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Técnica pode transformar qualquer um em Warren Buffett, diz empresário

Sam Jolen era operário de fábrica no Japão e conseguiu seu primeiro milhão antes dos 30 anos "usando o poder da mente"  

San Jolen
(Divulgação)

SÃO PAULO – Por clichê que pareça, o empreendedor brasileiro Sam Jolen garante que seu sucesso profissional se deve primordialmente a um único fator: a força da mente. Sem formação universitária e de origem humilde, o proprietário do Elsever Institute usou e usa da chamada Programação Neurolinguística (PNL) para refazer sua trajetória profissional após anos trabalhando como operário de fábrica no Japão.

No próximo mês, Jolen será anfitrião do Congresso Mundial de Desenvolvimento Pessoal e Profissional, com a presença de nomes como Robert Kiyosaki, autor de “Pai Rico, Pai Pobre”, e Chris Gardner, morador de rua que virou multimilionário e inspirou o filme “À Procura da Felicidade”, estrelado por Will Smith. Segundo Jolen, não haveria a possibilidade de realizar esse evento e contratar nomes de tanto peso caso não tivesse usado a PNL a seu favor. "Uma palestra do Kiyosaki custa sete dígitos, hoje eu tenho tudo isso graças à PNL", diz. 

De acordo com institutos de psicologia de universidades do mundo inteiro, a PNL tem baixa probabilidade de funcionar em um grande número de pessoas. Mesmo assim Jolen acredita que a técnica funciona com quem realmente tem força de vontade. Para ele, não se trada de um remédio, mas sim de uma forma de pensamento, e "pensar não faz mal para ninguém".

Em entrevista ao InfoMoney, ele fala sobre a técnica em sua vida pessoal, divide dicas para utilizá-la no dia a dia e garante: qualquer pessoa pode alcançar qualquer objetivo que queira, basta moldar suas ações para agir de forma similar àquelas pessoas que possuem alto desempenho na atividade escolhida. Confira trechos selecionados da conversa.

InfoMoney: O que exatamente significa o método de Programação Neurolinguística (PNL), de maneira resumida?

Sam Jolen: A ideia é bem simples. A PNL é um conjunto de ferramentas inventadas na década de 70, basicamente baseadas em modelagem da mente baseada em pessoas que têm excelentes resultados. Essas pesquisas tiveram base na forma como as pessoas processavam informações.

Por exemplo, antigamente uma pessoa levava cerca de 5 anos fazendo terapia cognitiva tradicional para conseguir superar uma fobia. Os inventores da PNL foram pesquisar como as pessoas que superavam a fobia com facilidade processavam o pensamento para conseguir isso. Com essas descobertas, de 5 anos, passaram a conseguir o mesmo resultado em 5 minutos. Meu recorde é 2 minutos e meio.

Trata-se de um estudo do pensamento interno. Na prática, significa que você consegue mudar o que você quiser dentro da sua cabeça. Isso serve para tudo: para emagrecer, ganhar mais dinheiro, manter mais dinheiro na conta. O processamento que ocorre dentro da sua cabeça faz com que você consiga esse resultado. Pode parecer clichê, mas vem de dentro de você: a mudança ocorre de dentro para fora. 

IM: Como acredita que a PNL pode ser aplicada, na prática, no dia a dia de uma pessoa comum?

SM: Vou dar um exemplo com a minha história. Eu comecei a usar PNL quando eu voltei do Japão, onde eu era operário de fábrica. Chegando aqui descobri que eu queria fazer uma coisa melhor, maior. Fiz muitos cursos no Sebrae, sobre mercado financeiro, fluxo de caixa, entre outros. Depois de fazer todos esses cursos, de repente, eu descobri que eu tinha muito conhecimento dentro de mim, mas estava realizando muito pouco. Foi aí que eu conheci a PNL.

Com ela, consegui aprender idiomas, abrir minha empresa. A PNL te permite transformar em realidade mais coisas que você tem só na sua vontade. Para mim, essa é a melhor vantagem, o melhor benefício: colocar em prática coisas que estão só na sua cabeça.

