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Mercado de derivativos: entenda melhor o seu funcionamento

Embora pareçam complicados à primeira vista, mercados como futuros ou opções são simples e muito utilizados pelo mercado

SÃO PAULO - Embora com grande destaque no noticiário econômico-financeiro, os mercados de derivativos ainda são uma incógnita para muita gente. De fato, a relativa complexidade destes mercados acaba dificultando a compreensão por parte do público, não permitindo que muita gente entenda o funcionamento e a importância dos mesmos.

Em primeiro lugar, é importante entender o que são derivativos. Eles podem ser definidos como instrumentos financeiros cujos valores dependem (ou "derivam") dos valores de outros ativos. Um exemplo é o mercado de opções de câmbio, onde o valor das opções de dólar varia de acordo com o valor do dólar no mercado à vista.

Como conseqüência do desenvolvimento do mercado de capitais, uma importante parcela dos derivativos é negociada em bolsas, como, por exemplo, a BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) e a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), que concentram grande parte do mercado de derivativos negociados em bolsa no Brasil. Neste contexto, existem vários tipos de derivativos, sendo os mais conhecidos os mercados a termo, futuro e de opções, que serão discutidos em mais detalhe a seguir.

Mercado a termo
Dos principais derivativos negociados em bolsas, o mercado a termo é o mais simples. Nele, duas partes assumem um compromisso de compra ou venda para negociação de um determinado ativo financeiro em uma data futura. Um exemplo é o mercado a termo de ações que funciona na Bovespa.

Assim, um investidor pode comprar a termo uma ação da Petrobras, digamos a 30 dias, ou seja, ele se compromete a comprar esta ação no período de 30 dias a um preço pré-definido. Da mesma forma, a outra parte terá a obrigação de vender o mesmo papel em trinta dias. Vale lembrar que no mercado a termo, as partes ficam vinculadas uma à outra até a liquidação do contrato.

Mercado futuro
As operações no mercado futuro são semelhantes ao mercado a termo, porém, com importantes diferenças. Em primeiro lugar, as partes não estão vinculadas, ou seja, o investidor pode vender um contrato que tenha comprado antes mesmo do vencimento. Isso torna este mercado muito mais acessível e líquido.

Outra diferença em relação ao mercado a termo diz respeito ao ajuste diário do valor dos contratos, que possibilita a liquidação financeira diária de lucros e prejuízos das posições. Isso significa que se você, por exemplo, vendeu um contrato e o preço subiu, você terá que realizar um depósito para compensar esta perda. Vale lembrar que, a exemplo do mercado a termo, também no mercado futuro trabalha-se com garantias, que devem ser depositadas pelo investidor assim que a operação é realizada.

No Brasil, o mercado futuro fica basicamente concentrado na BM&F, que oferece diversos contratos, tanto para ativos de renda fixa como renda variável. Os mais negociados são os contratos futuros de DI de 1 dia, que servem para balizar as expectativas quanto ao mercado de juros. São negociados contratos para os próximos quatro meses, além dos meses iniciais dos trimestres seguintes.

Também são bastante acompanhados os contratos futuros de dólar comercial, com vencimentos mensais até um prazo máximo de 24 meses, e os contratos futuros de índice Bovespa, com vencimento em meses pares, limitados a seis vencimentos em aberto. Vale lembrar também a importância da negociação com contratos futuros agropecuários, como soja, algodão, boi gordo, café e milho, entre outros.

Opções
Ao contrário do mercado futuro, no mercado de opções o investidor compra o direito, porém não a obrigação, de compra ou de venda de um ativo financeiro, com preços e prazos de exercício determinados. Assim, ao comprar uma opção de compra, o investidor tem o direito, mas não a obrigação, de comprar um ativo no preço, conhecido como preço de exercício, e prazo pré-definidos.

Vamos supor o exemplo de um investidor que comprou uma opção de compra das ações da Petrobras a R$ 100, em um dia específico no futuro. Neste dia, o investidor terá a alternativa de comprar ou não a ação, dependendo do preço que o papel está sendo negociado.

Se o preço de mercado for superior a R$ 100, o investidor exercerá sua opção, pois poderá comprar por R$ 100 uma ação que vale mais do que isso no mercado. Caso o preço no mercado seja abaixo de $ 100, a opção não deve ser exercida, pois vale mais a pena comprar o papel diretamente no mercado à vista.

Existem opções de compra, conhecidas em inglês como call e opções de venda, conhecidas como put. Assim, o investidor tem quatro alternativas básicas: comprar ou vender uma opção de compra e comprar ou vender uma opção de venda.

Como o comprador de uma opção tem um direito e o vendedor uma obrigação, sempre que uma opção é negociada é pago um prêmio, que pode ser comparado, por exemplo, ao prêmio de uma apólice de seguro. Assim, quem adquire o direito, ou seja, quem compra a opção, paga um prêmio, enquanto quem vende a opção acaba recebendo este prêmio.

No Brasil, o mercado de opções é mais ativo na Bovespa, onde são negociadas opções sobre os principais papéis da bolsa. Com vencimentos mensais e diversas séries (ou seja, preços de exercício diferentes) este mercado movimenta a bolsa, com as conhecidas guerras entre "comprados" e "vendidos" afetando bastante o mercado.

Porque usar derivativos
Existem diversas razões para o uso de derivativos. Por exemplo, um produtor de café pode vender contratos futuros de café para reduzir o risco de preço, ou seja, se o preço do café cair, ele perde nos seus estoques, mas ganha no mercado futuro, e vice-versa. Isso é conhecido como uma operação de proteção, ou hedge.

Além disso, o uso de derivativos permite alavancar uma posição, pois permite que o investidor use menos recursos para apostar em um determinado ativo financeiro. Assim, se um investidor disposto a tomar riscos elevados acredita que o mercado de ações irá subir, pode ser mais lucrativo investir nos contratos futuros de Ibovespa ou em opções de ações, ao invés de comprar ações no mercado à vista.

No entanto, este tipo de estratégia pode melhorar em muito a rentabilidade, porém também aumenta de forma significativa a possibilidade de perdas. Deste modo, o mercado de derivativos, em muitas situações, é recomendado somente para quem acompanha o mercado de perto e está disposto a correr riscos maiores.

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