SÃO PAULO – Após terminar 2011 com baixa de 18,11% e ser o único desempenho negativo entre as seis modalidades de investimento acompanhadas pela InfoMoney, o Ibovespa liderou com folga o ranking de janeiro. O índice avançou 11,13% no mês e atingiu o melhor desempenho dos últimos seis anos.
Além da política de afrouxo monetário adotada pelo governo brasileiro, o índice foi impulsionado pelos patamares atrativos de preço dos papéis e um cenário externo menos preocupante neste início do ano. “Os fundamentos do Brasil se mantêm fortes apesar da crise. A atratividade do país está baseada em sua habilidade econômica de contornar choques, fundamentada na força de seu sistema financeiro e de sua baixa dependência da economia global”, afirma a equipe de análise do Bradesco, que projeta o índice em 69 mil pontos ao final do ano.
O dólar, medido pela taxa Ptax, obteve o pior desempenho do primeiro mês do ano, com baixa de 7,53%. O desempenho foi proporcional à melhora de humor no mercado de renda variável, que diminui a atratividade de opções mais conservadoras, como a divisa norte-americana.
O ouro, melhor investimento do ano anterior, perdeu atratividade com o ganho de confiança do mercado e acumulou baixa de 0,87%, considerando a variação real - ou seja, descontada a inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado). Com isso, a commodity segue a trajetória de desvalorização apresentada desde o mês anterior, quando recuou 6,47%.
Na renda fixa, os CDBs pré-fixados de trinta dias, que acumularam retorno de 0,57%, foram seguidos de perto pelo CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que marcou alta de 0,60% em janeiro.
A caderneta de poupança teve uma queda de rentabilidade no período, desfavorecida pela leve inflação. A aplicação mostrou ganhos de 0,34%, contra 0,72% em dezembro.
| Investimento | Janeiro | Real* | Dezembro | Real** |
| Ibovespa | +11,13% | +10,85% | -0,21% | -0,09% |
| CDI*** | +0,85% | +0,60% | +0,87% | +0,99% |
| CDB **** | +0,82% | +0,57% | +0,85% | +0,97% |
| Poupança | +0,59% | +0,34% | +0,59% | +0,72% |
| Ouro | -0,62% | -0,87% | -6,58% | -6,47% |
| Dólar Ptax | -7,30% | -7,53% | +3,58% | +3,70% |
| IGP-M | +0,25% | - | -0,12% | - |
* Deduzida a variação do IGP-M que ficou em +0,25% em janeiro de 2012
** Deduzida a variação do IGP-M que ficou em -0,12% em dezembro de 2011
*** Taxa Efetiva Andima
**** Taxa pré 30 dias
Zona do Euro: empenho pela recuperação do bloco
Na Europa, aos poucos, a percepção é de um cenário de mais tranquilidade e de resoluções, ao menos entre as principais autoridades da região. Angela Merkel, chanceler alemã, e Nicolas Sarkozy, presidente francês, reiteraram que nenhum país deverá deixar a Zona do Euro. Por sua vez, Mario Draghi, presidente do BCE (Banco Central Europeu), lembrou que um pacto de integração fiscal precisa ser assinado o quanto antes. A instituição continua a tentar conter a alta dos rendimentos públicos europeus, comprando títulos dos governos da Itália e da Espanha, por exemplo.
Já o FMI (Fundo Monetário Internacional) confirmou que pretende aumentar em US$ 500 bilhões os recursos para enfrentar a crise que abala a Zona do Euro, enquanto a Troika (entidade internacional formada pela União Europeia, FMI e o BCE) aprovou a liberação de mais uma parcela do pacote de resgate à Irlanda. Perto do final do mês, os governos da União Europeia estabeleceram regras mais duras para os déficits orçamentários no acordo que será assinado pelos membros do bloco, com exceção do Reino Unido.
Ainda assim, tanto o Banco Mundial quanto o FMI reduziram suas perspectivas para o PIB (Produto Interno Bruto) da Zona do Euro e para economia global. A OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) alertou que as principais economias do mundo já crescem em ritmo menor.
Apesar da venda de títulos a juros menores na região, a agência Standard & Poor's citou o aperto nas condições de crédito e o aumento nos prêmios de risco para um número crescente de emissões de papéis públicos e cortou o rating do EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira), após ter rebaixado os ratings de nove países da Zona do Euro. Na contramão, a agência Moody's reiterou o rating máximo para a França e o país não teve problemas em vender os títulos do governo.
