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Mesmo com mercado aquecido, faltam profissionais de tecnologia no Brasil

O Brasil é o segundo País latino-americano com maior dificuldade para encontrar candidatos tecnicamente qualificados, ficando atrás apenas do México

executivo - home office - trabalho no computador
(Shutterstock)

SÃO PAULO - A popularização dos smartphones, aplicativos e outras tecnologias contribuiu para um aumento na demanda por profissionais de tecnologia da informação. Mesmo com o mercado aquecido, no entanto, tal procura excede a oferta de mão de obra no Brasil. A previsão é de que em 2015 a lacuna por profissionais capacitados em TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) chegue a 117,2 mil vagas, o que equivale a um excedente de 32% da oferta.

As informações são do estudo da consultoria IDC, encomendado pela Cisco. O levantamento, que analisou a disponibilidade de profissionais capacitados em TIC (Tecnologia da Informação e da Comunicação), revelou que apenas em 2011, a lacuna de profissionais de rede e conectividade foi de 39,9 mil trabalhadores, o equivalente a 20% entre oferta e demanda de profissionais. Em 2012, a demanda prevista foi de 239.653 empregos na área de redes.

Com esses números, o Brasil é o segundo País latino-americano com maior dificuldade para encontrar candidatos tecnicamente qualificados, ficando atrás apenas do México. "Isso ocorre porque com a disponibilidade insuficiente de profissionais capacitados no mercado fica mais caro contratar e empregar profissionais de rede qualificados", constatou a pesquisa.

Para o ano de 2013 a previsão é de 276.306 vagas para 199.819 profissionais, uma lacuna, portanto, de 28%, ou 76.487 de mão de obra. As 363.584 vagas previstas para 2015 devem se concentrar mais na rede essencial com 232.032, mas a lacuna maior será na rede emergente, com 131.552 vagas para 64.650 profissionais qualificados (escassez de 51% ou 66.702 profissionais).

Áreas com maior necessidade de profissionais qualificados
Segundo o estudo, a maior escassez ocorreu na chamada rede essencial, como segurança, telefonia IP e redes sem fio, com uma lacuna de 23.643 profissionais ou 17%.

Percentualmente, porém, a rede emergente, como comunicações unificadas, vídeo, computação em nuvem, mobilidade e data center e virtualização, representou uma maior escassez, com 27% entre a oferta e demanda de profissionais qualificados, uma lacuna de 16.232 profissionais em 2011.

“As oportunidades na área de tecnologia da informação e comunicação no Brasil estão aumentando significativamente com a preparação do País para sediar grandes eventos, como Copa do Mundo e Olimpíadas", afirmou o diretor de Relações Governamentais da Cisco do Brasil, Giuseppe Marrara. "A falta de mão de obra qualificada ainda é um fator preocupante para atender a esta demanda e ainda para que o Brasil possa competir mais efetivamente no mercado mundial”.

Políticas governamentais incentivam o setor
As políticas governamentais e a dinâmica do setor são fatores de motivação importantes de um mapa tecnológico planejado. Apesar do aumento sazonal de desemprego no Brasil, a mão de obra qualificada permanece escassa o suficiente para forçar os empregadores a pagarem mais para competir por especialistas. 

Por outro lado, isso pode alimentar uma pressão inflacionária, uma vez que a falta de profissionais qualificados aumenta a média salarial para atender à demanda do consumidor.

A pesquisa ainda analisa que os investimentos em TI por parte das empresas e governo, para atender a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, e os recentes incentivos fiscais do Governo sobre equipamentos de rede (incluindo dispositivos para o consumidor, como smartphones), juntamente com "novas" regras para o leilão do 4G contribuem para aumentar a lacuna de habilidades.

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