Por Paula Barra Em itauunibanco  02 fev, 2016 14h19 - Atualizada em 18h55

O que veio de tão ruim no balanço do Itaú que o Bradesco não mostrou?

Banco revisou hoje projeções para 2016, indicando contração de 20% no seu lucro por ação, diz BTG; ação teve pior dia na Bolsa desde agosto de 2011

Por Paula Barra Em itauunibanco  02 fev, 2016 18h55

SÃO PAULO - Normalmente uma das grandes estrelas da temporada de balanços, o Itaú Unibanco (ITUB4), desta vez, decepcionou: perspectivas piores para este ano levaram a ação do banco para a maior queda desde 8 de agosto de 2011, quando encerrou o pregão com baixa de 9,72%. Hoje, os papéis do Itaú caíram 8,71%, para R$ 23,25, no menor patamar do dia. Seus concorrentes Bradesco (BBDC3, R$ 19,00, -4,08%; BBDC4, R$ 17,85, -4,03%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 13,39, -7,48%) e Santander (SANB11, R$ 12,48, -5,81%) tiveram quedas mais amenas nesta sessão.  

Independentemente do lucro recorde registrado no ano passado (de R$ 23,35 bilhões, ou 15,4% maior do que em 2014), o banco sofre com uma projeção nebulosa pela frente, de um salto de 40% na provisão para calotes e possível retração no crédito neste ano.

Dentre os inúmeros relatórios divulgados analisando os números do banco, uma das questões que consegue definir o sentimento do mercado hoje é uma que abre o comentário do BTG Pactual: "Muito pessimista ou apenas realista?". Isso porque, pelo 'guidance' (projeções) revisado para 2016, o banco indica uma contração de cerca de 20% no seu lucro por ação, comenta o BTG.

Um futuro que pressiona mais do que o próprio balanço do 4° trimestre: apesar de ter sido afetado por uma piora na qualidade dos ativos, aumento da inadimplência e diminuição da margem financeira, o banco conseguiu entregar um resultado sólido, defendem os analistas da XP Investimentos, Bradesco BBI e Votorantim CorretoraOs números não foram muito diferentes do seu concorrente Bradesco, que divulgou balanço no dia 28 de janeiro, também com aumento de provisão contra calotes e inadimplência, mas, no entanto, teve uma reação completamente oposta na Bolsa: com leve alta de 0,17% naquele dia, enquanto Itaú subiu 0,68%. 

A questão não ficou tanto com 2015, mas com o que será 2016 para o banco. Isto é, "será que o Itaú revisou seu guidance por que quer surpreender positivamente o mercado ou por que acredita que o cenário realmente pode piorar?", questiona o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Placido. Essa perspectiva para este ano que fez o Itaú ter uma reação tão distinta do Bradesco após o balanço, não o resultado deste ano em si, complementa. O Bradesco chamou bastante atenção na parte de seguros ano passado, que representa 30% do resultado, já o Itaú não cresceu tanto nesse segmento, mas se destacou positivamente na receita de serviços, mas que agora teve sua projeção revisada para baixo para 2016. 

Se o Itaú quer surpreender positivamente o mercado ou não, isso é impossível de responder agora, mas uma coisa é certo: o mercado não quer "pagar para ver". "Preocupações com qualidade de ativos, transferência de empréstimos ruins e alta no guidance das provisões minaram com o sentimento do mercado", disseram analistas do UBS.  

Nesta manhã, o Itaú disse que prevê uma despesa líquida de provisão contra calotes entre R$ 22 bilhões e R$ 25 bilhões neste ano, um aumento de 21,5% a 38,1% em relação a 2015, quando as provisões somaram R$ 18,1 bilhões, pouco acima do projetado para o banco. A receita de serviços - um dos destaques positivos deste balanço - e serviços, por sua vez, deve desacelerar em 2016: indo para um aumento entre 6% e 9%, após avanço de 9,9% ano passado. 

Neste ano, o Itaú teve um aumento de 15,4% do lucro, somando R$ 23,35 bilhões, o maior lucro da história entre os bancos brasileiros de capital aberto em valores nominais. O recorde anterior também era do Itaú, quando totalizou um resultado positivo de R$ 20,24 bilhões em 2014. No quarto trimestre do ano passado, o lucro somou R$ 5,698 bilhões, com baixa de 4,15% em relação ao terceiro trimestre, mas alta de 3,2% se comparado aos últimos três meses de 2014.

Juntamente com o balanço, o banco anunciou ainda recompra de até 10 milhões de ações ordinárias e 50 milhões de preferenciais, equivalentes a 3,47% das ordinárias e aproximadamente 1,66% das preferenciais em circulação com data-base em 31 de dezembro de 2015, segundo comunicado. A recompra começa amanhã e termina em agosto de 2017. O banco ainda anunciou dividendo complementar de R$ 0,1980 por ação e JCP complementar de R$ 0,4564, com efeito líquido pós Imposto de Renda de R$ 0,38794.

Itaú

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