Com problemas de dívidas, Eletropaulo pode recorrer a emissão de ações

Segundo cálculos da Citi Corretora, o Ebitda acumulado em 12 meses tem que crescer 40% no primeiro trimestre para não quebrar regras com debenturistas
Por Fernando Ladeira  
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SÃO PAULO - A Eletropaulo (ELPL4) vive um momento conturbado. Além de ver o lucro líquido de R$ 687 milhões nos três últimos meses de 2011 se transformarem em um prejuízo de R$ 73 milhões no mesmo período do próximo ano, a companhia enfrenta sérios problemas de dívida.

Para rebalancear a estrutura de capital, a Eletropaulo terá que renegociar novamente as regras de suas debêntures ou até mesmo buscar soluções permanentes, como uma oferta de ações, alerta a equipe de análise da Citi Corretora. Uma solução que envolva as duas saídas também não é descartada.

Isso porque a dívida líquida/Ebitda (lucro antes de impostos, taxas, depreciação e amortização) atingiu a relação de 4,9 vezes no final de 2012, muito acima da regra de 3,5 vezes prevista nos contratos com os debenturistas. Se esse nível de endividamento permanecer por mais um trimestre, os detentores de dívida da empresa podem pedir o resgate antecipado dos papéis.

E o cenário não é bom. "Para cumprir com o teto de 3,5 vezes, o Ebitda acumulado de 12 meses teria que crescer em 40% no primeiro trimestre, para R$ 900 milhões (assumindo que a dívida líquida ficará estável)", afirma o relatório da Citi Corretora, a qual alerta que esse nível de crescimento do Ebitda é improvável. As ações caem 4,19% nesta quarta-feira, aos R$ 12,12, acumulando perdas de 27,86% no ano, segundo cotação das 15h28 (horário de Brasília).

Esse, aliás, foi o principal ponto negativo do trimestre anterior. O prejuízo de R$ 73 milhões foi, na realidade, melhor que o esperado pela equipe de análise da corretora, que estimava perdas de R$ 79 milhões.

Mas o Ebitda foi negativo em R$ 15 milhões, bem abaixo do consenso do mercado, de R$ 65 milhões, alerta o relatório. Eles explicam que os principais fatores que pressionaram esse número vieram de custos mais altos por conta de compra de energia das termelétricas e pelo forte crescimento nos custos gerenciáveis.

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