Estados Unidos crescem em ritmo moderado
Nos Estados Unidos, a economia ainda cresce devagar, mas já se afasta do risco de recessão. Segundo a ata da última reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), o país está se recuperando em um ritmo moderado, embora a situação europeia possa trazer uma piora desse quadro.
Assim, as condições econômicas melhoraram nos últimos meses, embora preços e salários continuem rondando a "estabilidade", revelou o Livro Bege. Vale lembrar que o Relatório de Emprego norte-americano superou a criação de vagas esperada para o período.
Após o término da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) foi anunciado que o juro do país se manterá baixo até o final de 2014, embora essa conclusão não seja unânime entre os membros do grupo. O Fed reiterou a perspectiva de uma expansão moderada e, pela primeira vez, fixou uma meta de inflação de longo prazo para o país em 2%. Além disso, Ben Bernanke, presidente da instituição, não descartou a possibilidade de um novo Quantative Easing caso perceba que o mercado de trabalho não dá sinais de melhora.
Brasil segue afrouxo monetário
Por aqui, o Banco Central deu continuidade à política de afrouxamento monetário, ainda preocupado com os efeitos da desaceleração das economias desenvolvidas sobre o consumo local. Assim, o Copom (Comitê de Política Monetária) optou por um corte de 50 pontos-base na Selic, que agora está em 10,50% ao ano - um movimento amplamente esperado.
Na ata da última reunião, o comitê ainda aumentou os indícios de que a taxa básica de juros pode ser inferior a 10% neste ano. O FMI já havia pedido por uma maior flexibilidade monetária em economias emergentes do G-20.
Com juros mais baixos desde o segundo semestre do ano anterior, a Nota de Política Monetária e Operações de Crédito divulgada pelo Banco Central apontou crescimento de 19% no volume de crédito concedido em 2011, pouco abaixo da expansão de 20,6% em 2010. Apesar do crédito amplo, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) encerrou 2011 dentro do teto da meta, de 6,50%
Por fim, o Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) economizou R$ 93,519 bilhões para pagar os juros da dívida pública do último ano, bateu a meta e quebrou o recorde da série histórica. Já o Tesouro Nacional emitiu 10,9 milhões de títulos, equivalentes a R$ 9.999 bilhões, para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A venda de títulos de dívida no valor de US$ 850 milhões, a juros historicamente baixos, reforçou a entrada de novos recursos no País.
China traz sinais divergentes
O aumento inesperado do superávit comercial da China em dezembro trouxe bons ares ao mercado, elevando a possibilidade de que o país possa dar uma guinada na sua política monetária. A notícia, entretantoo, contrastou com a divulgação de que as reservas internacionais chinesas terminaram 2011 no menor nível desde março.
O PIB (Produto Interno Bruto) do país avançou 9,2% durante 2011, superando as expectativas em torno de 8,6% e 8,7%. Contudo, o China Manufacturing PMI (Product Manager Index), que mostra a produção industrial do país, registrou 48,8 pontos no primeiro mês de 2012, seu maior patamar em três meses, embora continue a mostrar retração.
Pontas do Ibovespa
As ações da Hering (HGTX3) fecharam o mês de janeiro como a maior alta do Ibovespa, com ganhos de 29,39%, cotadas a R$ 42,00. Segundo a analista Sandra Peres, da CoinValores, com as várias notícias em relação ao desaquecimento do consumo, o mercado previa resultados ruins para a companhia. Essa expectativa, no entanto, foi desmontada com a prévia divulgada no começo do mês. A receita bruta da Hering cresceu 22,6% no quarto trimestre de 2011, considerando o mesmo período do ano anterior. Já as vendas da rede Hering Store aumentaram 25,5% na mesma base de comparação.
As ações ordinárias da Telemar (TNLP3) fecharam o mês de janeiro como a maior queda do Ibovespa, ao registrarem desvalorização de 7,22%, cotadas a R$ 19,91. “As indefinições sobre a reestruturação societária da empresa pesaram no desempenho dos papéis neste mês, além dos rumores de uma possível capitalização após esse processo de reestruturação”, disse o analista Luiz Gustavo Pereira, da equipe de análise da UM Investimentos.