SÃO PAULO - A Cosan (CSAN3) não tem como objetivo buscar participações mais relevantes dentro do capital social da ALL (ALLL3), depois de anunciar que quer adquirir 5,67% das ações da empresa. Chegar ao bloco controlador, por exemplo, não seria possível, por conta da regulação do setor e do próprio estatuto da concessionária.
Para Marcos Lutz, presidente-executivo da sucroalcooleira, a ofertante vai conseguir influenciar, sim, na administração da companhia de logística, mas não terá a palavra final. Negócios alheios ao agrícola, por exemplo, não interessariam nem à empresa, nem à subsidiária Rumo Logística - entre eles, o de transporte de minério de ferro. “Este não é um passo para depois conseguir o controle”, garantiu o CEO em teleconferência com analistas.
Mesmo assim, a Cosan acredita que é importante manter uma parte dos assentos no conselho de administração da ALL, já que a participação comprada será relevante. “Não usaremos o assento para sermos observadores, queremos trazer opiniões de relevância para a administração”, diz o CEO.
Primeiro passo
Depois desse primeiro passo, que é o do comunicado oficial, ainda haverá outros obstáculos a ultrapassar. Entre eles está a aprovação do negócio, tanto por acionistas de uma empresa como de outra. Além disso, órgãos como a SDE (Secretaria de Direito Econômico) e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) precisam também dar o aval à operação.
Lutz ainda aproveitou a reunião para explicar novamente a visão que tem da ALL. Ele avalia as possíveis mudanças regulatórias como positivas para a empresa, já que a concessionária pode se utilizar de direitos adquiridos ao longo do tempo para impedir que alterações sejam negativas.