SÃO PAULO - O CPI (Consumer Price Index) da China registrou uma inflação de 4,5% em janeiro, frente ao mesmo período de 2011, segundo dados do Escritório de Estatística Nacionais do país. Essa alta foi fortemente influenciada pelos preços de alimentos, que subiram durante o Ano Novo Lunar chinês, e surpreenderam o mercado.
Já o PPI (Producer Price Index), que acompanha a evolução das compras de produtores, teve uma desaceleração de 0,1 ponto percentual, para evolução de 0,7% em termos anuais. Wei Yao, analista do Société Générale, acredita que esse componente da inflação deve chegar ao patamar negativo durante os próximos meses, seguindo a menor atividade econômica e por conta de uma base mais elevada de 2011.
Para fevereiro, a projeção do banco francês é de que o índice ao consumidor volte a um nível moderado, apresentando aumento próximo aos 3,5% na comparação anual.
Alimentos pressionam
Considerando apenas o grupo de alimentos do CPI, a alta anual chegou a 10,5%. Em dezembro, ela já havia sido de 9,1% na mesma comparação. Segundo Yao, porém, caso o feriado de Ano Novo tivesse acontecido durante o último mês do ano, como em 2010, esse avanço em janeiro teria sido menor, de 8%.
O analista explica que os estoques começaram a ser feitos perto de 45 dias antes das comemorações chinesas, o que trouxe uma grande pressão inflacionária motivada pela demanda dos consumidores. A alta, portanto, já era esperada, mas foi mais intensa do que o mercado aguardava.
Alívio monetário
Com essa expansão dos preços, o Société acha difícil que haja algum movimento de alívio monetário por parte da China tão cedo. De acordo com Yao, será difícil um novo corte de depósitos compulsórios até meados de março.