Morgan corta recomendação de Vale e MMX, prevendo menor preço do minério

Acabou a era de altos retornos das mineradoras, acredita o banco; preço baixo da commodity e alto capex pressionarão margens
Por Tatiana Fernandes Gurjão  
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SÃO PAULO - O Morgan Stanley rebaixou a recomendação dada às ações da Vale (VALE5; VALE3) e da MMX Mineração (MMXM3), projetando que haverá crescente estoque de aço em 2014, reduzindo, assim, a demanda por minério de ferro. "Isso somado ao aumento com capex (investimentos em bens de capital) - que será 60% maior do que há cinco anos - vão impulsionar a queda do ROE (Retorno sobre Patrimônio)", escreveram os analistas Carlos de Alba e Alfonso Salazar.

Os papéis da Vale foram rebaixados de overweight (performance acima da média do mercado) para equal weight (em linha com o mercado). Já a MMX passou de equal weight para underweight (performance abaixo da média do mercado).

Fim da era de alto retorno
O período de retornos elevados com a commodity terminou, conforme previsão do Morgan."O crescimento mais baixo da China diminuirá consideravelmente a demanda por minério e, assim, os preços do minério vão declinar mais rápido do que imaginávamos", avaliam Alba e Salazar.

De acordo com a expectativa do banco, o preço do minério ficará em torno de US$120 a tonelada - ante US$133 da estimativa antecedente - e os gastos com novos projetos aumentará 60% em cinco anos.

O Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) também será reduzido, por conta dos preços mais baixos para a matéria prima e também pelo custo inflacionário. Já o ebtida da MMX deverá cair 42% neste ano - de R$ 193 milhões para R$ 111 milhões. Para o ano que vem, a equipe cortou a projeção em 30% - de R$ 750 milhões para R$ 529 milhões, refletindo a desvalorização de 12% da commodity. 

Confira a nova projeção para o preço do minério de ferro:

Projeções para o preço do minério de ferro por tonelada
2012 2013 2014 2015 2016 2017
US$ 132 US$ 120
US$ 118
US$ 115
US$ 110
US$ 100

Alto gasto com investimento
O gasto com Capex contribuirá bastante para reduzir as margens das mineradoras, avalia o Morgan. Dado os altos custos com folha de pagamento e os gastos com logística, o capital direcionado para investimento pode se tornar um problema. "Alguns projetos de mineradoras poderão até ter ROE abaixo do que foi injetado", acrescentaram.

Vide os projetos inteiramente novos que a Vale têm investido, o capex da mineradora cresceu 750% desde 2005, passando de US$ 20 a tonelada para US$ 135 a tonelada, neste ano.Segundo a projeção dos analistas, o ROE da Vale cairá de 40%, na última década, para 13,4%, durante o período de 2013 a 2017.

Sobre a MMX, eles citam o alto custo da operação na mina Serra Azul, que ainda é visto apenas como um projeto em expansão. O financiamento de R$ 4,8 bilhões da empreitada, conforme os analistas, é de alto risco para a empresa, o que a deixa como não atraente no momento.

Menores dividendos da Vale
Com a redução das margens, o Morgan Stanley espera que os dividendos também sejam afetados e caiam em cerca de 3,5%, desalinahado ao preço das ações, dizem os analistas. O montante direcionado para repasse aos acionistas deverá ficar em R$ 5 bilhões nos próximos dois anos. 

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