Bolsa americana dá sinais iguais ao do crash de 1929; vem queda forte por aí?

Segundo McClellan, que viu a correlação entre os dois períodos, não há garantia de que o mercado vai continuar seguindo o movimento de 1929, mas entre agora e maio de 2014 há uma série de razões para se ter cautela

Por Felipe Moreno Por Paula Barra
 12 fev, 2014 11h24
PARALELO ASSUSTADOR
(Reprodução MarketWatch)

Felipe Moreno

Paula Barra

SÃO PAULO - Há paralelos misteriosos entre o comportamento do mercado no passado e atual. Nos EUA, vem chamando a atenção a semelhança do movimento entre o mercado agora e o visto antes do crash de 1929. Essa conclusão foi alcançada por Tom McClellan, editor da McClellan Market Report, que vem assombrando Wall Street. Caso a correlação continue, o mercado vai enfrentar um período particularmente conturbado no fim deste mês e início de março. E pode-se imaginar que não será fácil se esquivar debaixo da importância desse gráfico. 

O gráfico foi publicado primeiramente no final de novembro do ano passado, e foi repercutido agora no Market Watch, atualizado, sob o nome de "Paralelo Assustador". O mais assustador talvez é constatar que é a correlação parece ser tão próximo quando daquele período.

"Não há nenhuma garantia de que o mercado vai continuar seguindo cada passo do movimento de 1929, mas entre agora e maio de 2014 há uma série de razões para se ter cautela", disse McClellan. Não apenas até maio: o DJI, que saiu de menos de 200 pontos em 28, chegou a bater 386 em 1929 e depois despencou, voltando aos 40 pontos em 1932. Imagina se o mercado seguir esse movimento. 

Escala não é igual...
Uma das objeções que vem sendo comentadas, no entanto, a respeito da credibilidade do estudo é que as escalas usadas do lado direito e esquerdo do gráfico (visto abaixo) são completamente diferentes. A do lado direito - da linha vermelha -, correspondente ao movimento do Dow Jones entre 1928 e 1929, se estende de cerca de 200 pontos para pouco mais do que 400 pontos - um avanço de mais de 100%. Por sua vez, o lado esquerdo, em contraste, representa um aumento de menos de 50%.  

Além disso, o outro problema é que os períodos analisados não são exatamente iguais. No gráfico da década de 1920 até o início de 1950, a NYSE (New York Stock Exchange) negociava 6 dias por semana. No ano de 1928, por exemplo, a bolsa funcionou por 295 dias. Já em 2012, em contraste, teve negociação em apenas 252 dias.

Parte da diferença é porque a Nyse não funciona mais nos sábados, mas há também a diferença da agenda de feriados por lá. Normalmente, a bolsa funcionava em dias de eleição, Dia de Colombo, aniversários de Washington e Lincoln. Com isso, para ajustar o gráfico foi preciso desconsiderar as negociações nos sábados e em alguns feriados. 

...mas o tempo é
Se a escala do gráfico difere, é válido destacar que a quantidade de pregões não foi distorcido. O movimento, em suma, é o mesmo entre 1928-1929 e 2013-2014 - e não houve nenhuma distorção para fazê-lo ficar mais parecido. "Embora a história do investimento não necessariamente se repita, ela tem rimas", diz Doug Kass, gestor de hedge fund da Seabreeze Partners, uma das pessoas responsáveis pela ampla divulgação desse gráfico.

E ele acredita que a correção pode estar apenas começando - que, certamente, traria pessimismo para todas as bolsas ao redor do mundo. Se muitos riram no momento em que o gráfico foi divulgado pela primeira vez, cada vez mais ele vai parecendo uma piada sem graça para os investidores. 

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