SÃO PAULO – O elevado nível de incerteza sobre a economia global, por conta da crise financeira da zona do euro, deve continuar impactando os investimentos de renda fixa em 2012, na opinião da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
“A capacidade financeira e política de rolar as dívidas soberanas da região em 2012 definirá o ambiente de negócios e a percepção de risco dos investidores”, afirma a entidade, na edição de janeiro da publicação “Panorama”. “Os mercados domésticos iniciam o ano com postura conservadora, à espera da definição do quadro internacional”, continua o texto.
A Anbima também aponta o risco de que o ciclo de queda de juros, iniciado em agosto do ano passado, seja interrompido ou até mesmo revertido em meados do ano, com o objetivo de trazer a inflação para o centro da meta em 2013. Mas ressalta que este impacto deve ser menos sentido.
“A percepção predominante é que a crise externa influirá mais na definição das estratégias do segmento do que o processo em curso de queda da Selic (taxa básica de juro), especialmente no primeiro trimestre do ano”, diz a Anbima.
Renda fixa em 2011
Segundo a Anbima, em 2011, a elevação da volatilidade dos principais indicadores “comprometeu a percepção dos agentes quanto à trajetória da inflação e dos juros e levou a movimentos atípicos no preço dos ativos no período”.
A entidade aponta que o rendimento dos títulos públicos indexados ao IPCA (NTN-B) no ano passado ilustra esse quadro. “O desempenho da carteira de títulos mais longos (acima de cinco anos) foi inferior ao da carteira de títulos mais curtos, o que não acontecia desde 2008, momento marcado pela crise externa e por um quadro de ruptura e extrema incerteza”, diz.
Entretanto, a associação afirma que alguns aspectos presentes no ambiente econômico doméstico em 2011 não deverão se repetir este ano, o que possibilitará um cenário mais estável. “O principal refere-se à mudança na condução da política monetária, quando da adoção das medidas macropudenciais, iniciativa que gerou dúvidas no mercado. Em 2012, esse instrumento não deverá causar mais surpresas, facilitando a coordenação das expectativas dos agentes”, conclui a Anbima.