Por Thiago Salomão Em mercados  07 jan, 2016 23h48 - Atualizada em 08 jan, 2016 | 00h18

Bolsa da China supera "circuit breaker", abre com alta de 3% e anima outros asiáticos

Nos minutos iniciais, o índice Shangai Composite marcava alta de 2,98%, enquanto o CSI300 subia 2,21. Na véspera, o Shangai e o CSI recuaram mais de 7%, o que fez acionar o "circuit breaker" e interromper as negociações locais pelo resto do dia.

Por Thiago Salomão Em mercados  08 jan, 2016 00h18

SÃO PAULO - O pânico de quinta-feira parece ter ficado para trás na bolsa da China. Depois de cair mais de 7% na véspera e encerrar suas negociações com apenas 29 minutos, o mercado do gigante asiático iniciou o pregão desta sexta-feira (8) com forte alta de até 3%, contrariando a expectativa de grandes investidores.

Nos minutos iniciais, o índice Shangai Composite marcava alta de 2,98%, enquanto o CSI300 subia 2,21%. A alta perdeu forças e chegou a virar para forte queda por alguns minutos, mas logo depois voltou para o positivo e agora gira em torno de 1,5% de alta.

A abertura positiva fez com que outras bolsas asiáticas que já tinham iniciado pregão virassem para o campo positivo. É o caso do índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, que virou de queda de 2% para alta na faixa de 0,7%.

Na véspera, o Shangai e o CSI recuaram mais de 7%, o que fez acionar o "circuit breaker" e interromper as negociações locais pelo resto do dia. Ainda na quinta, o órgão regulador chinês decidiu suspender a regra do circuit breaker, que interrompia as negociações por 15 minutos em caso de oscilações maiores que 5% do CSI300 ou interrompia definitivamente em caso de variações de 7%.

Fique de olho!
Apesar do movimento de alta nos minutos iniciais, a tensão deve prevalecer por lá. A China precisa restabelecer a confiança dos investidores acerca das "leis do jogo", tendo em vista as mudanças de regras sobre circuit breaker e as intervenções costumeiras no mercado, como a proibição estipulada para grandes investidores, que estão vetados de vender ações.

E por falar nesse banimento, é importante lembrar que hoje expira o veto para que grandes investidores vendam ações, proibição que entrou em vigor em julho passado. Para se proteger de mais um "sell off" que o fim desse veto pode trazer, o CSRC anunciou que os principais acionistas das empresas listadas na Bolsa não podem vender mais de 1% de suas participações ao longo de três meses.

Ademais, a China interrompeu a desvalorização  do yuan. O PBoC (Banco do Povo da China) anunciou, antes da abertura do pregão, que estabeleceu a taxa de referência ligeiramente mais alta para o yuan, levando o yuan médio para 6,5636 contra o dólar, abaixo dos 6,5926 registrados no fechamento do último pregão na China.

Surpresas e divergências
O movimento surpreendeu boa parte dos investidores, que esperavam mais um dia tenso no oriente, o que inclusive justificava a abertura em queda da bolsa japonesa. Na noite de quinta-feira, o famoso gestor Bill Gross disse que a bolsa chinesa cairia até 6% na abertura desta sexta, devido ao movimento apresentado pelos ETFs (Fundos de Índice, na tradução livre) negociados nos EUA e que representam ações chinesas.

As opiniões sobre o futuro da China, no entanto, divergem bastante. O bilionário investidor George Soros, cujo talento mais reconhecido é conseguir perceber grandes mudanças estruturais muito antes que o resto do mercado, disse que a situação atual do mercado se assemelha com a crise de 2008 e que a China passa por um importante momento de ajuste.

Por outro lado, o economista especialista em China e professor do Insper, Roberto Dumas Damas, afirma que a China não está em crise, ela apenas está passando pelo processo de estruturação da nova dinâmica da economia, algo que já era esperado pelos investidores. Por isso ele acredita que ou o mercado não entendeu isso, ou então ele está se aproveitando disso, operando em cima da volatilidade gerada (leia a entrevista completa com o professor clicando aqui).

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(REUTERS/Stringer)

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