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As três ações que reagiram aos resultados, MSCI e os 21 destaques da semana

Dentre os eventos estão ainda a alta de 3,4% do dólar nesta semana, o que fez as exportadoras dispararem e a Petrobras, que fechou a semana em queda após uma semana de enigma sobre reajustes

SÃO PAULO - Nesta sexta-feira (7) outra semana se finda na Bolsa. Entre os dias 3 e hoje, o Ibovespa, que fechou com queda de 2,57%, a 53.222 pontos, teve como principal evento a temporada de resultados do terceiro trimestre, que termina semana que vem. Nos últimos dias, alguns resultados chamaram atenção e agitaram algumas ações na Bolsa, como as da Gerdau, que fecharam no topo do Ibovespa após a companhia divulgar uma balanço considerado "bom", mas mostrando alguns problemas a serem enfrentados.

Outra empresa que chamou atenção com os resultados foi a BR Malls, que não reagiu bem ao balanço e despencou 14% nesta semana. A alta do dólar também foi a responsável por algumas altas, como o caso das exportadoras. A moeda norte-americana fechou a semana com alta de 3,4%, batendo R$ 2,57 nesta sexta. A divisa subiu em oito das últimas nove semanas, acumulando no período valorização de 15%.

O MSCI (Morgan Stanley Capital International) também trouxe destaque para esta sexta, após anunciar a retirada de onze companhias do índice. Vale mencionar que as mudanças entrarão em vigor a partir de 25 de novembro. Ações como as da Rossi fecharam entre as maiores quedas após serem retiradas do índice MSCI Small Caps. Vale mencionar que na ponta de cima do Ibovespa chamaram atenção também as ações da Cesp (CESP6, R$ 26,10, +6,84%).

Veja os eventos de destaque da semana:

Dólar
As ações das companhias que possuem perfil exportador, como é o caso de Fibria (FIBR3, R$ 31,15, +3,80%), Suzano (SUZB5, R$ 10,95, +4,68%), Braskem (BRKM5, R$18,95, +4,52%) e Klabin (KLBN11, R$ 12,49, +1,96%), são beneficiadas pela alta do dólar, que disparou nesta semana. A moeda norte-americana fechou a sexta-feira com alta de 0,11%, cotada a R$ 2,56; já na semana, a moeda subiu 3,4%. Vale mencionar que estas companhias sobem com a alta da moeda já que seus lucros estão atrelados à divisa. 

As vítimas do MSCI
Dentro e fora do Ibovespa, alguns papéis "apanharam" na semana após o MSCI (Morgan Stanley Capital International) anunciar que vai retirar de seu índice global as ações de três empresas brasileiras: ALL (ALLL3, R$ 6,46, -4,86%), BR Properties (BRPR3, R$ 11,20, -10,54%) e Copasa (CSMG3, R$ 24,40, -13,54%).

Como muitos fundos de investimento espalhados pelo mundo todo e que administram bilhões de dólares seguem de perto o MSCI - seja de forma passiva (acompanhando o desempenho) ou ativa (tentando ter um desempenho um pouco melhor) -, deve haver pressão vendedora em cima desses papéis nos próximos pregões. Vale mencionar que as mudanças entrarão em vigor a partir de 25 de novembro. Em e-mail a clientes, o Citi afirmou que a saída total de recursos do Brasil com as exclusões dos papéis do índice será de US$ 295 milhões, segundo informações da Reuters.

Esses papéis retirados do índice global passaram a fazer parte do MSCI Small Caps. Neste índice, também foi incluído os papéis da Tupy (TUPY3, R$ 18,60, +5,68%), mas também teve a retirada de 7 ações: BrasilAgro (AGRO3, R$ 7,58, +9,38%), Eucatex (EUCA4, R$ 4,23, -2,76%), Log-In (LOGN3, R$ 4,45, -6,90%), Profarma (PFRM3, R$ 11,51, +5,69%), Rodobens (RDNI3, R$ 9,62, -3,51%), Rossi Residencial (RSID3, R$ 0,85, -13,27%) e Saraiva (SLED4, R$ 14,50, -9,38%). 

Santander
Após cair muito nos últimos dias após o IPO das ações da companhia, as units do Santander (SANB11, R$ 14,25, +6,74%) viveram semana mista de repique e reação aos resultados, fechando entre as maiores altas do Ibovespa para os dias. Na terça-feira, o banco registrou lucro líquido societário de R$ 537 milhões no terceiro trimestre deste ano, ante resultado positivo de R$ 528 milhões no segundo trimestre. Fora o balanço, o Santander anunciou ainda um programa de recompra que abrangerá a aquisição de até 44.253.662 units, representando aproximadamente 1,16% do seu capital social. O prazo do programa é de até 365 dias contados a partir do dia 3.

