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Vale recua 5%, educacionais sobem 3% e imobiliárias têm dia de mínimas; veja mais

Entre os destaques ainda estiveram os papéis os papéis da companhia de Eike Batista, que em sua máxima do dia chegou a disparar mais de 40%

Vale Bloomberg

SÃO PAULO - A segunda-feira (26) voltou a ser de perdas para a Bolsa, com o Ibovespa fechando com queda de 0,41%, a 48.576 pontos. Entre os destaques que contribuíram para o movimento do índice estiveram as ações das blue chips Vale, que fecharam no negativo na sessão em meio à queda do minério de ferro. Já a Petrobras fechou entre ganhos e perdas, sendo que no radar da estatal está a divulgação do balanço não auditado do terceiro trimestre da companhia, previsto para amanhã.

No positivo ficaram os papéis das educacionais, que após fortes quedas nos últimos dias em meio às novas medidas do MEC (Ministério da Educação) para obtenção do Fies (programa de financiamento estudantil), fecharam com valorização nesta segunda. Além delas, também chamaram atenção os papéis dos bancos. Com forte queda, no entanto, chamaram atenção os papéis da PDG Realty e das companhias do setor imobiliário, que após terem "alívio" na semana passada, voltam ao negativo nesta segunda em meio ao pessimismo com o setor.

Fora do índice, as ações da OSX Brasil (OSXB3) chegaram a disparar mais de 40%, embora não tenha nenhuma notícia no radar da empresa, enquanto os papéis da BR Insurance (BRIN3) fecharam com queda com a saída do diretor presidente.

Confira os principais destaques da Bolsa nesta segunda-feira:

Vale (VALE3, R$ 19,58, -5,58%; VALE5, R$17,48, -4,59%)
As ações da Vale recuaram pelo terceiro pregão seguido em meio à forte queda do preço do minério de ferro, principal produto da mineradora. Acompanharam o movimento os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 12,67, -6,22%), holding que detém participação na Vale. 

Na quinta-feira, veio a notícia de que a produção mundial de aço cresceu apenas 1,2% com a China (quase metade do total) avançando apenas 0,9%. Na sexta-feira, o minério de ferro (62% negociado no mercado à vista da China) caiu 0,6%, para US$ 65,90 a tonelada, no menor nível desde 2009. Com essa conjuntura, a Vale tinha que cair na sexta, como caiu (-5,3%), fechando a R$ 18,30, no caso dos papéis preferenciais, e hoje não deveria ser diferente, com o minério atingindo nova mínima, a US$ 63,30. "Portanto, cautela para Vale nessa semana", alertou o analista Flávio Conde. 

No radar da empresa ainda, na sexta-feira a Standard & Poor's cortou o rating da Vale de A- para BBB+, passando a perspectiva de negativa para estável. Essa foi a primeira vez em 8 anos que a S&P cortou o rating da mineradora. 

Petrobras (PETR3, R$ 9,54, +0,21%; PETR4, R$ 9,91, -0,90%)
A Petrobras viu seus papéis ordinários fecharem no positivo, enquanto os preferenciais fecharam em seu segundo pregão de queda seguido nesta segunda-feira em meio à queda dos preços do petróleo no mercado internacional e um corte de recomendação feito por um banco de investimentos americano. O BMO Capital Markets revisou para baixo a classificação dos papéis da companhia, para underperform (desempenho abaixo da média). Vale lembrar que amanhã a companhia irá divulgar seu resultado não auditado do terceiro trimestre após o fechamento do mercado.

Imobiliárias
No vermelho estiveram, novamente, as imobiliárias, que semana passada chegaram a ter um "respiro" com a fala do ministro da Fazenda Joaquim Levy, que declarou que a tendência é que a curva de juros de longo prazo passe a cair, o que beneficia as companhias uma vez que dá ao consumidor um maior poder de compra por financiamento, o que aumenta as vendas do setor. No entanto, o cenário para estas empresas continua sendo negativo, como explica o analista técnico da Guide Investimentos, Lauro Vilares. "É um setor que como um todo está muito fraco, e por isso pouca gente está apostando nos papéis. A indicação de Levy na semana passada não parece estar sendo precificada no setor ainda, já que ainda estamos vendo um aumento nos juros", disse o analista.

Os papéis da PDG Realty (PDGR3, R$ 0,65, -13,33%) operou hoje em sua mínima histórica, enquanto EzTec (EZTC3, R$ 18,36, -2,39%) bateu mínimas deste julho de 2012 no intraday. Ainda chamaram atenção os papéis da Helbor, que viu seus papéis atingirem suas mínimas desde agosto de 2011. Ainda no negativo estiveram as ações de BR Properties (BRPR3, R$ 9,46, -4,44%) e MRV (MRVE3, R$ 6,97, -1,83%).