IM: Como continuou sua trajetória a partir da aplicação da PNL na sua rotina? O que mudou na prática?

SJ: Na prática, com a PNL, eu comecei a aprender idiomas. Hoje eu falo seis línguas. Três delas fluentemente e as outras três ainda estou aperfeiçoando. Além disso, aprendi como ganhar mais dinheiro. Estudei pessoas e modelei o pensamento para conseguir ganhar mais.

Ganhei meu primeiro milhão aos 27 anos; a empresa que eu fundei hoje é uma das empresas de mais referência do mundo na área de desenvolvimento pessoal, é a maior na América Latina. E não foi só nos negócios que eu usei a PNL. Mudando o meu pensamento, emagreci mais de 20 kg.

Não é algo que você aprende e é mágico na sua vida, é algo que você precisa realmente trabalhar se tiver força de vontade. Hoje eu consigo acordar cedo mesmo dormindo tarde, por exemplo. Minha média de tempo dormido é de quatro horas por noite. Consegui isso por meio de estratégias mentais para dormir menos.

IM: Acredita ser possível usar a PNL como uma maneira de crescer na carreira? Como usar exemplos profissionais para desenvolvimento profissional próprio?

SJ: Ótimo. Na carreira, você pode modelar pessoas bem sucedidas. O bem sucedido pode ser qualquer coisa. Biologicamente, uma pessoa bem sucedida é aquela que tem maior potencial reprodutivo: o mr. Catra é mais bem-sucedido que o Dalai Lama nesse sentido.

Em termos profissionais, a pessoa pode modelar alguém que ela admira. Ela pode ir lá e aprender como essa pessoa faz, aprender os detalhes do processamento mental. Se o diretor da sua área é muito bom em obter resultados, ele tem um padrão de processamento para obter esses resultados e você pode aprender isso. Quando você tem uma meta maior que o normal, qual padrão no seu pensamento faz com que você consiga ter mais garra e atingir aquela meta?

Se a pessoa entender essa nuance, ela vai conseguir novas estratégias mentais. Quanto mais estratégia, mais eficiência. Uma pessoa que faz muito bem uma coisa, ela tem várias estratégias para isso. Eu tenho uma tia que é uma boa cozinheira. Ela pode usar 3 ingredientes que consegue montar um banquete com aquilo. Eu já não tenho essa habilidade e nunca me esforcei para ter, então não adianta ter milhares de ingredientes na geladeira que eu não vou conseguir fazer muita coisa.

Aquela pessoa que tem boa performance no ambiente corporativo simplesmente faz. Não importa se tem muitos recursos, ela vai lá e faz. Agora, como essa pessoa está fazendo isso? Esse é o segredo que muda tudo através dessa modelagem.

IM: Existem perguntas-chave que devem ser feitas para otimizar essa modelagem?

SJ: A primeira coisa que a gente tem que cortar é a palavra mágica “por que”. Se você usar o "por que", vai entrar em crenças e valores das pessoas que nem sempre são fáceis de aprender e adaptar. Em vez disso, deve usar o “como”. Como você está fazendo isso? O que você diz antes de tomar essa atitude? Você visualiza alguma coisa para conseguir esse resultado?

Gosto de pensar e de explicar aos meus alunos que todas as pessoas são biologicamente idênticas. Não existe um médico que cuide de pessoas que nasceram entre a década de 30 e de 80, não existe isso. Todos eles sabem tratar de todas as pessoas, salvo, claro, algumas exceções.

Gosto de pensar como se duas pessoas fossem dois computadores. Se eu tiver dois computadores iguais e instalar softwares diferentes, não vai funcionar da mesma forma. Se eu instalar um software poderoso em um e outro mais fraco em outro, um deles não vai funcionar direito.

O ser humano é basicamente igual, as diferenças têm a ver justamente com esse software que a gente instala. Quando a gente pergunta para as pessoas, modela, entende o processo, nada mais é do que copiar o software dessa pessoa. Se você quer aprender a investir como o Warren Buffett, precisa instalar um software com a mesma capacidade de processamento dele. O segredo é quem consegue modelar perfeitamente.

