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Consultora de carreira ex-Google e Apple revela os segredos de um bom líder

Em seu livro, ‘Radical Candor’, Scott pontuou como ser um bom líder sem perder sua humanidade

SÃO PAULO - Kim Scott é uma executiva que trabalhou na Apple e no Google como consultora de carreira para líderes e hoje é CEO da Candor Inc, sua própria empresa que presta serviços. Experiente na área, ela decidiu escrever um livro sobre liderança. 

Intitulado ‘Radical Candor’, o livro pontua como ser um bom líder sem perder sua humanidade e identifica um dilema dos chefes: devem escolher entre ser legal, mas ineficazes em relação aos resultados, ou serem considerados chatos, mas trazerem resultados bons? "O equilíbrio entre ambos os aspectos é essencial para incentivar a equipe e um bom ambiente de trabalho", contou Kim  em entrevista ao InfoMoney.  

"É muito difícil dizer às pessoas que não estão fazendo seu trabalho bem feito. Você não quer machucar os sentimentos de ninguém. Mas, se você é um chefe ou uma pessoa em uma posição de alguma autoridade, não é apenas o seu trabalho dizer isso - é sua obrigação", afirma Scott.

Segundo a especialista, explorar as habilidades dos chefes para atingir resultados positivos para os respectivos negócios tem muito mais a ver com saber ouvir e procurar entender as diversas situações que vão surgir do que propriamente ficar mandando as pessoas realizarem tarefas. “Ser um bom líder é mais sobre debater ideias do que apenas ordená-las; mais sobre impulsionar as pessoas para que decidam do que decidir tudo sozinho e mais sobre aprender do que achar que já sabe tudo”, complementa Scott.

Ela elenca três premissas sobre uma boa liderança:

1. Ter, compartilhar e encorajar a liderança;

2. Entender o que motiva cada pessoa em sua equipe; 

3. Alcançar os resultados conduzindo a equipe de forma colaborativa; 

Segundo ela, quando esses princípios são postos em prática, os chefes podem criar um caminho mais saudável para o sucesso do negócio. Por outro lado, se os chefes não se esforçarem para liderarem bem, seus funcionários podem render muito menos e não ter uma boa qualidade de vida no trabalho. “Chefes assim também matam a inovação, sufocam o crescimento, aumentam os custos e criam instabilidade”, afirma a especialista.

Ela acredita que a liderança é um comportamento e não uma característica, o que implica no fato de que pode ser desenvolvida com treino e orientações. Hoje a empresa de consultoria de liderança de Scott presta serviços para outras empresas, com o objetivo de melhorar o ambiente de trabalho. “Muitos profissionais bons se tornam chefes ruins. Eu quero ajudá-los”, afirma.

Isso porque, segundo ela, passamos mais tempo trabalhando do que qualquer outra coisa que fazemos. “É possível melhorar essa relação inevitavelmente hierárquica. Praticamente todos têm um chefe em algum momento de suas vidas, e no geral, há muitas experiências ruins. Mas não é porque a maioria desses chefes ruins são pessoas ruins. Eles simplesmente não sabem liderar”, explica.  

Kim Scott
(Divulgação )

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