SÃO PAULO - As taxas dos principais contratos de juros futuros voltaram a fechar em queda nesta terça-feira (7), na BM&F. O mercado segue repercutindo as expectativas de novos recuos da Selic, que pode chegar a 9,5% ao ano ainda no primeiro semestre de 2012, além de repercutir o desdobramento das negociações da dívida da Grécia.
De acordo com a equipe da LCA Consultores, a melhora do ambiente externo e dispersão de expectativas de inflação não parecem suficientes para levar o BC a interromper o ciclo de cortes da taxa básica de juro no curto prazo. Segundo a equipe, o Banco Central tem reforçado as sinalizações de reduzir a taxa para “patamares de um dígito”, em função dos riscos ainda relevantes que pairam na conjuntura global, da perspectiva de aperto das condições fiscais domésticas e da disposição das autoridades de reduzir a influência da taxa de juros na evolução do câmbio e da dívida pública.
Na manhã dessa terça-feira, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou a Pesquisa Industrial Mensal Produção Física - Regional que apontou que a produção cresceu em nove dos quatorze locais pesquisados, com seis deles registrando taxas acima da média nacional, que foi de 0,3%, durante o ano de 2011. Entre eles estão Paraná (7,0%), Espírito Santo (6,8%), Goiás (6,2%), Amazonas (4,0%), Pará (2,7%) e Rio Grande do Sul (2,0%).
"Na análise trimestral, observa-se que o setor industrial, ao recuar 2,0% no quarto trimestre de 2011, prosseguiu com a trajetória descendente iniciada no primeiro trimestre de 2010 (18,2%). No último trimestre de 2011, o total da indústria mostrou o primeiro resultado negativo desde o terceiro trimestre de 2009 (8,2%)", revela o IBGE.
Cenário internacional
Já na cena externa, o mercado observa os desdobramentos da crise na Grécia, que enfrenta uma greve geral nesta terça-feira contra as novas medidas de austeridade indispensáveis para o recebimento do segundo pacote de resgate ao país. O primeiro-ministro grego, Lucas Papademos, reunirá-se nesta noite com líderes políticos na tentativa de um consenso sobre as condições impostas pelos credores internacionais para a liberação da assistência financeira de € 130 bilhões.
Ainda no início da tarde dessa terça-feira, uma fonte do governo da Grécia afirmou que há uma versão final do acordo que garante a liberação de um pacote de empréstimos da União Europeia e do FMI (Fundo Monetário Internacional) ao país. "O governo grego está trabalhando no documento final que será discutido pelos líderes políticos mais tarde", afirmou a fonte.
Contrato de janeiro de 2014 fechou com taxa de 9,94%
O contrato de juros de maior liquidez nesta terça-feira, com vencimento em janeiro de 2014, registrou uma taxa de 9,94%, 0,04 ponto percentual abaixo do fechamento de segunda-feira.
Outros contratos que fecharam com bom volume negociado foram o com vencimento em janeiro de 2013, que registrou taxa de 9,45% e o de julho de 2012, com taxa de 9,70%. No fechamento de segunda-feira, as taxas apontadas por estes contratos eram 9,49% e 9,71%, respectivamente.
A seguir confira o fechamento das taxas dos principais contratos de juros futuros na BM&F:
| Vencimento | Taxa atual | Taxa anter | Diferença | Contr Neg |
|---|
| Março de 2012 | 10,33 | 10,33 | 0,00 | 57.571 |
| Abril de 2012 | 10,11 | 10,12 | -0,01 | 11.315 |
| Maio de 2012 | 9,95 | 9,96 | -0,01 | 5.100 |
| Junho de 2012 | 9,81 | 9,83 | -0,02 | 5.900 |
| Julho de 2012 | 9,70 | 9,71 | -0,01 | 92.533 |
| Outubro de 2012 | 9,51 | 9,55 | -0,04 | 6.286 |
| Janeiro de 2013 | 9,45 | 9,49 | -0,04 | 195.888 |
| Abril de 2013 | 9,51 | 9,55 | -0,04 | 4.979 |
| Julho de 2013 | 9,64 | 9,68 | -0,04 | 17.730 |
| Outubro de 2013 | 9,83 | 9,83 | 0,00 | 800 |
| Janeiro de 2014 | 9,94 | 9,98 | -0,04 | 258.630 |
| Abril de 2014 | 10,09 | 10,13 | -0,04 | 5.100 |
| Julho de 2014 | 10,25 | 10,28 | -0,03 | 2.335 |
| Outubro de 2014 | 10,36 | 10,39 | -0,03 | 50 |