Com possível fim dos fartos dividendos na Eletropaulo, ação despenca 3,3%

Além de resultado decepcionante, analistas temem que companhia possa anunciar nova redução do payout para 25%
Por Paula Barra  
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SÃO PAULO - Além da forte queda no lucro líquido no segundo trimestre deste ano, a Eletropaulo (ELPL4) assustou os investidores depois que não anunciou o esperado pagamento de dividendos, e que normalmente envolvia um gordo montante, referente a primeira parte do ano. Em reflexo, as ações da companhia do setor elétrico despencam neste pregão, liderando as perdas do Ibovespa, em dia que a bolsa paulista subiu 1,90%, terminando aos 58.344 pontos.

Enquanto isso, as ações ELPL4 caíram 3,33%, cotadas a R$ 18,01. Na mínima do dia, os papéis chegaram a desvalorizar 7,14% aos R$ 17,30. Também impressiona o forte volume financeiro movimentado pelas negociações envolvendo papéis da empresa, que ainda na parte da manhã já haviam ultrapassado a média dos últimos 21 pregões. No total, foram movimentados R$ 28,07 milhões. 

Acabou a época de fartura nos dividendos?
Outra preocupação também afeta o mercado, além da falta de dividendos. Das cinco avaliações compiladas pelo portal InfoMoney das corretoras sobre o resultado da companhia, quatro (Barcleys, XP Investimentos, UBS e Safra) apontam para o risco da empresa anunciar uma nova redução do seu dividend payout (dividendo pago por ação/lucro por ação), dos atuais 50% para o mínimo que é 25%, o que soaria como um trigger ainda mais negativo para o papel. 

Não bastasse isso, o analista William Castro Alves, da XP, também indica que a empresa possui um elevado montante de investimentos previstos ao longo de 2012 - superior em 13,8% ao registrado no ano anterior - deve ser em boa parte financiado com o capital próprio, o que reduz o montante disponível para o pagamento e dividendos.

Do lado positivo para os papéis, Alves estima que a companhia pode renegociar suas dívidas ou venha pagar parte dessa para evitar atingir tais covenants previstos pelo indicador Dívida  Bruta/ Ebitda ajustado de 3,5 vezes. De qualquer forma, o analista comenta que é factível estimar fracos dividendos no curto prazo. 

Efeitos do 3º ciclo de revisão tarifária
A realidade de dividendos gordos mudou, em boa parte pelos efeitos que a 3º revisão tarifária provocou no resultado da companhia, e que deve impactar na geração de caixa futura esperada pela empresa. 

O resultado da companhia foi fraco no segundo trimestre e incluse aquém do esperado pelo mercado, reforça Castro Alves. A companhia reportou um lucro líquido de R$ 56,6 milhões, o que representa uma queda de 77,8% frente ao apresentado entre abril e junho do ano passado. 

Do lado operacional, apenas a analista Lilyanna Yang, do UBS, aponta que o Ebitda (geração operacional de caixa) esteve acima das suas projeções, totalizando R$ 243 milhões no período. O número, contudo, foi impactado pela forte elevação nas despesas com energia comparada para revenda, elevação nos custos de transmissão de energia e aumento das despesas com pessoal, de 22,1%. 

Nesse cenário de corte das taxas, os analistas Francisco Navarrete e Tatiane Shibata, do Barclays, acreditam que a companhia pode se guiar para implementar uma agressiva medida de diminuição dos custos no curto prazo, embora ainda seja incerto quando ela possa ganhar nessa área.

Papéis não estão atrativos
A XP reiterou sua visão "não atrativa" para os papéis, em função dos riscos com os covenants de dívida, falta de dividendos, redução de seus números que tornam seus múltiplos não atrativos e falta de perspectiva de melhora no curto prazo. 

Visão semelhante é compartilhada pelo Safra, que manteve a recomendação underperform (desempenho abaixo da média) das ações, com preço-alvo de R$ 18,00 - o que configura uma desvalorização de 3,38% em relação ao fechamento da sexta-feira (3). Também tem recomendação de venda o UBS, que aponta um target de R$ 23,00, o que representa um upside de 23,46% frente ao fechamento anterior. 

Na mesma linha, o Barclays permaneceu com recomendação underweight, enquanto o preço-alvo ficou em R$ 17,00 - o que puxaria um potencial de queda de 8,75%. Já o mais otimista entre as cinco opiniões de corretoras é o Bradesco, que manteve recomendação de market perform (desempenho em linha com a média), com target de R$ 33,84 - com um potencial de valorização de 81,64%. 

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