No último dia 31, o Santander teve 56% das suas units compradas ontem pela matriz espanhola do banco em uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) anunciada em abril. Como geralmente ocorre com este tipo de operação no mercado, o futuro das ações brasileiras do Santander é um quadro negro de queda.

Mas por que isso ocorre? A explicação mais simples é que com a queda de liquidez resultante da forte redução no número de ações - ou seja, de facilidade para comprar e vender o ativo - a ação deixará de se enquadrar nos critérios de inclusão no Ibovespa. Com isso, os fundos de investimento ativos e passivos exercerão pressão vendedora ao retirar, aos poucos, a ação do Santander de suas carteiras.

As estrelas e as "nem tanto" da temporada de resultados 
Fechando a semana do lado de cima do Ibovespa estiveram as ações da Gerdau (GGBR4, R$ 11,59, +4,51%) após a divulgação de seus resultados na quinta-feira (6). O resultado da Gerdau, mesmo sendo positivo, mostrou grandes problemas para a companhia enfrentar. Com um lucro líquido de R$ 262 milhões no terceiro trimestre - uma queda de 59,2% em um ano -, analistas agora se focam na resolução das dificuldades, prevendo um cenário que precise de superação daqui para frente. O analista Victor Penna, do BB Investimentos, decidiu então revisar o preço-alvo para as ações, mesmo que ainda apostando em um desempenho bom dos papéis.

Em relatório, Penna disse que "o resultado da Gerdau continua sendo pressionado pelo recuo da demanda no mercado interno e América Latina, versus performance positiva por parte dos EUA". Segundo ele, o fraco cenário para a mineração também tem prejudicado os números da siderúrgica, o que, inclusive, levou a companhia a revisar seu planejamento de expansão de capacidade anteriormente previsto.

Já na ponta negativa do Ibovespa para a semana figuraram as ações da BR Malls (BRML3, R$ 17,00, -14,57%), que despencaram após a divulgação de seu balanço para o terceiro trimestre. O impacto negativo da Copa do Mundo em julho e a desvalorização do real ante o dólar pressionaram os resultados da BRMalls no terceiro trimestre, levando a uma queda do lucro líquido no período. O lucro líquido ajustado foi de R$ 123,6 milhões entre julho e setembro, queda de 3,7% em relação ao terceiro trimestre de 2013. A média das estimativas obtidas pela Reuters apontava para um lucro ajustado de R$ 97,4 milhões.

Também viram suas ações despencar após resultados as ações da Vale (VALE3, R$ 24,02, -3,92%; VALE5, R$ 20,70, -3,94%), que divulgou seu resultado do terceiro trimestre no dia 30 do mês passado, registrando um prejuízo de R$ 3,38 bilhões, ante estimativa média de lucro de R$ 4,43 bilhões feita por analistas consultados pela Bloomberg. De acordo com a companhia, o prejuízo reflete “principalmente o impacto não caixa de variações cambiais e perdas monetárias em dívidas e derivativos de US$ 2,683 bilhões devido à depreciação do real frente ao dólar americano”.

A companhia havia registrado um lucro de R$ 3,18 bilhões no segundo trimestre deste ano e de R$ 7,95 bilhões no mesmo período do ano passado. Enquanto isso, a receita operacional líquida somou R$ 20,63 bilhões no período, uma queda de 6,6% frente aos R$ 22,08 bilhões do segundo trimestre e baixa de 26,8% aos R$ 28,19 bilhões na base de comparação anual. 

Além dos resultados, nos últimos dias, pesou para a companhia um relatório do Santander que disse que vê analistas ainda cortando as estimativas para a Vale depois do terceiro trimestre fraco e perspectivas ruins para 2015. O banco cortou o preço-alvo por ADRs (American Depositary Receipts) da mineradora no fim de 2015 de US$ 14 para US$ 10,5.

Petrobras (PETR3, R$ 13,77, -6,01%; PETR4, R$14,27, -6,61%)
A petrolífera fechou a semana também entre as quedas após toda a incerteza que o mercado passou durante o período sobre os reajustes no preço do combustível, que foi divulgado somente na noite de ontem. Em "anúncio-surpresa", a Petrobras informou o reajuste dos preços de diesel e gasolina a serem aplicados a partir de hoje. A gasolina A terá um reajuste de 3% e o diesel vai ter um reajuste de 5%. Os preços da gasolina e do diesel, sobre os quais incide o reajuste anunciado, não incluem os tributos federais CIDE e PIS/Cofins e o tributo estadual ICMS, informou a companhia em comunicado.

O anúncio do reajuste era bastante esperado pelo mercado. A expectativa era de que o anúncio fosse feito na última sexta-feira, mas o assunto nem chegou a ser discutido. O conselho teria passado a reunião discutindo a pressão da PwC para ampliar as investigações internas.

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