SÃO PAULO - A Fibria (FIBR3) revelou na noite de quarta-feira (1) um prejuízo líquido de R$ 358 milhões. O resultado, além de inferior aos ganhos de R$ 162 milhões registrados no mesmo período do ano passado, frustrou as estimativas de analistas, que previam perdas ao redor de R$ 202,3 milhões. Dessa forma, a empresa fechou 2011 com um prejuízo líquido de 868 milhões, contra ganhos de R$ 603 milhões no ano anterior.
Segundo a companhia, a diferença entre um lucro no último trimestre de 2010 e um prejuízo no último do de 2011 decorreu em função do resultado financeiro (de ganhos de R$ 35 milhões para perdas de R$ 142 milhões) e da queda na receita líquida (de R$ 1,56 bilhão para R$ 1,40 bilhão). O resultado financeiro também havia pressionado os números do terceiro trimestre, quando o impacto foi muito maior, de R$ 2,01 bilhões.
Por sua vez, a receita líquida de R$ 1,40 bilhão foi ligeiramente superior às estimativas de R$ 1,36 bilhão. Do mesmo modo, o Ebitda (geração operacional de caixa) esteve praticamente em linha com o esperado, aos R$ 390 milhões. Ademais, a companhia divulgou uma redução de 3% da dívida líquida na comparação com o mesmo período de 2010, aos R$ 9,48 bilhões.
No período em questão, a empresa destaca o forte desempenho do segmento de celulose, alcançando uma demanda de 4 milhões de toneladas em dezembro, impulsionada pelos mercados emergentes.
2012: preços devem se recuperar
Contudo, “o setor de papel e celulose continuará a enfrentar desafios em 2012, sendo um deles a estrutura de custos do setor”, alerta a Fibria em comunicado ao mercado.
Apesar disso, a empresa estima que os preços da celulose enfrentam um cenário de recuperação neste ano, tendo em vista que não há expectativa para aumento da oferta, enquanto uma elevação no consumo deve ocorrer em consequência de um aumento de produção relacionado a novas fábricas de papel.
Vendas e custos aumentam
Assim como os analistas previam, os baixos preços da celulose impulsionaram as vendas da commodity. No quarto trimestre de 2011, o volume de vendas de celulose avançou 12% sobre o mesmo período do ano anterior, sendo que as exportações representaram 91% dos negócios.
Por outro lado, o custo do produto vendido marcou expansão de 7% no período, justificado pela empresa como devido ao maior volume vendido, destinação de produtos à Ásia, valorização do dólar médio frente ao real e pelo custo caixa produção - que se elevou em 4% em função, principalmente, dos gastos com manutenção e com mão-de-obra.