El-Erian: IPO do Facebook ressalta importância do mercado acionário

CEO da Pimco acredita que mercados são importantes para a manutenção do empreendedorismo, afirmou em artigo publicado na CNBC
Por Felipe Moreno  
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SÃO PAULO - O sucesso das empresas norte-americanas não foi por acaso. O mercado de capitais possui grande efeito sobre diversas decisões que ajudam o desempenho dessas companhias no longo prazo. Para Mohamed El-Erian, CEO (chief executive officer) e co-oficial de gestão da Pimco, uma das maiores gestoras do mundo, o recente IPO (Initial Public Offering) do Facebook ressalta essa importância.

Enquanto Bill Gross, fundador da gestora, chamou a atenção para o fim do culto ao mercado acionário, El-Erian destacou a importância dele em artigo publicado na CNBC. "Sem saber, Mark Zuckerberg nos lembrou a importância que os mercados possuem na complexa economia global", avalia o egípcio. 

Ele chama a atenção para os dois benefícios inerentes de uma abertura de capital: as companhias podem levantar dinheiro sem criar dívidas, além de servir como um mecanismo de monetização para os fundadores - estimulando o empreenderorismo. "Mas os mercados fazem muito mais do que isso. Eles funcionam para dar choques de realidade, dando informações críticas para os empreendedores para que se mantenha o nível de inovação e sucesso", afirma.

Mercado não é grupo secreto
O caso do Facebook é ótimo para ilustrar. Antes do IPO, não havia limites para o que El-Erian chama de "mística" do Facebook. "A companhia foi o tipo de rompimento raro no mercado. Para muitos, o Facebook não poderia dar errado", diz. A companhia atingia objetivos que eles não sabiam que existiam e, sozinha, descobriu os limites da rede social, criando um fenômeno que todos queriam fazer parte ao redor do mundo. 

"Com essa aura maravilhosa, seria desculpável a direção do Facebook ficar confiante demais, e até mesmo displicente", afirma. Com a falta de informações, poucos poderiam questionar se realmente esse era o caso. Para El-Erian, isso só mudou com o IPO. Derepente, centenas de analistas, investidores e observadores estavam dissecando cada informação da companhia, cada fala de Zuckerberg. 

"A mística foi substituída pela realidade brutal das recomendações negativas e cortes", avalia o gestor. As ações passaram de "super-quentes", por terem atraído muitos investidores que não suspeitaram de nada, para um problema. Derepente, a companhia perdeu credibilidade, trazendo uma espécie de moral baixa para os trabalhadores do Facebook. Isso fez com que o controlador precisasse fazer um discurso aos funcionários

"Ironicamente, isso pode ser bom para a companhia no longo prazo", salienta El-Erian, falando que cada companhia de sucesso precisa desse tipo de choque de realidade, que corrige o curso das operações. Caso consiga se recuperar do baque sofrido, a companhia deve mandar uma mensagem aos políticos que adorariam controlar os mercados, afirma o egípcio.

"Mercados sempre terão um papel fundamental no empreendedorismo e disciplina essenciais para manter o empreendedorismo e disciplinas essenciais para o sucesso dos Estados Unidos", finaliza El-Erian. Se o culto ao mercado está morrendo, o que dizer da utilidade do próprio? Para o gestor, ainda há muito chão pela frente. 

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