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Após 22 minutos "congeladas", ações da Petrobras despencam 9% e BB cai 4%; veja mais

Confira os principais destaques da Bovespa na sessão desta sexta-feira

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(Bloomberg)

SÃO PAULO - O mercado é pressionado nesta sexta-feira (6) pela forte baixa das ações da Petrobras (PETR3, R$ 8,92, -7,66%; PETR4, R$ 8,97, -8,47%), caíam forte às 15h39 (horário de Brasília) com a confirmação do substituto de Graça Foster, Aldemir Bendine, atual presidente do Banco do Brasil (BBAS3). As reações são negativas, com o mercado aguardando um executivo mais ligado ao setor privado, com renome internacional. Após 22 minutos de leilão, que se iniciou logo após a confirmação da substituição, os papéis voltaram a operar normalmente no mercado.

Segundo o analista de crédito, Omar Zeolla, da Oppenheimer, a entrada de Bendine é "muito negativa". "Parece uma continuação da gestão anterior. Entendo que ninguém do setor privado gostaria de aceitar o cargo com essa questão de redução dos ativos não resolvida", disse, em entrevista à Bloomberg. O que faz um contrapeso é a visão de que a escolha de Bendine seria apenas "temporária", apenas para assinar o balanço do quarto trimestre, enquanto o governo ganha tempo para escolher um nome melhor para a estatal.

Confira outros destaques da Bolsa nesta sessão:

Bancos
As ações dos bancos operam no negativo em dia de bastante volatilidade no mercado pela proximidade do vencimento de ações e dia decisivo para Petrobras. Nos destaques, Banco do Brasil (BBAS3, R$ 21,86, -4,08%), Bradesco (BBDC3, R$ 35,25, +0,28%; BBDC4, R$ 35,54, -0,25%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,98, -0,65%) e Santander (SANB11, R$ 13,25, 0,00%).

Segundo fontes disseram à Reuters, com a saída de Aldemir Bendine, atual presidente do BB, para a Petrobras, a vaga para assumir o comando do banco seria ocupada por Alexandre Abreu. 

Além disso, no radar dos bancos, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) suspendeu socorro à Sete Brasil, fornecedora da Petrobras. A notícia é negativa para o BB e bancos privados já que aumentam os riscos dos empréstimos que o próprio BNDES, Caixa Econômica Federal, BB (R$ 9 bilhões), Itaú Unibanco e Bradesco tem com o setor de petróleo, contando empreiteiras. 

Exportadoras
Na contramão, entre as poucas altas do Ibovespa hoje, aparecem ações de empresas ligadas à exportação, como Fibria (FIBR3, R$ 35,11, +1,98%), Suzano (SUZB5, R$ 11,23, +0,45%) e Braskem (BRKM5, R$ 12,85, +2,80%). Esses papéis ganham com a valorização do dólar frente ao real. A moeda renova máxima nesta sessão em quase dez anos com exterior e em meio à má recepção do mercado ao nome indicado à presidência da Petrobras. 

ALL e Cosan Logística
As ações da ALL (ALLL3, R$ 4,55, +2,94%) e Cosan Logística (RLOG3, R$ 2,73, +1,11%) voltam a disparar hoje em meio à expectativa de que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) vai aprovar a fusão entre a ALL e Rumo, em reunião marcada para 11 de fevereiro. Em dezembro, a superintendência ­geral do órgão havia impugnado a operação, sob o argumento de que seria necessário impor condições para garantir que os concorrentes da Cosan (dona do Rumo) no setor sucroalcooleiro e de outros segmentos, como os produtores de soja, milho e farelo, tivessem acesso ao sistema de escoamento de mercadorias pela ALL. Agora, no entanto, o mercado estima que o órgão deve aprovar o acordo, com poucas limitações. Isso fez disparar as ações na véspera: ALL (+20,88%) e Cosan Logística (+25,59%).

BRF (BRFS3, R$ 64,35, -1,00%)
Continua a boa maré para a BRF, maior exportadora global de carne de frango, que, em meio a alta do dólar, aprovou a criação de subsidiária da companhia em Xangai, na China. "Esse é o papel do ano. Quem não comprou ainda tem que ter porque também a empresa vai colher mais frutos do plano estratégico de 2014 a 2017, com foco em produtos mais rentáveis no exterior", disse o analista Flávio Conde.

