Ibovespa zera perdas com alta de siderúrgicas, enquanto elétricas têm "reviravolta"

Prévia do PIB brasileiro animou ao ficar acima do esperado, mas tensões na Ucrânia e desaceleração da China aumentam preocupações dos investidores; siderúrgicas ampliam os ganhos, enquanto elétricas passam a cair
Por Lara Rizério  
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SÃO PAULO - A sessão desta sexta-feira (14) já se inicia com forte volatilidade para o índice. Após abrir em alta e virar para queda com a pressão das duas ações com maior participação no índice, o Ibovespa registra leve alta no início da segunda hora do pregão com o aumento dos ganhos de siderúgicas. Às 11h13 (horário de Brasília), o índice registrava alta de 0,21%, a 45.538 pontos. O noticiário econômico e político é agitado nesta sessão, com o aumento das tensões na Ucrânia e preocupações com a China; no Brasil, a ajuda do governo às elétricas e a prévia do PIB chamam a atenção. 

Mas quem chama a atenção nesta sessão são as siderúrgicas: destaque para a CSN (CSNA3, R$ 9,62, +11,86%), disparam após conselho de administração da siderúrgica autorizar a abertura de um novo programa de recompra de ações, podendo adquirir 70.205.661 papéis - o que representa quase 10% das ações em circulação - e terá duração de um mês (entre 14 de março e 14 de abril). As ações da Gerdau (GGBR4, R$ 14,22, +2,52%) e Usiminas (USIM5, R$ 8,92, +3,96%) também têm alta, após o JPMorgan elevar a recomendação para overweight (exposição acima da média) para os dois ativos. 

Por outro lado, as ações da MRV Engenharia (MRVE3) registram forte queda e "disparam" na ponta negativa do índice, com perdas de mais de 7%, após a companhia revelar os números do quarto trimestre. A queda de margens preocupa o mercado, ao passar de 14,5% no quarto trimestre de 2012 para 10,6% neste ano. O lucro líquido recuou 37,2%, passando de R$ 115 milhões no quarto trimestre de 2012, para R$ 72 milhões nos três últimos meses do ano passado. Na comparação anual a queda foi menor, de 19,8%, com a companhia encerrando 2013, com lucro de R$ 423 milhões.

Além disso, a Petrobras (PETR3, R$ 12,35, -0,48%; PETR4, R$ 13,03, -0,61%) vê suas ações registrarem leve queda. Vale ressaltar que a petrolífera pode ser uma das afetadas com a medida do governo para "salvar" as elétricas, conforme aponta a LCA Consultores

O mercado segue de olho ainda nas elétricas, após o "socorro" de R$ 12 bilhões para arcar com a conta da forte de estiagem o Brasil. As medidas abrangem a realização no próximo mês de leilão de energia existente, com entrega a partir de maio; autorização para a CCEE contratar financiamento no mercado; repasse de recursos do Tesouro Nacional para as distribuidoras; aumento de tributos; e elevação das tarifas ao consumidor a partir de 2015. E, após as medidas, as elétricas mudaram de direção na bolsa: após abrirem em alta, os papéis operam com perdas. A Light (LIGT3, R$ 16,99, -1,79%) e Energias do Brasil (ENBR3, R$ 8,92, -1,98%) registram uma das maiores perdas do índice. 

Ainda no noticiário econômico nacional, destaque para o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado uma espécie de sinalizador do PIB (Produto Interno Bruto), que avançou 1,26% em janeiro ante dezembro, de acordo com dados dessazonalizados. Analistas consultados pela Reuters esperavam alta de 0,70% na comparação mensal, de acordo com a mediana de 26 projeções. As projeções variaram de 0,45% a 2,30%.

Crimeia e China seguem pressionando 
Por outro lado, o mercado externo pressiona,  com as preocupações sobre a economia chinesa e à proximidade do referendo na Ucrânia. Os investidores seguem de olho no referendo que irá decidir se a Crimeia vai deixar de fazer parte da Ucrânia e será anexada à Rússia. As tensões envolvendo os dois países aumentam a cada dia, já que a Rússia deu início a novos exercícios militares perto da fronteira com a Ucrânia na quinta-feira, mesmo depois que os Estados Unidos fizeram um alerta de que Moscou poderia sofrer sérias sanções caso anexasse a região ao seu país. 

