SÃO PAULO - O resultado do quarto trimestre da Fibria (FIBR3), a ser divulgado nesta quarta-feira (1) após o fechamento do mercado, deve mostrar números fracos, na opinião dos analistas. De acordo com eles, os preços mais baixos da celulose nos últimos três meses do ano serão o principal driver para o desempenho negativo da emrpesa no período.
Em relatório, os analistas Marcos Assumpção e André Pinheiro, do Itaú BBA, apontam que o preço da celulose recuou para US$ 694 milhões por tonelada, um "patamar 16% menor do que o registrado no trimestre anterior".
Esse menor preço estimulou os compradores a recompor os estoques, afirmam os analistas da Banco Fator Corretora, Rodrigo Fernandes e Renato Maruichi. Para eles, o volume de vendas da Fibria deve mostrar um aumento de 2,7% na comparação entre o terceiro e o quarto trimestre, chegando a 1,3 milhão de toneladas.
Contudo, a receita líquida deve recuar 10% em relação ao terceiro trimestre e 25% na comparação anual, totalizando uma receita de R$ 1,3 bilhão. Assim, devido à queda na receita, Fernandes e Maruichi estimam uma queda na margem Ebitda (relação percentual entre a receita líquida e o Ebitda) de 1 ponto percentual, para 31,8%.
O prejuízo da companhia deve ser de R$ 207 milhões, ante o prejuízo de R$ 1,15 bilhão do terceiro trimestre, afirmam os analistas do Fator, que ressaltam ainda que o resultado do trimestre anterior foi "bastante influenciado pelo efeito da variação cambial sobre a dívida em moeda estrangeira".
Resultados fracos
Também esperando resultados fracos, Assumpção e Pinheiro projetam um Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 382 milhões e uma margem Ebitda de 28%, o que seria o pior desempenho trimestral de 2011.
Já os analistas Edmo Chagas e Antonio Heluany, do BTG Pactual, que também esperam dados fracos no quarto trimestre, ponderam sobre a a desvalorização do real frente ao dólar no último quarto de 2011, fato que ajudou as empresas produtoras da commodity. Os analistas do BTG esperam ainda um aumento de 10% nas vendas da Ásia na comparação trimestral, compensando parcialmente os preços mais baixos.
Estimativas para o 4T11 da Fibria (em R$ milhões):
| 4T11E* | 3T11 | 4T10 | 4T11/3T11 | 4T11/4T10 |
| Lucro líquido | -202,3 | -1.115 | 160 | 83,5% | - |
| Receita Líquida | 1.365,3 | 1.450 | 1769 | -5,8% | -22,8% |
| Ebitda** | 391,0 | 439 | 690 | -10,9% | -43,3% |
| Margem Ebitda*** | 29,2% | 32,8% | 40,5% | -3,6 p.p. | -11,3 p.p. |
*Média das projeções do BTG Pactual, Itaú BBA e Banco Fator Corretora.
**Geração operacional de caixa
***Relação percentual entre a receita líquida e o Ebitda
Perspectivas para 2012
Apesar do cenário não tão positivo no quarto trimestre, para 2012 as perspectivas são de melhores resultados para a empresa, "a partir das perspectivas de alta dos preços de celulose e da queda dos estoques globais da commodity", ponderam Assumpção e Pinheiro. Os analistas do Itaú têm recomendação market perform (desempenho em linha com o mercado), com preço justo para os papéis é calculado em R$ 18,00 pelos analistas - upside de 26,3% em relação ao fechamento de quarta-feira (31).
Já para Chagas e Heluany, a preocupação é com relação a geração de caixa da companhia, que, segundo os analistas, deve permanecer fraca não só no quarto trimestre de 2011, mas também nos primeiros três meses desse ano. Os analistas possuem recomendação neutra para os ativos FIBR3, com preço-alvo para dezembro de 2012 dos ativos de R$ 16,00 - o que configura um potencial de valorização de 12,3% frente ao fechamento da sessão anterior.
Os analistas da Fator também possuem a mesma recomendação, com um preço-alvo para igual período de R$ 17,00, o que configura um potencial de valorização de 19,3% em relação ao fechamento de quarta-feira.