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Após disparar 13% com revogação do Estatuto do Desarmamento, Forjas Taurus fecha com alta modesta

Um dos projetos mais polêmicos em discussão no Congresso, a alteração nas regras da Lei 10.826/03 triunfou em votação na comissão especial instalada na Câmara para avaliação; se sancionada, a nova lei facilita o porte de armas a cidadãos comuns

SÃO PAULO - Por 19 votos a favor e 8 contrários, a Comissão Especial que analisa mudanças no Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03) aprovou o afrouxamento das exigências para o porte de armas em território nacional, texto relatado pelo deputado Laudivio Carvalho (PMDB-MG). O projeto, que tramita no Legislativo, permite que não apenas que autoridades policiais e de segurança utilizem armas de fogo, mas qualquer pessoa que ateste com documentos e laudos ter capacidade técnica e psicológico para tal, mesmo que o sujeito responda a inquérito policial ou processo criminal. Se aprovadas, as novas regras também alteram de 25 para 21 anos a idade para compra de armas de fogo, além de ampliar o limite de armas por pessoa de seis para nove unidades e permitir publicidade do produto em quaisquer veículos de comunicação.

O avanço da pauta polêmica atende aos interesses de companhias do setor, como a Forjas Taurus (FJTA4) representando o grupo no mercado acionário brasileiro. A facilitação para a comercialização de armas de fogo pode trazer resultados às operações da empresa, que vive um momento delicado na Bovespa. Desde o último pregão de 2012, quando fecharam cotados a R$ 25,57 - cotação ajusta pelo grupamento das ações -, os papéis preferenciais da Forjas Taurus acumulam perdas de 95,42% até o fechamento da última terça-feira (27), com cotação de R$ 1,17. Com uma mão de alas conservadoras da bancada da bala, a companhia pode conquistar maior confiança de investidores.

Desde que começou a ser discutida, a pauta foi muito criticada por alas da esquerda e estudiosos, que ressaltaram que maior disponibilidade de armas de fogo nas cidades causa um aumento expressivo na taxa de homicídios. Um deles é o diretor de Estudos e Políticas do Estado do Ipea, Daniel Cerqueira. Em entrevista ao InfoMoney em maio, o especialista demonstrou preocupação com a questão do armamento da população e taxou o fenômeno como um dos fatores decisivos para o aumento da criminalidade no país. "Enquanto, no final da década de 80 e ao longo de toda a de 90, a gente viu a sociedade tentando resolver por vias próprias, já que o Estado não resolvia o problema da segurança. Vimos um aumento na prevalência de armas de fogo. O estoque de armas de fogo que a gente criou nas décadas de 80 e 90 explica o aumento bombástico dos homicídios no Brasil", afirmou Cerqueira na ocasião.

Em detrimento à discussão sobre os possíveis efeitos da medida, as ações da Forjas Taurus chegaram a subir forte no pregão desta quarta-feira (28). Após chegarem a registrar alta de 13,68%, os papéis da companhia reduziram os ganhos e fecharam com variação positiva de 3,42%, cotados a R$ 1,21.

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Fojas Taurus arma revolver
(divulgação)

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