Com isso, as ações asiáticas fecharam o dia com fortes quedas, principalmente para o índice do Japão. O Nikkei, encerrou o pregão com perdas acentuadas de 3,30%, menor patamar no último mês, enquanto na semana, o índice registrou queda de 6,2%, o maior recuo semanal desde junho.

Já as ações na China, encerraram o dia no negativo, mas com perdas menores. O índice de Xangai Composto encerrou o pregão com queda de 0,73%, enquanto o Hang Seng ficou com perda de 1,00%. Na Europa, o dia também é de queda refletindo as incertezas. 

Além disso, nesta sexta-feira dados da Alemanha foram divulgados. Os preços ao consumidor aumentaram 0,5% no mês e no ano acumulam 1,2%, dados acima da expectativa pelo mercado. 

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Fabiano Araujo (14/03/2014 10:45:45) ta difici
(14/03/2014 11:02:59) PETRO: não tem como essa ação se recuperar de maneira consistente este ano. Tudo conspira contra ela: 1) inflação em alta e eleição => sem reajuste de preços ou reajustes aquém do necessário // 2) Tem que importar combustível a dólar de R$ 2,35 e sem repasse nos preços => prejuízo ainda maior nestas operações // 3) Ainda que tenha um EBITDA muito bom, não tem geração de caixa suficiente para fazer frente aos grandes investimentos => ao aumento constante do endividamento // 4) Se o PIB crescer, que maravilha, não? Não. PIB em alta leva a maior demanda e isso inclui combustíveis, que a Petrobras tem que importar => aumenta prejuízo nestas operações // 5) Crise no setor elétrico: a Petrobras fornece gás e diesel para as Termoelétrica que estão sendo ligadas para cobrir o déficit hidrelétrico... e esses combustíveis estão com preços congelados, => aumenta o prejuízo nestas operações. // 6) Mesmo com recordes no pré-sal, a produção cai há mais de 2 anos => será que o pré-sal levará a produção para 4M de barria /dia mesmo em 2019? E sem essa produção em 2019, será que o endividamento é reversível => desconfiança do mercado.
(14/03/2014 11:08:04) Só uma coisa resolve para a PETRO. Se ela tiver liberdade para ajustar os preços segundo as variações de custos. E para isso o (des)Governo precisa fazer a parte dele para controlar a inflação e deixar de tentar controlar somente o índice (IPCA), o que leva a ações intervencionistas e pontuais no mercado (Petrobrás, Elétricas, Transporte)... e depois quem paga a conta mesmo somos nós, ou via impostos indiretos (caso do IPTU em São Paulo) ou diretos (a conta chega atrasada mas muito mais dolorida).
Amorim Thiago (14/03/2014 11:15:23) E tinha gente falando que 44k no ibov era especulação de negativistas anti governo... chupa essa manga aí, estamos rondando a entrada nesse patamar, e bem antes do que eu esperava, o que tá salvando é a precificação das elétricas por causa desse "pacote de ajuda", quero ver quando começarem a precificar o setor industrial... se as pesquisas eleitorais não reverterem, até as eleições vamos rondar os 42 ou 41k fácil...
(14/03/2014 11:25:37) Como fica fácil para o Governo buscar os 12 bilhões de reais de rombo das distribuidoras de Energia. Quem vai pagar este rombo, claro que somos nós, mas por hora debitaram como venda antecipada de energia na PETROBRAS. Os metralhas da equipe econômica do Sr Mantega são muito bons, gostaria de contrata-los para achar uma saída de como pagar menos impostos.
Silvia Ch (14/03/2014 11:34:36) País rico é país sem esPerTeza.
(14/03/2014 11:45:09) se o poste comunista se reeleger, teremos a década perdida na bolsa brasileira...
Jurandir Junior (14/03/2014 12:59:16) Nasdaq e S&P afundaram ontem, hoje Europa está desabando tb. Não se deve ficar apontando até qdo o Ibovespa cai,o + iimportante são as condições macroeconômicas, incluindo o exterior. A recuperação americana é CONTO DE FADAS.