Braskem (BRKM5, R$ 12,29, +1,32%)
As ações da Braskem fecharam com recuperação nesta segunda após caírem por cinco sessões consecutivas. No entanto, neste ano, a companhia acumula queda de 32%. Os papéis da petroquímica vêm sendo penalizados pelo risco de racionamento, que teria forte impacto em suas operações. Na sexta-feira, quando o mercado desabou em meio a maiores preocupações sobre o assunto, as ações da companhia caíram 5,8%.  

ALL (ALLL3, R$ 3,88, -2,76%)
Os papéis da ALL renovaram mínima histórica nesta sessão. O BTG Pactual disse hoje que as ações da companhia podem ser uma alternativa de investimento para quem quiser fugir do risco de liquidez da Cosan Logística (RLOG3), colocada como sua ação "top pick" no setor de infraestrutura, assim como o JP Morgan, que mantém visão otimista para o papel, citando que a fusão com a Rumo deve adicionar significativa melhora na rentabilidade da empresa. 

Gol (GOLL4, R$ 12,69, -4,23%)
As ações da Gol caíram pela segunda sessão consecutiva apesar de relatórios positivos de hoje do JPMorgan e BTG Pactual. O JP colocou os papéis da aérea como seus top picks na América Latina, com a queda do petróleo podendo jogar para cima as margens da companhia em 2015. Já o BTG colocou as ações da companhia em destaque no Brasil também citando os preços do petróleo. 

OSX Brasil (OSXB3, R$ 0,28, +47,37%)
As ações da empresa de Eike Batista, OSX Brasil, dispararam hoje, atingindo na máxima do dia valorização de 47,37%, a R$ 0,28. No radar, não aparece nenhuma notícia da empresa que pudesse contribuir para esse movimento. O volume financeiro impressionou, alcançando R$ 2,604 milhões, contra média diária dos últimos 21 pregões de R$ 485 mil. 

Copasa (CSMG3, R$ 16,44, -13,97%) e Sabesp (SBSP3, R$ 13,25, -1,85%)
Os papéis da Copasa e Sabesp fecharam em forte queda nesta sessão. Na última sexta-feira, esses papéis caíram 14,9% e 11,6%, respectivamente. Na quinta, a Copasa admitiu situação crítica da água e que fará campanha educativa para reduzir consumo em Belo Horizonte em pelo menos 30%. Durante entrevista coletiva na sede da empresa, a nova presidente da companhia, Sinara Meirelles, não descartou a possibilidade de que haja racionamento e rodízio, e também que multas sejam aplicadas na conta. 

Educacionais
Depois de um início de sessão bem negativo, as ações do setor de educação ganharam força e fecharam no positivo nesta segunda. Chamaram atenção os papéis de Estácio (ESTC3, R$ 16,85, +3,06%), Kroton (KROT3, R$ 13,04, +2,76%) e Ser Educacional (SEER3, R$ 15,82, +2,73%). A exceção foi a ação da Anima (ANIM3, R$ 23,42, -0,80%), após o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovar hoje a união das operações da companhia com as da americana Whitney University System no Brasil.

Confira as revisões no Fies que derrubam as educacionais em 2015

Além disso, o BB Investimentos revisou para baixo o preço-alvo de todas as ações do setor, citando impactos no curto prazo com as revisões nos preços do Fies: da Anima passou para R$ 33,50 (ante R$ 48,00); da Estácio para R$ 26,50 (antes R$ 37,80); da Kroton para R$ 15,20 (contra R$ 18,50); e da Ser para R$ 24,40 (ante R$ 36,20). 

Forjas Taurus (FJTA4, R$ 3,75, +3,31%)
Depois de subirem mais de 8%, as ações da Forjas Taurus fecharam com alta mais amena após o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) ter aprovado a operação que deu à CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) 52,51% do capital votante da empresa. A CBC tinha anteriormente 2,55% das ações ONs da Taurus. 

Brasil Insurance (BRIN3, R$ 2,09, -7,11%)
As ações da Brasil Insurance fecharam em queda hoje, dando sequência à forte derrocada na Bolsa que registra desde abril do ano passado. A companhia informou hoje que Edward Lange, que vinha exercendo a função de diretor presidente, deixará a empresa no decorrer da semana. Ele assumiu o posto em maio do ano passado. Daquele mês até agora, os papéis da companhia desabaram 77%.

O posto de diretor presidente da companhia será ocupado agora por Miguel Longo, que atualmente é o diretor financeiro e de controle e de relações com investidores da empresa. Em teleconferência hoje, Longo comentou que a decisão do Conselho pela saída de Edward Lange visava uma melhoria na empresa para com seus investidores.

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