SÃO PAULO – A situação de Portugal na Zona do Euro não é a mesma da Grécia. Esta é a afirmação da equipe de análise do Bank of America Merrill Lynch ao analisar a situação do país da península ibérica em relação à crise da dívida externa pela qual atravessa.
Apesar de Portugal estar recebendo elogios da Troika – União Europeia, FMI (Fundo Monetário Internacional) e BCE (Banco Central Europeu) -, o pessimismo do mercado em relação ao país segue em ascenção. Entretanto, os investidores parecem estar reagindo mais por conta da forma do envolvimento do setor privado na Grécia, na opinião do banco.
No caminho certo, mas longe da solução
Do ponto de vista dos fundamentos, Portugal tem demonstrado progresso em seus ajustes, entretanto, ainda há um longo caminho a percorrer para alcançar a sustentabilidade de sua dívida, na opinião dos analistas Laurence Boone e Gustavo Reis.
“A meta fiscal de 2011 foi respeitada, com o recuo dos custos no mercado de trabalho, apesar de precisarem cair mais. Além disso, a balança comercial e a conta corrente também demonstram melhora, embora a contração da demanda para Portugal irá levar o país a uma recessão neste ano”, dizem os analistas.
De forma geral, um rápido crescimento da economia é a chave para o sucesso de Portugal, segundo o Bank of America. Entretanto, a dinâmica econômica é prejudicada pelo baixo potencial de crescimento, em parte por conta da baixa qualificação da força de trabalho do país, fato que deve levar algum tempo para ser corrigido.
Auxílio do MEE
“Portugal está isolado do mercado de captações até a segunda metade de 2013. Até então, no entanto, se o crescimento não seguir as projeções da Troika – de que o país conseguirá atingir rapidamente e sustentar um crescimento de 2% - os investidores não se convencerão da sustentabilidade da dívida portuguesa e país pode precisar de uma extensão do programa atual”, afirmam Boone e Reis.
Este fato provavelmente acontecerá no âmbito do novo mecanismo de resolução para crise da Zona do Euro, o MEE (Mecanismo de Estabilidade Europeu). Sendo assim, o BofA acredita que seja difícil excluir a possibilidade de mais um auxílio ao país junto com uma reestruturação da dívida, entretanto deve acontecer de forma diferente da que está sendo aplicada para a Grécia.