SÃO PAULO - A participação dos importados no consumo brasileiro aumentou 0,6 ponto percentual, atingindo 24% no quarto trimestre deste ano, segundo dados da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgados nesta terça-feira (7). Na comparação com o mesmo período do ano passado, o nível de participação dos importados aumentou 1,5 p.p.
Segundo o estudo, o coeficiente de importação (CI) da indústria geral atingiu 23,1%, maior índice já registrado na série histórica, iniciada em 2003 (o recorde anterior era de 21,8%, apurado em 2010).
A Fiesp aponta ainda que, no ano passado, o consumo aparente no Brasil cresceu 1,2% e a maior fatia desse crescimento foi aproveitada pelos importados (54,5% do total), enquanto a indústria doméstica ficou com os 45,5% remanescentes.
Inversão do cenário
Segundo a Federação, os números indicam a inversão do cenário verificado em 2010, quando a maior parte (53,2%) dos produtos consumidos internamente foi produzida pela indústria brasileira.
“Isso significa que, de cada três produtos consumidos no nosso país, um é importado. Em 2005, essa proporção era de 15%; hoje temos um recorde histórico”, afirmou o diretor do Derex (Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior), Roberto Giannetti da Fonseca.
Segundo ele, para reverter a situação, é preciso trabalhar as questões de câmbio, eficiência logística e desoneração de tributos, o que melhoraria a competitividade dos produtos brasileiros tanto para concorrer no mercado interno, com os importados, quanto na exportação, com produtos do mundo todo.
Por setor
Dos 33 setores analisados pela Fiesp, 27 apresentaram alta na participação dos importados no consumo aparente, com destaque para produtos têxteis, cuja participação dos importados cresceu de 19,6% em 2010 para 24,1% em 2011, setor de artigos do vestuário e acessórios, com alta de 3,2 p.p. no mesmo período, e setor de máquinas, que expandiu de 47,2% para 52%.
Já entre os segmentos que apresentaram maior queda no coeficiente de importação estão o de siderurgia e aeronaves, com recuo de 3,9 p.p. e 1,8 p.p.