SÃO PAULO - A segurança do dólar transformou a moeda em um porto seguro para os investidores, que correm para a divisa quando querem se proteger de uma eventual crise. Tal segurança tornou identificável uma tendência, que ocorre com uma certa frequência: quando os níveis de aversão ao risco aumentam, diminui a procura por investimentos menos seguros e acelera a demanda por dólares, fazendo a cotação da divisa avançar. Mas o que torna essa moeda tão atrativa nesses momentos?
A resposta é simples: a forte liquidez desse mercado cambial. Por conta dos altos níveis de oferta e demanda, existe um baixo spread entre a compra e a venda da divisa. "O dólar é conversível em todas as moedas, e é aceita em todas as regiões do mundo. É muito procurada e isso garante que continue muito líquida", diz Vanessa Colloca, diretora da mesa de operações da Turmalina Corretora.1
A importância dos Estados Unidos no sistema financeiro mundial, também colaboraram para esse sentimento. "Além de ser uma moeda de troca mundial, ela também é e será uma moeda 100% resgatável, seja em títulos de divida norte-americana, seja em espécie", aponta Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora. "O começo do dólar foi assim, ele sempre foi utilizado como uma moeda de segurança", lembra.
Aversão ao risco?
Se tais fatores garantem que a moeda seja altamente procurado nesses momentos, também limitam sua performance em boas épocas para a economia mundial. "Para o investidor brasileiro a moeda só é um investimento atrativo quando há um momento de muita turbulência no mercado", destaca Galhardo. Ele lembra que o dólar chegou a ser cotado a R$ 4,00 em 2002 e recuou para R$ 1,50 em boas épocas.
"É nela que os investidores se apoiam nesses momentos de aversão ao risco nos mercados mundiais", diz Galhardo. Para ele, o corte no rating norte-americano pela Standard & Poor's não interferiu nessa situação, embora potencialmente e teoricamente, pudessem esfriar a procura por títulos de dívida e por dólares, subsquentemente. "Os mercados continuaram com a mesma atitude antes do rebaixamento. Você corre ao dólar para se sentir seguro", completa.
Tal segurança, porém, não garante força à moeda norte-americana. "Não é uma moeda forte como antigamente. O euro hoje em dia é mais forte, a libra e o franco suíço também", destaca Vanessa. Isso também não retira, para a diretora da Turmalina, a grande atratividade da moeda, justamente o fato de ser muito negociada. "O dólar pode não ter mais a força de antigamente, mas ainda tem a liquidez e isso não vai recuar", completa.
Há mais interessantes?
Com a situação econômica preocupante no país emissor de dólar, os EUA, é possível que alguns investidores procurem moedas alternativas. "Uma que caiu no gosto do 'povão' foi o franco suíço, outra considerada adequada para os investidores", destaca Galhardo. "É uma moeda que tem lastro, que tem garantia, e passou a ser outro porto seguro para os investidores preocupados com o rebaixamento norte-americano", finaliza.
A divisa, e outras lembradas por sua força como os dólares canadenses e australianos, embora possua seus atrativos, não tem algumas características que a moeda norte-americana continua a ter. "Essas moedas não são tão líquidas como o dólar, tornando-as até díficil para trocar", afirma Vanessa. "Embora essas estejam subindo, quem vai trocar essas moedas tem um spread muito alto e acaba perdendo nessa venda", completa.
Se há necessidade de se desfazer de suas posições, então, a perda com a moeda norte-norte acaba sendo a menor possível no mercado cambial, colaborando para a percepção de segurança da moeda. "É difícil perder com o dólar no curto prazo. Quem vai ficar de olho no mercado pode controlar, pois como é um ativo com bastante procura, ele pode comprar facilmente quando houver uma queda e vender quando tiver uma alta", chama a atenção Vanessa.