Banco ensina a morar em um apartamento do dobro do tamanho pagando o mesmo

Alugar, no atual momento, é uma barganha: você pode ter um apartamento 60%-100% maior

Por Felipe Moreno
 15 mar, 2016 11h50
Apartamento_Londres_06
(Divulgação)

SÃO PAULO - Alugar, hoje, é melhor que comprar um apartamento. Ao menos para quem quer morar em um apartamento maior pagando a mesma quantidade. É o que mostra o banco suíço Credit Suisse, que mostra que o mercado atual está muito mais favorável para o aluguel do que para compra - graças ao alto preço dos imóveis em um cenário de demanda muito fraca. 

"O rent-vs-buy se deteriorou em 20% desde o começo de 2015, levando a relação de São Paulo a 60% e do Rio de Janeiro a 50%", afirma o banco em relatório assinado pelos analistas Nicole Hirakawa, Luis Stacchini e Vanessa Quiroga. Tudo bem, é natural que a relação alcance equilíbrio abaixo de 100% (já que ser proprietário do imóvel traz alguns benefícios), mas o banco ressalta esta atual relação indica a possibilidade de morar em um apartamento entre 65%-100% maior do que se fosse comprar. O dobro do tamanho, apenas. 

Porém, no atual momento, é uma barganha: para eles, o mercado vai se mexer para equilibrar as duas pontas. "Acreditamos que o preço de compra e aluguel devem se ajustar para o índice ficar mais equilibrado. Estimamos queda real de 15% no preço dos imóveis ao mesmo tempo que os aluguéis devem subir", afirma a equipe. Eles preveem uma queda nominal de 6% no preço dos imóveis paulistas e de 10% no Rio de Janeiro. 

O aumento do preço dos aluguéis deve determinar o momento. "O mercado de aluguéis vai ser impactado pela grande concentração de entregas dos últimos sete anos. Os investidores representaram uma larga porção dos clientes no último ciclo, com uma quantidade excessiva de casas arrendadas no período. Os donos deram descontos pesados esperando que os imóveis iriam recuperar o valor no futuro ao invés de vender", acredita o banco suíço. 

No momento, eles destacam que a piora ao acesso do crédito e a queda do salário real prejudicou a capacidade de uma pessoa média a comprar um imóvel típico. Eles possuem um índice para medir isso, que caiu 20% em SP e 15% no Rio de Janeiro, atingindo 90 e 75 pontos - acima de 100 indicaria que uma pessoa média da classe média seria capaz de comprar uma cassa média. "Assim, o índice mostra que os compradores de imóveis dessas cidades estão abaixo da renda minima necessária para garantir o pagamento de financiamento que represente 30% da renda bruta", destacam, lembrando que a queda dos imóveis deve melhorar esta situação.

A baixa-renda, porém, ainda consegue comprar imóveis, com o índice medido pelo Credit Suisse em 108 pontos. Mas até no segmento de baixa-renda isto está em queda - e que os aluguéis passam a ser cada vez mais usados também nesta classe. "Acreditamos que o desiquilíbrio entre alugar e comprar está ficando cada vez mais evidente", terminam. 

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