Em imoveis / fundos-imobiliarios

Vale a pena comprar um imóvel na Flórida para investir?

A compra de imóveis por investidores brasileiros tem aumentado nos últimos anos, no entanto, é preciso tomar alguns cuidados para que essa escolha seja mesmo vantajosa

SÃO PAULO – A procura de investidores brasileiros por casas no estado da Flórida tem aumentado muito nos últimos anos, especialmente nas cidades de Miami e Orlando. Esse aumento de demanda foi proveniente dos efeitos da crise econômica de 2008, que beneficiaram os brasileiros, que em busca de alternativas de investimento começaram a comprar e alugar os imóveis na região.

Acompanhe a cotação de todos os fundos imobiliários negociados na BM&FBovespa

De acordo com Rogerio Bastos, gestor de patrimônio e sócio da empresa Biscaynebay, que assessora investimentos em imóveis nos Estados Unidos, o mercado imobiliário do sul da Flórida foi um dos que mais sofreu nos Estados Unidos após a crise, pois um grande estoque de novas casas chegou ao mercado pouco antes do crash.

Quer saber mais sobre os termos usados no mercado financeiro? Acesse o glossário InfoMoney

Leonardo Ickowicz, sócio proprietário da Elite International Realty, explicou que é fácil alugar um imóvel lá hoje em dia. “O americano não está procurando imóveis para comprar desde a crise de 2008 até hoje, pois na época da crise eles perderam a casa, então a procura por imóveis para alugar aumentou, a demanda é grande principalmente em Miami e Orlando”, afirmou. Segundo ele, o americano ainda não voltou a ser comprador de imóveis principalmente porque os bancos estão muito mais rígidos, ou seja, a entrada tem que ser maior e o compromisso também.

Ainda de acordo com ele, a América Latina toda está passando por ondas de tumulto, por isso é importante deixar uma parte do patrimônio dolarizado. “O raciocínio é deixar pelo menos 20% do patrimônio dolarizado”, disse. 

95% dos imóveis já estão ocupados atualmente
Bastos afirmou que, atualmente, mais de 95% dos imóveis estão ocupados. Ele explicou que os aluguéis, deduzidos os custos de condomínio, seguro e imposto predial, que nos EUA são pagos pelo proprietário, rendem atualmente cerca de 7% ao ano e a taxa de vacância está abaixo de 5%. “O preço médio dos imóveis oferecidos pela Biscayne Bay oscila entre US$ 100 mil e US$ 150 mil (algo em torno de R$ 235 mil a R$ 350 mil, pela cotação do dólar da última terça-feira - 28)”, completou.

Como base de comparação, o preço médio na venda de casas e apartamentos usados na cidade de São Paulo foi de R$ 550 mil no primeiro semestre, de acordo com levantamento realizado pela Lello, empresa em administração imobiliária.

Segundo dados do estudo realizado pela NAR (National Association of Realtors) em 2011, os brasileiros responderam por 12% das compras de imóveis em Miami. A NAR informa que 30% dos brasileiros compram casas de menos de US$ 100 mil. “A procura é tão grande que há quiosques em shoppings vendendo imóveis para brasileiros em Miami”, disse.

Outros atrativos são a facilidade de financiamento, que pode chegar a 30 anos, e os juros bem abaixo dos encontrados no mercado brasileiro. Além disso, Miami está recebendo investimentos em infraestrutura com a construção de novas ruas, túneis e prédios.

Ickowicz explicou que a diferença de investir em imóveis no Brasil e nos EUA é que aqui você tem fiador, enquanto nos Estados Unidos o inquilino paga três meses adiantado (o chamado de ‘security deposit’). Com esses três meses o dono do imóvel está garantido, mesmo porque, segundo ele, não demora mais do que 30 ou 40 dias pra tirar o inadimplente do apartamento. “Não acontece muito, mas pode acontecer. Eles são bem rígidos”, afirmou.

Veja que você precisa para comprar um imóvel nos EUA
Para adquirir um imóvel nos Estados Unidos é importante ficar atento aos procedimentos legais que envolvem a transação. De acordo com o advogado Luís Rodolfo Cruz e Creuz, sócio da Creuz e Vilarreal Advogados Associados, não é necessário ter o visto permanente (green card) de residência no país. “Não é preciso nem visto temporário, qualquer um pode comprar”, afirmou.

De acordo com ele, para financiar, é preciso ter um cadastro em banco norteamericano. “Usualmente as imobiliárias cuidam disso, considerando que não é pratica comprar imóveis sem a intervenção de um corretor”, afirmou Cruz e Creuz.

O mais comum é que seja exigida uma entrada de cerca de um terço do valor do imóvel. “Em relação ao financiamento de casas (single family homes), a prática é que se financiam com 30% ou 40 % de entrada, dependendo do cliente”, explicou.

Segundo o corretor Jeremias Rodrigues, diretor da corretora de imóveis de alto padrão que leva o seu nome, a facilidade de financiamento é um dos maiores atrativos do mercado imobiliário norteamericano. “As taxas variam entre 4,5% e 5,5% ao ano”, finalizou.

Para especialista, imóvel no exterior hoje é status
Para Luiz Roberto Calado, autor do livro Imóveis: Seu guia para fazer da compra e venda um grande negocio, comprar um imóvel no exterior atualmente significa apenas status, como um carro de luxo. "O mercado imobiliário é bastante complexo. Para acertar um alvo mesmo em uma cidade que conhecemos e vivemos já é difícil. Precisa conhecer muito bem sobre o mercado para conseguir comprar na baixa e vender na alta, e isso no bairro que você mora, ou seja, para fazer isso em um país sobre o qual você tem pouca informação, é muito mais complicado", afirmou.

De acordo com o especialista, existem pessoas que compram imóveis sem ao menos visitar o local antes, o que é impensável e mostra euforia. "Esse imóvel pode estar ao lado de uma região desvalorizada, com algum aterro ou com muito barulho, por exemplo. Se for comprar é indispensável visitar bem o local, sondar bem o mercado e conhecer, no mínimo, três ou quatro lugares, para ter mais de uma opção na mão", explicou.

Calado disse também que é preciso saber qual é a expectativa com o investimento. Se for para passar férias, ele não recomenda a compra, mas sim o aluguel, pois é um investimento muito grande para pouco uso. "Se for para usar como investimento mesmo, é de se pensar, mas é preciso conhecer muito bem o mercado e analisar muito bem diversas opções. O investimento no exterior sofre, além da questão do mercado imobiliário norte-americano, com o câmbio. Hoje o dólar está apreciando, ou seja, um apartamento, mesmo que não tenha mudado o preço, já valorizou por conta da alta do dólar, mas a situação podia ser contrária. É um risco", finalizou.

Miami
(Wikimedia Commons)

Contato