SÃO PAULO – Após a notícia sobre o fechamento de capital da Redecard (RDCD3) na última semana, a dúvida que paira sobre o mercado é se a Cielo (CIEL3) será a próxima a seguir o mesmo caminho, em meio a rumores de que o Bradesco (BBDC3) poderia acompanhar a estratégia adotada pelo Itaú Unibanco (ITUB4) com a Redecard.
O analista Victor Schabbel, do Credit Suisse, acredita que não e afirma que a estrutura de capital da companhia e as estratégias dos controladores - que se dividem entre Bradesco e Banco do Brasil (BBAS3), cada um com 28,65% das ações ordinárias - tornam o negócio mais complexo e caro.
Schabbel constata que a transação pode parecer atraente para todas as partes envolvidas, uma vez que o Bradesco teria controle total sobre a empresa, o que poderia ter um impacto positivo na receita do banco. O Banco do Brasil , por sua vez, contaria com um grande aumento de capital com ganho próximo dos R$ 8,7 bilhões. Além disso, os minoritários poderiam ter lucro e evitar os riscos contidos na operação.
Por que não?
Entretanto, o banco suíço avalia que este não seria um bom negócio. Primeiro, porque o mercado de cartão de crédito é uma importante parte da estratégia no varejo do BB e, sem ele, a Cielo perderia um pilar importante em sua rede de distribuição.
Já o Bradesco “estaria pagando por algo que não iria ter, a não ser que chegasse a um acordo com o Banco do Brasil sobre a distribuição”, afirma Schabbel. O analista também acredita que o investimento poderia consumir muito capital do banco, reduzindo a atratividade do negócio e até o tornando inviável.
Recomendação e preço-alvo
Os riscos aumentaram um pouco nos últimos dias para a Cielo, por conta da nova dinâmica de mercado que pode implicar uma maior concorrência, alerta o relatório. Desta forma, o Schabbel mantém-se mais cauteloso e faz a recomendação neutra para as ações da companhia, com preço-alvo de R$ 58,00 para os próximos 12 meses e potencial de valorização de 5,45%.