Elétricas
O cenário para o setor elétrico segue conturbado e não para menos as ações caem juntamente com o dia negativo que se forma na Bolsa. "O cenário é difícil e medidas paliativas como aumentar o horário de verão se confirmam que o pior pode acontecer: racionamento", disse o analista Flávio Conde. Nesta situação, as geradoras seriam as mais prejudicadas - Eletrobras (ELET3, R$ 5,10, -0,20%; ELET6, R$ 6,21, 0,00%), Cemig (CMIG4, R$ 11,30, -4,80%), Copel (CPLE6, R$ 31,42, +0,06%) e Tractebel (TBLE3, R$ 30,01, -2,22%) -, seguidas pelas transmissoras - Taesa (TAEE11, R$ 19,67, -0,30%), Transmissão Paulista (TRPL4, R$ 37,62, -2,56%) e Alupar (ALUP11, R$ 18,76, -0,74%) -, e menos as distribuidoras Eletropaulo (ELPL4, R$ 7,48, -3,23%) e CPFL Energia (CPFE3, R$ 17,51, +0,11%). 

Conde comenta, no entanto, que boa parte desse cenário já foi precificado pelo mercado, mas ainda assim o dia que vier um plano de incentivo a economia de energia, provavelmente na tentativa de evitar um racionamento, as ações das elétricas cairão ainda mais. E se mais a frente vier o racionamento, cairão novamente. 

Kroton (KROT3, R$ 10,25, -10,48%)
As ações da Kroton aparecem entre as maiores quedas do Ibovespa. A companhia disse que a portaria 21 impacta a expectativa de crescimento futuro, mas principalmente no curto prazo: para este ano, avanço é de 8%, contra 10% anteriormente; em 2016, a projeção é de crescimento de 7%, ante 10%. Após a Petrobras, foi a vez da Kroton entrar em leilão na Bolsa após fortes quedas, tendo sido "congeladas" por volta das 16h20. Fora do Ibovespa e no mesmo setor, chamavam atenção as ações da Anima (ANIM3, R$ 18,24, -10,10%), que despencavam na sessão.

OSX Brasil (OSXB3, R$ 0,22, 0,00%)
A OSX informou ontem que, após "a conclusão de uma importante fase de sua restruturação, com a aprovação e homologação do Plano de Recuperação Judicial", cinco dos integrantes de seu conselho de administração se demitiram.

Segundo comunicado, Euchério Lerner Rodrigues, Julio Alfredo Klein Junior, Francisco Borges de Souza Dantas, Luiz Guilherme Tinoco Aboim Costa e Agnaldo Santos Pereira apresentaram suas cartas de renúncia e não integram mais o Conselho.

Qualicorp (QUAL3, R$ 25,98, -4,65)
Depois de desabarem na véspera - atingindo a maior queda no intraday da sua história (-10,2%) -, as ações da Qualicorp registram leve baixa hoje. Ontem, investidores ficaram preocupados com mudanças nas regras dos planos de saúde que deixariam os planos individuais mais atrativos do que os coletivos, vendidos pela Qualicorp. As mudanças permitiriam que as empresas vendessem os planos individuais com preços menores no início dos contratos e fossem reajustado os valores de acordo com os custos. A companhia, no entanto, soltou um comunicado no final do dia afirmando que houve um equívoco na interpretação do mercado sobre as mudanças nos planos e o Ministério da Saúde afirmou ainda que não mudará a regra do reajuste dos planos individuais.

CVC (CVCB3, R$ 14,14, +3,21%)
As ações da CVC sobem forte após resultado do quarto trimestre. A companhia, maior operadora de turismo da América Latina, registrou no período lucro líquido de R$ 59,6 milhões, 49,6% mais em relação ao mesmo trimestre de 2013. Com esse resultado a companhia acumula em 2014 ganho de R$ 145,7 milhões, crescimento de 30,5%.  

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