relação ao Copom, mas na nossa opinião, o Relatório de Inflação já foi muito claro. A Selic deve ser elevada em 0,5 ponto percentual", afirma. Para Marcela, o comitê não pode trazer muitas surpresas sob o risco de perder credibilidade. Ou seja, justamente para afastar estes rumores de interferência do PT ou de outros setores da base do governo, o BC deve entregar um aumento de juros e mostrar que enfrenta seriamente a inflação. 

Fechando a semana, alguns investidores podem até ter adquirido o (mau) costume de ignorar o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), mas será importante olhar para ele na próxima sexta (22). Principalmente com toda essa discussão de dominância fiscal correndo solta. "Este IPCA-15 tem um ponto relevante, já que o ano começou com aumento das tarifas de transportes, impostos, serviços de TV e internet etc." Isso significa, que os preços administrados voltarão a fazer pressão, e isso é péssimo porque um IPCA-15 acima do esperado levará o mercado a reajustar suas previsões de uma maneira pessimista. Tudo isso gerando mais trabalho para o governo no sentido de fazer uma política ortodoxa que combata o aumento geral dos preços. "É um cenário desafiador para o BC. Acreditamos que a inflação termine o ano em 7,1%", conclui a economista. 

A seguir, os destaques da agenda econômica semanal:

Copom (Brasil)
Sem horário definido para acabar, a decisão do Copom deve ser de uma elevação da taxa básica de juros, a Selic, em 50 pontos-base, de 14,25% a 14,75%.   

IPCA-15 (Brasil)
Saindo às 9h, o dado de inflação oficial medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) deve ter um avanço de 0,98% entre 15 de dezembro e 15 de janeiro, segundo a mediana das expectativas dos economistas pesquisados pela LCA Consultores. No período imediatamente anterior, o avanço foi de 1,18%. 

Dados da China
Saem às 00h00 da terça os dados de PIB da China, para os quais espera-se um crescimento de 6,9% no quarto trimestre de 2015, mesmo avanço registrado no período anterior. A produção industrial, por sua vez, deve ter um avanço de 6% em dezembro, contra os 6,2% registrados em novembro. Já a produção industrial provavelmente crescerá 6,1% em dezembro, após avançar 6,1% no mês anterior. 

Estoques de petróleo (EUA)
Principal driver do mercado na próxima semana, os estoques saem às 13h30 da quarta-feira. Na avaliação de Marcela Rocha, os dados fracos dos EUA nesta sexta ajudam a pensar que o sell-off continua na commodity. Afinal, foi um sinal de demanda fraca ao mesmo tempo em que a oferta está pressionada pelas perspectivas de aumento da produção do Irã. Então sem notícias positivas sobre petróleo por enquanto. 

Para ver a agenda completa da semana que vem, clique aqui.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Contato