Comprar as piores ações do ano anterior tem sido bom negócio; mas e para 2014?

Segundo relatório do Citi, apesar da história mostrar que a estratégia é lucrativa, ações como PDG e HRT indicam que não é a melhor hora de se arriscar neste trade
Por Paula Barra  
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SÃO PAULO - Comprar as piores ações do ano anterior tem se mostrado um bom negócio na Bovespa. Em 6 dos últimos 10 anos, as ações "contrarian" (as impopulares, que performaram mal) têm trazido melhores resultados do que aplicar naquelas que já estavam indo bem, mostra estudo feito pela Citi Corretora. A performance dos 10 piores papéis do ano anterior foi de 327%, contra 77% daqueles que já demonstravam bom desempenho. Embora a história mostre que ele é vantajoso, será que esse trade daria certo em 2014?

Apesar do bom histórico, a seleção feita pelos analistas do Citi mostra que não é recomendável este tipo de trade. Em 2014, montar essa estratégia significaria investir em ações como PDG (PDGR3, -45%), HRT (HRTP3, -81%) e Marfrig (MRFG3, -53%), em detrimento das maiores ganhadoras de 2013, lideradas por Kroton (KROT3, +70%), Braskem (BRKM5, +60%), TIM (TIMP3, +54%) e Estácio (ESTC3, +50%).  Os analistas da corretora pensam que o clima de mal estar continuará no Brasil na primeira metade do ano, pois os gastos característicos do ano de eleição e as promessas de mais gastos manterão o foco no problema central da economia: um poder público ineficiente, que afasta os investimentos e torna o crescimento mais lento.

Com isso, eles preferem os 40% do mercado de ações brasileiro, que representa os exportadores, as empresas de infraestrutura para exportação, multinacionais e empresas cujos produtos têm seus preços denominados em moeda estrangeira. Eles gostam de nomes, como BRF (BRFS3), Gerdau (GGBR4), Cosan (CSAN3), Klabin (KLBN4), Wilson Sons (WSON33) e Tupy (TUPY3).

Quer seguir a estratégia? Então saiba o que escolher
Entretanto, caso o investidor queira se guiar pela estratégia das ações "contrarian", os analistas sugerem: prefiram as ações do setor de petróleo, varejo e construção, pois estes contam com a melhor probabilidade de uma recuperação nos fundamentos. 

Dito isto, eles comentam que as estratégias "contrarian" podem funcionar melhor conforme aproxima-se do final do ano. Até então, alguns dos problemas atuais (desvalorização do real, gastos ocasionados pela eleição, risco de downgrade do rating do Brasil e desalavancagem dos consumidores) podem levar a "soluções do amanhã" (fortalecimento da balança comercial, austeridade pós-eleição, uma estabilização da perspectiva para os ratings e uma retomada dos gastos com consumo).

E os analistas ainda deixam uma estimativa: em algum momento o maior call de todos deve começar a funcionar, ou seja, uma reversão da preferências dos investidores nos trades dos mercados desenvolvidos versus os emergentes. No momento, os valuations sugerem que o momento será poderoso quando acontecer, provavelmente compensando qualquer aspecto específico do mercado brasileiro. 

Confira a lista das melhores e piores ações de 2013:

As melhores ações* As piores ações*
Empresa Ticker Setor Variação Empresa Ticker Setor Variação
Kroton KROT3 Educação +70% PDG PDGR3 Construção Civil -45%
Braskem BRKM5 Indústria +60% Oi PN OIBR4 Telecomunicação -46%
TIM TIMP3 Telecomunicação +54% LLX Logística LLXL3 Indústria -46%
Estácio ESTC3 Educação +50% Oi ON OIBR3 Telecomunicação -51%
Cielo CIEL3 Cartões +46% Marfrig MRFG3 Consumo -53%
JBS JBSS3 Consumo +46% Rossi RSID3 Construção Civil -55%
Suzano SUZB5 Papel e celulose +34% Brookfield BISA3 Construção Civil -69%
CSN CSNA3 Siderúrgico +33% Eneva ENEV3 Energia -75%
Porto Seguro PSSA3 Financeiro +31% HRT HRTP3 Petróleo -81%
Embraer EMBR3 Indústria +31% MMX Mineração MMXM3 Mineração -84%
*Fonte: Citi, Economática; ações do índice IBrX-100

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