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LLX lidera altas, Ambev perdas e Embraer volta a subir forte; veja destaques

PDG Realty volta a ser destaque de alta entre as imobiliárias; após compra da NYSE Euronext pela ICE, Cetip sobe e BM&FBovespa recua

LLX 02 Pátio de filtragem
(Divulgação LLX)

SÃO PAULO - Depois de passar praticamente toda a sessão desta quinta-feira (20) no negativo, o Ibovespa ganhou forças no final do pregão e fechou com alta de 0,46%, aos 61.276 pontos - renovando a máxima desde 24 de setembro. Puxando esse movimento, destaque para as ações da LLX Logística (LLXL3), que subiram 5,43%, para R$ 2,33. No outro extremo, os papéis da Ambev (AMBV4) lideraram as perdas com queda de 2,86%, terminando a R$ 86,85.

A empresa de logística de Eike Batista subiu embalada no anúncio sobre o acordo com a V&M do Brasil para instalação de uma base logística na retroárea do Superporto de Açu. Na máxima do dia, as ações atingiram alta de 9,05%, aos R$ 2,41. "É um contrato importante, pois traz credibilidade para o mercado sobre os projetos da empresa", disse o analista Henri Evrard, da Infinity Asset.

O acordo terá a duração de 20 anos, sendo renováveis por mais vinte. A base da V&M do Brasil será destinada ao atendimento das companhias de petróleo que atuam na Bacia de Campos, através da armazenagem e fornecimento de tubos e serviços especializados. Segundo o analista, a LLX está muito relacionada com outras empresas do Grupo EBX e qualquer contrato com outros players do mercado traz mais confiança para os investidores. 

Compra da NYSE Euronext pela ICE impulsiona Cetip e derruba BM&FBovespa
compra da NYSE Euronext pela ICE (Intercontinental Exchange), que deve criar o maior grupo de bolsas do mundo, impactou duas ações listadas no Brasil. As ações da BM&FBovespa (BVMF3) recuaram 2,31%, aos R$ 13,97, enquanto os ativos da Cetip (CTIP3) registraram alta de 4,51%, aos R$ 25,50.  

No momento, a Cetip é a principal concorrente da CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia), uma subsidiária da BM&FBovespa, nos serviços de custódia e liquidação. "E se a nova bolsa decidir entrar no Brasil, deve usar os serviços da própria Cetip", afirma Clodoir Vieira, economista-chefe da Souza Barros.

NYSE já demonstrou interesse em abrir bolsa no Brasil. E pior: agora a NYSE conta com a ICE, que é a maior acionista individual da Cetip, com 12,3% do capital da brasileira - segundo dados da BM&FBovespa referentes ao dia 22 de outubro. 

A perspectiva é que as empresas tenham maior "know-how" através das sinergias da NYSE, ICE e a própria Cetip, na instalação de uma bolsa de valores no Brasil, seja para commodities - especialidade da ICE -, seja para o mercado acionário - no qual a NYSE é a maior do mundo. "E certamente ela irá usar os serviços da sua parceira", destaca. 

Se isso cria valor para o acionista da Cetip, ela potencialmente pode deteriorar as margens da BM&FBovespa - já que a concorrência derruba os preços cobrados por ela. "É essa expectativa que move as ações nessa sessão, já que a BM&FBovespa teria uma forte concorrente", finaliza Vieira.

Ambev lidera perdas com questão de impostos
A empresa brasileira de maior valor de mercado, a Ambev (AMBV4) viu suas ações recuarem nessa sessão. Os papéis AMBV3, menos líquidos, tiveram perdas de 2,94%, aos R$ 84,64. A empresa foi penalizada pela perspectiva de que novos impostos, em janeiro, prejudicarão a rentabilidade da empresa em 2013, destacou Luiz Gustavo Pereira, estrategista da Futura Coretora. 

