SÃO PAULO – Em novembro, o Ibovespa voltou ao posto de pior investimento do mês, com rentabilidade negativa de -3,00%. O principal índice da bolsa brasileira havia tido a melhor rentabilidade entre as opções de investimento de outubro, mas voltou ao lugar ocupado entre abril e setembro por conta da instabilidade trazida pelo agravamento da crise nos países desenvolvidos.
O ouro foi considerado o melhor investimento para o período, após acumular ganhos de +6,85%, considerando a variação real - ou seja, descontada a inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado). A disparada do metal está relacionada à falta de confiança do investidor em meio à instabilidade dos mercados, principalmente após o dólar mostrar enfraquecimento diante de outras moedas. Ainda assim, a divisa norte-americana, medida pela taxa Ptax, seguiu de perto a rentabilidade do ouro e teve o segundo melhor desempenho do mês, com alta de +6,72%.
Na renda fixa, os CDBs pré-fixados de trinta dias, que acumularam retorno de +0,36%, foram seguidos de perto pelo CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que marcou alta de 0,31% em novembro.
A caderneta de poupança teve um ligeiro aumento de rentabilidade no penúltimo mês do ano. A aplicação mostrou ganhos de +0,06%, contra +0,03% em outubro.
| Investimento | Novembro | Real** | Outubro | Real* |
| Ibovespa | -2,51% | -3,00% | +11,49% | +10,90% |
| CDI*** | +0,82% | +0,31% | +0,88% | +0,35% |
| CDB **** | +0,86% | +0,36% | +0,90% | +0,37% |
| Poupança | +0,56% | +0,06% | +0,56% | +0,03% |
| Ouro | +7,38% | +6,85% | -4,49% | -5,00% |
| Dólar Ptax | +7,25% | +6,72% | -8,95% | -9,43% |
| IGP-M | +0,50% | - | +0,54% | - |
* Deduzida a variação do IGP-M que ficou em +0,54% em outubro de 2011
** Deduzida a variação do IGP-M que ficou em +0,50% em novembro de 2011
*** Taxa Efetiva Andima
**** Taxa pré 30 dias
Zona do Euro: da mudança de governo grego à expansão do EFSF
O mês de novembro começou com o plebiscito proposto por George Papandreou para ratificar o plano de resgate à Grécia e terminou com mudanças nos governos da Grécia, Itália e Espanha, com novos cortes de rating, um acordo para expandir o tamanho do EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira), além da lilberação do pagamento da última parcela do pacote de resgate à economia grega.
O agravamento da crise econômica na Zona do Euro tirou do poder o primeiro-ministro da Grécia, George Papademos, substituído pelo ex-vice presidente do BCE (Banco Central Europeu), Lucas Papademos. Na Itália, a terceira maior economia da Zona do Euro, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi prometeu deixar o cargo assim que fossem aprovadas novas medidas de austeridade. Berlusconi cumpriu o acordo e Mario Monti o substituiu no cargo.
A Espanha também mudou de governo após o conservador Partido Popular vencer as eleições de novembro com maioria esmagadora, refletindo o descontentamento do eleitorado com o Partido Socialista, que após oito anos no poder deixou a Espanha com uma taxa de desemprego de 20%, a maior da Zona do Euro. O novo primeiro-ministro, Mariano Rajoy, deve tomar posse em meados de dezembro.
A política monetária da Zona do Euro surpreendeu após Mario Draghisubstituir Jean-Claude Trichet na presidência do BCE. A taxa básica de juros europeia sofreu um corte de 25 pontos-base, na tentativa de amenizar a crise da dívida da Zona do Euro. O cenário de arrefecimento econômico fez com que a União Europeia reduzisse suas projeções de crescimento na região para os próximos anos.
Incorporando o agravamento da crise, a Fitch cortou o rating português e o país perdeu o Grau de Investimento. A Hungria também teve sua nota soberana rebaixada pela Moody's, que ainda alertou para um possível corte da nota da França. Por sua vez, a S&P rebaixou o rating belga, com perspectiva negativa.
Na última terça-feira (29), os ministros de Finanças da Europa aprovaram duas opções para aumentar o tamanho do EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira). Na primeira opção, o EFSF daria ao investidor um certificado de garantia de 20% a 30% do valor de cada novo bônus que fosse emitido por um dos países-membros do bloco econômico. A segunda opção seria a criação de um ou mais "fundos de cooperação", com participantes do setor público e privado. Ambas as modalidades entrariam em operação a partir de janeiro de 2012, contando com recursos de até € 250 bilhões do EFSF.
Estados Unidos: elevado déficit coloca rating em risco
Na maior economia do mundo, o mercado de trabalho deu novos sinais de piora após o Relatório de Emprego mostrar a criação de 80 mil postos em outubro, abaixo das projeções de 85 mil novas vagas estimadas pelo consenso de mercado. Desta forma, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, afirmou que a instituição irá concentrar seus esforços em reduzir a taxa de desemprego, atualmente em 9%, patamar considerado elevado para o país.
O “supercomitê” do Congresso dos Estados Unidos não conseguiu chegar a um acordo quanto ao corte adicional de US$ 1,2 trilhão nos gastos públicos. Isso levou à agência de classificação de risco Fitch a revisar as projeções de déficit do país e a Moody's a colocar o rating norte-americano em perspectiva negativa.
O mercado também esteve atento à ata da última reunião do Fomc (Federal Open Market Committee). A minuta mostrou que alguns membros do Fed pressionam por uma política mais expancionista, ao mesmo tempo em que foram reduzidas as perspectivas de crescimento para o país.
Brasil fica ofuscado por cenário externo
O noticiário europeu ofuscou o cenário brasileiro. A agência de classificação de risco Standard & Poor's elevou o rating de longo prazo do Brasil em moeda estrangeira de BBB- para BBB e para a nota em moeda nacional de BBB+ para A. Embora positiva, a notícia não produziu grandes efeitos na bolsa brasileira.
A maior novidade ficou por conta do mercado de renda variável, após a norte-americana Direct Edge revelar a intenção de abrir uma nova bolsa brasileira no quarto trimestre de 2012. A bolsa terá como sede o Rio de Janeiro, tendo pendente a aprovação regulatória da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Pontas do Ibovespa
As ações da JBS (JBSS3) fecharam o mês de novembro como principal destaque positivo dentre os papéis que compõem o Ibovespa, acumulando alta de 15,31%, cotadas a R$ 5,95. Os papéis da JBS ocuparam a segunda maior alta do Ibovespa por duas semanas seguidas, sempre atrás dos ativos da Marfrig (MFRG3). Ambas companhias detêm 30% do mercado de carnes, que é bem pulverizado.
Por outro lado, as ações ordinárias da Usiminas (USIM3) recuaram 27,79% no mês de novembro, a R$ 17,80, configurando a maior queda mensal dentre as ações que compõem a carteira teórica do Ibovespa. Após a Ternium adquirir a participação do capital votante da Votorantim e Camargo Corrêa na Usiminas, os acionistas minoritários levaram um banho de água fria.
Desde o início do ano, havia sido iniciado um movimento de alta das ações ordinárias da siderúrgica, com o mercado buscando o benefício do Tag Along. O tag along estende a todos os acionistas minoritários as mesmas condições obtidas pelos controladores quando da venda do controle. No entanto, o Nippon Group e o fundo de pensão da Usiminas continuaram com a participação majoritária e, assim, os efeitos do tag along foram anulados e os investidores deixaram o papel.