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Queda do dólar aumenta poder de compra do brasileiro em até 30% em imóveis nos EUA

A grande oferta de unidades no mercado imobiliário norte-americano também torna mais viável o investimento

SÃO PAULO – As incertezas presentes no cenário político-econômico brasileiro, somadas à desvalorização do dólar estão criando novas oportunidades de investimento no mercado imobiliário norte-americano. De acordo com Fernando Bargallo, diretor da FB Capital, o brasileiro aumentou em até 30% o seu poder de compra em dólar desde janeiro, quando o câmbio estava a R$ 4,16.

A grande oferta de imóveis também tem aumentado a viabilidade de investimentos no exterior, uma vez que, segundo ele, grande parte dos lançamentos de 2014 e 2015 encontram-se vagos. “O mercado imobiliário dos EUA está 'flat' e a oferta ultrapassou a demanda, fazendo com que os vendedores aceitem preços menores para fechar mais negócios”, conta Bargallo.

Ele enfatiza que investir no mercado imobiliário norte-americano é uma boa opção para os investidores que buscam proteção, visto que os Estados Unidos é maior economia do mundo e os imóveis são investimentos sólidos. “O brasileiro se dolariza quando quer buscar uma proteção, algo muito comum no momento de instabilidade política atual”.

Daniel Rosenthal, especialista em investimentos imobiliários e organizador do Investir USA Expo, reforça que para os brasileiros a dolarização do patrimônio é fundamental, uma vez que o real e as demais moedas da América Latina são mais instáveis. “Independentemente do câmbio é importante que o investidor dolarize seus investimentos; é mais seguro e estável”, diz.

Segundo ele, o perfil dos investidores tem mudado nos últimos tempos por conta das turbulências políticas vivenciadas no Brasil. Além dos investidores que querem diversificar sua carteira de investimentos com renda, como as casas de férias em Orlando, por exemplo, houve um aumento na busca de imóveis para moradia, visto que muitas pessoas não acreditam na possibilidade de melhora do país e querem tentar um negócio lá fora.

Com relação à rentabilidade, Rosenthal explica que as locações simples rendem, geralmente, de 6 a 7%, enquanto as casas de férias rendem de 7 até 10% o valor do imóvel. “A maioria dos investidores brasileiros investe em casas de férias no sul da Flórida, já que dificilmente Orlando ficará em crise, uma vez que é a capital do entretenimento e está sempre com novas atrações”. Apesar da grande presença de brasileiros na terra do Mickey, ele lembra que 70% dos turistas são americanos e que o público brasileiro não deve servir como base para calcular o aluguel de imóveis. “Lá funciona como um estilo pool de locação, então qualquer um, de qualquer nacionalidade pode alugar”.

Para investir no mercado imobiliário dos EUA, ele lembra que é necessário ter um passaporte e vistos válidos, assim como, a comprovação da origem dos recursos, uma vez que todas as transações passam pelo Banco Central. Este último fator tem sido muito frisado, principalmente por conta dos casos de corrupção recentes. “Muitos não conseguem investir porque não conseguem comprovar”, diz.

Devido ao alto imposto de herança nos EUA, que pode chegar até 50% do valor do investimento, o especialista lembra que não é aconselhável investir como pessoa física, uma vez que em caso de falecimento do investidor, o imposto sobra a herança pode chegar a 50%. Por isso, o ideal deve primeiro abrir uma empresa. Este processo é, segundo ele, muito mais rápido e simples do que aqui no Brasil.

Bandeira EUA
(Bloomberg)

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