Também não adianta só você ir lá e aprender uma vez, você precisa ir lá e executar. Na sala de aula, meu foco é fazer o aluno aprender essas receitas boas e conseguir instalar isso na cabeça das pessoas de forma racional, porque o ser humano não é racional, como a gente pensa, o ser humano é muito emocional. Não tem lógica nenhuma alguém ficar extremamente nervoso no trânsito, sair e brigar com outra pessoa: é uma reação emocional. Também não é racional comprar 50 pares de sapato, sendo que você já tem outros, nem chorar no estádio porque o time perdeu: racionalmente, não faz sentido.

O segredo da PNL é entender como o ser humano funciona. Pegar essas boas estratégias e instalar isso na cabeça das pessoas. Com uma receita boa e boa instalação, ela consegue fazer o que ela quiser.

Eu consegui ganhar um monte de dinheiro, falar seis línguas, dar aulas para pessoas com formação superior à minha e eu era só um operário de fábrica, eu nunca terminei a faculdade. Qualquer pessoa pode fazer isso.

IM: Você também é especialista em hipnose. Como esse método se aplica dentro das suas aulas e do seu processo de coaching?

SJ: Hipnose na verdade é um estado das pessoas. Elas vivem em um estado de hipnose, em estado de transe. Costumo perguntar na milha palestra quem já foi hipnotizado e normalmente poucas pessoas levantam a mão. Na verdade, todo mundo já foi hipnotizado, e várias vezes por dia.

Hipnose nada mais é que p estágio onde a pessoa funciona em modo automático. Por exemplo, quando a porta do elevador abre e ela sai sem nem pensar, simplesmente flutua para fora no andar. Esses dias eu passei 4 ou 5 horas dirigindo, e em dado momento eu pensei: quem é que está dirigindo esse carro? Sou eu. Eu estava há tanto tempo fazendo a mesma coisa que entrei em piloto automático, em estado de hipnose.

O ser humano funciona basicamente em torno de 95% do tempo em modo automático. Então, quando a gente quer mudar o molde da pessoa, precisa fazer com que o piloto automático da pessoa funcione daquele jeito que ela busca – só assim a mudança é duradoura e verdadeira.

Sabe quando você não está usando o PC e ele entra na proteção de tela? O cérebro consome aproximadamente 40% da energia do corpo. Como o corpo quer poupar energia, o corpo vai colocar o cérebro no piloto automático e jogar sua cabeça na proteção de tela, em estado de transe.

A hipnose que a gente usa aqui é para fazer instalação de comportamentos e processamentos nessa proteção de tela da pessoa. Com isso, eu consigo além de explicar racionalmente as coisas, ir instalando essas mudanças, assim, a pessoa consegue aprender muito rápido.  

IM: É possível conseguir os mesmos resultados sem o uso da hipnose?

SJ: Depende muito da disciplina da pessoa. Nem sempre ela é tão fácil de ser decupada e, em determinados casos, um terapeuta ou outro especialista ajuda. A PNL não é uma prática para todo mundo, mas para quem quer melhorar de alguma forma. 

Quando uma pessoa vai tratar uma fobia, se usa muito a técnica de estar dentro do cinema e você ver dentro do cinema a situação traumática. Mas nem sempre a pessoa vai se dispor a imaginar essa situação, porque muitas vezes ela sente incômodo com isso. Nem sempre é fácil.  

A teoria é muito mais complexa do que a prática, porque envolve maneiras de pensar fora do padrão. Por isso que acho que a PNL é muito mais eficiente quando feita em grupo do que simplesmente ler a respeito. A gente nem sempre coloca em prática o que a gente lê.

Eu sempre digo para os meus alunos: a PNL não faz mal algum. Não é remédio, é uma forma de pensamento. Pensar não faz mal para ninguém. No meu caso, me possibilitou pensar grande e fazer um evento desse tipo [o Congresso Internacional]. Isso só aconteceu pq mudei um monta de coisas: sem aprender inglês ou melhorar meus ganhos financeiros, eu não teria conseguido, e isso eu consegui graças à PNL. 

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