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Natura e Santander caem após resultados; Fleury dispara 9% com rumor de venda

Imobiliárias voltam a ser destaque negativo, após BES revisar recomendações para o setor

Santander
(Toby Melville/Reuters)

SÃO PAULO - Diante da reversão de tendência do Ibovespa, que passou de alta de 0,8% para queda de 1,01% - segundo cotação das 13h53 (horário de Brasília) -, algumas ações têm sido destaques no índice, respondendo aos resultados divulgados antes da abertura do pregão e ao noticiário corporativo.

A Fibria (FIBR3) lidera os ganhos do índice nesta sessão, com valorização de 3,35%, sendo cotadas a R$ 28,73. A maior produtora mundial de celulose branqueada de eucalipto ainda se beneficia do resultado do terceiro trimestre divulgado na última quarta-feira, dia 24. Analistas destacaram o aumento das vendas de celulose, menores custos e redução do endividamento como alguns dos destaques positivos do balanço da companhia. 

A empresa disse, em teleconferência na véspera, que vê cenário positivo para o volume de vendas e preços de celulose no quarto trimestre. "Os volumes de setembro foram significativos e a gente percebe que o quarto trimestre continua nesse movimento de retomada forte da Ásia e demanda significativa dos Estados Unidos", disse Henri Phillipe van Keer, diretor comercial e de logística internacional da empresa.

Natura: mais um resultado, mais uma queda na ação
As ações da Natura (NATU3) registram uma das maiores quedas do Ibovespa, impactadas pela divulgação do resultado do terceiro trimestre. Os papéis da empresa registravam queda de 2,86% nesta tarde, cotados a R$ 45,85, após chegarem a cair mais de 3% nos minutos iniciais do pregão.

A empresa encerrou o trimestre com lucro líquido de R$ 183,7 milhões, queda de 22,6% em relação a um ano antes. O resultado foi afetado pela marcação a mercado de derivativos utilizados para proteger a dívida em moeda estrangeira da empresa. Se não fosse isso, o lucro líquido do período teria crescido 4,5%. A Natura elevou seu guidance de Capex para 2013 de R$ 450 milhões para R$ 550 milhões.

Os números da empresa foram fracos na visão do Credit Suisse, Planner Corretora e XP Investimentos. Os principais destaques negativos apontados pelos analistas foram menor desempenho das vendas e margens mais pressionadas. A companhia, no entanto, reforçou que acredita que os investimentos realizados até o momento, sobretudo com marketing, devem contribuir para um resultado mais favorável no último trimestre do ano. 

Para os analistas da XP, o ambiente competitivo no Brasil gerou maiores despesas, o que acabou acarretando menores margens operacionais para a companhia. Fora isso, no mercado doméstico, a empresa não conseguiu nem repassar a inflação do período. Diante dos dados e dos múltiplos "extremamente" elevados que os papéis da empresa estão sendo negociados, com P/L (Preço por ação sobre o Lucro) de 20 vezes, os analistas mantêm ceticismo em relação à empresa e uma visão negativa. "O único problema de abrir posição short é a dificuldade em encontrar doadores", comentou. O Credit Suisse também vê potencial de alta reduzido para as ações. 

Santander em queda
Outra que está em queda após o balanço é o Santander Brasil (SANB11), que vê suas units recuarem 2,09%, a R$ 15,00. A instituição financeira encerrou o terceiro trimestre com queda de 6,8% no lucro líquido gerencial sobre um ano antes, apesar de reduzir provisões para perdas com crédito e elevar receitas com prestações de serviços.

Para a Planner Corretora, o resultado espelhou o cenário de curto prazo para os grandes bancos, com margem financeira mais contida (+1,1% no trimestre para R$ 7,52 bilhões pela redução do spread da carteira de crédito e mudança de mix), queda de 15,7% da provisões para devedores duvidosos para R$ 2,7 bilhões no trimestre e evolução das despesas gerais abaixo da inflação. Enquanto a Planner atribuiu viés neutro para o balanço, a XP Investimentos acredita que foi marginalmente positivo.

Já o Credit Suisse acredita que verá mais uma sequência de forte evolução nos ativos do banco e consequente queda nas provisões em termos absolutos. "Acreditamos que menores provisões em 2014, contra 2013, juntamente com menores despesas, irão contribuir para crescimento robusto da instituição no próximo ano (estimado em 40%), o maior no nosso universo de cobertura", disseram os analistas Marcelo Telles, Daniel Sasson, Victor Schabbel e Alonso García, do banco.

Rossi e Gafisa caem pelo 2° dia
As ações da Rossi (RSID3) e Gafisa (GFSA3) estendem a queda da véspera e registram nesta sessão desvalorizações de 3,23% e 5,74%, respectivamente, sendo cotadas a R$ 3,00 e R$ 3,12. Na véspera, o Banco Espírito Santo reduziu a recomendação da Gafisa, de neutro para venda. A expectativa dos analistas é que, após a venda da Alphaville, a empresa não deve gerar ROE (Retorno sobre o patrimônio). 

Fleury sobe 9% com rumor de venda
Fora do Ibovespa, as ações da Fleury (FLRY3) disparam 8,82%, sendo cotadas a R$ 18,50 - próximo a máxima do dia de alta de 8,88%, a R$ 18,51. O volume financeiro alcança R$ 17,5 milhões, bem acima da média diária dos últimos 21 pregões, de R$ 7,326 milhões. 

O desempenho do papel deve-se, principalmente, a rumores de que a empresa teria contratado o JPMorgan para procurar um comprador. Segundo a revista Exame, o processo é restrito a um pequeno grupo de potenciais interessados, com destaque para fundos de private equity dispostos a fechar o capital da empresa.

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