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Aceitação do bitcoin em lojas é baixa e está em queda

Apenas três das 500 principais lojas on-line monitoradas pela Internet Retailer, aceitam o bitcoin contra cinco no ano passado

(Bloomberg) -- O varejo já resistia ao recebimento de pagamentos de clientes com bitcoins antes da alta astronômica do preço da moeda criptografada deste ano. Esse rápido aumento não os fez aceitar mais. O efeito, aliás, pode ter sido o oposto.

Apenas três das 500 principais lojas on-line monitoradas pela Internet Retailer, uma publicação de notícias e análises sobre comércio eletrônico, aceitam o bitcoin contra cinco no ano passado, escreveu James Faucette, analista de pagamentos do Morgan Stanley, na quarta-feira, em relatório, destacando a “impressionante” discrepância entre a aceitação praticamente nula e os ganhos recentes do bitcoin.

“Quem possui bitcoin reluta em usar a moeda criptografada devido à sua taxa de apreciação, mais uma evidência de que o bitcoin é mais um ativo do que uma moeda”, disse Faucette. “É muito mais fácil negociar de forma especulativa do que convencer novos comerciantes a aceitarem a moeda critpgrafada.”

A hesitação entre os varejistas também pode estar ligada aos desafios de escala do bitcoin, porque as transações se tornam mais lentas e mais caras, acrescentou. O consumidor, e não o comerciante, é quem paga o custo, que pode variar dependendo de como a transação é realizada.

A lista top 500 de 2017 da Internet Retailer, baseada nas vendas on-line, é liderada por Amazon.com, Apple e Wal-Mart Stores. O Morgan Stanley, que baseou sua análise sobre o uso nessa lista, não informou quais empresas estão usando bitcoin.

Alguns usuários da moeda criptografada já não veem sentido em usar bitcoin para pequenas compras devido às taxas maiores cobradas pelas transações, disse o fundador da Atlantic Financial, Bruce Fenton, em entrevista no mês passado.

“Há um problema no fato de as taxas serem tão elevadas -- isto elimina algumas coisas devido ao preço”, disse Fenton, que é membro do conselho da Bitcoin Foundation. “Em alguns casos a utilização em microtransações -- a grande analogia que todos usam é a da xícara de café -- está sendo meio que deixada de lado devido ao preço, porque o bitcoin está subindo muito.”

Jonathan Johnson, membro do conselho da Overstock.com, disse em maio que o número de transações com bitcoin no site varejista de baixo custo na verdade havia triplicado em relação a quando a empresa começou a aceitar a moeda criptografada como método de pagamento, em 2014. A Overstock recebe “até US$ 5 milhões por ano” em bitcoins, disse Johnson, que é também presidente da subsidiária de blockchain da Overstock.

Versão em português: Patricia Xavier em Sao Paulo, pbernardino1@bloomberg.net.

Repórter da matéria original: Lily Katz em N York, lkatz31@bloomberg.net.

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Jeremy Herron, jherron8@bloomberg.net, Dave Liedtka

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