Normalmente, a companhia tende a elevar o preço de seus produtos para  - mas não o pode fazer de maneira significativa sem perder demanda. "Quando os detalhes forem públicos, o mercado vai calcular para ver se pode ser passado para o consumidor, mas em primeira instância isso é uma notícia negativa para a empresa de bebidas", destaca o estrategista. 

PDG sobe com perspectiva positiva
As perspectivas mais positivas em relação a PDG Realty (PDGR3) ajudaram a empresa a subir 4,28%, terminando aos R$ 3,41 - um movimento que começou após. Para Pereira, isso é efeito de um relatório do JPMorgan publicado nos últimos dias, que mostra um cenário mais positivo. "O relatório fica chamando a atenção para a possibilidade de um turnaround", destaca o estrategista. 

Depois de um ano complicado, com constantes brigas entre os acionistas controladores que prejudicaram a empresa e fizeram as ações, a companhia já alterou parte da diretoria - agora pode voltar a recuperar a rentabilidade que fora perdida no ano passado. "O mercado acredita que talvez o pior já passou e se posiciona para aproveitar disso", finaliza.

Embraer venda dois jatos por US$ 81 milhões; ações sobem
A japonesa Fuji Dream Airlines assinou um contrato para dois jatos EMBRAER 175, segundo comunicado. O valor total do negócio é de US$ 81,6 milhões, que será incluído na carteira de pedidos a serem entregues do quarto trimestre deste ano da Embraer (EMBR3). 

Com essa notícia, os papéis da Embraer subiram 3,24%, terminando aos R$ 14,35. "Isso é bastante positivo, até por entrar na carteira de pedidos do quarto trimestre, acredito que seja isso que impulsionou o papel hoje", destaca Pereira.

A companhia teve uma semana movimentada em termos de contratos: além do de hoje firmou um com a Boeing para desenvolver tecnologias anti-acidentes e um com a FAB. O estrategista acredita que, por conta disso, os papéis da companhia teve uma boa semana: até o fechamento desta quinta, alta de 12,79%

Estímulos mexem com economia
Na véspera, o ministro da Fazenda Guido Mantega anunciou estímulos bilionários à indústria e ao setor de comércio, mas não há nenhuma reação a elas no mercado acionário. O ministro anunciou a extensão do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) reduzido para automóveis, eletrodomésticos, linha branca e móveis. Mas, diferente das últimas vezes, o benefício que terminaria neste ano agora sofrerá um aumento gradual em 2013.

A renúncia fiscal nesses segmentos será de R$ 2,6 bilhões para o setor automotivo, de R$ 550 milhões na linha branca e R$ 650 milhões nos móveis. Além disso, em abril haverá uma desoneração na folha de pagamento do comércio varejista. “Nós vamos integrar mais setores interessados, e com isso a desoneração da folha vai se generalizanda”, disse o ministro, na véspera.

E é justamente essa falta de surpresas com as medidas que faz com que as ações não respondam em bolsa. "O anúncio não trouxe novidades, o mercado já estava esperando essas medidas", diz Clodoir Vieira, analista-chefe da Souza Barros. O ministro já havia anunciado a desoneração para setores da indústria e, no fim de novembro, ele declarou à Folha de S. Paulo que iria incluir novos setores na desoneração. Na época, ele já reforçava que em algum momento esse benefício será pleno para a economia.

Entre as ações que poderiam ser beneficiadas estão as de empresas como Weg (WEGE3, 0,00%, R$ 27,50), que produz motores para eletrodomésticos, Usiminas (USIM3+3,75%, R$ 13,82; USIM5+0,79%, R$ 12,74), Duratex (DTEX3-1,07%, R$ 14,75) e Eucatex (EUCA40,00%, R$ 8,00), que fornecem matéria-prima para a linha branca, B2W (BTOW3,+0,28%, R$ 17,87), Lojas Americanas (LAME4, -0,71%, R$ 18,25) e Magazine Luiza (MGLU3+2,58%, R$ 12,33), que vendem eletrodomésticos, além daquelas do setor de varejo.

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