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Copom deveria manter a Selic em função das incertezas, diz Credit Suisse

"Crescente incerteza política, possivelmente por um período mais longo, levaria a preços mais baixos de ativos e a uma economia mais fraca no Brasil"

(Bloomberg) -- “Pensamos que a estratégia certa a seguir é que o Banco Central mantenha juros estáveis ??na próxima reunião do Copom, em vista de tanta incerteza e pelo menos até que o risco político desapareça”, segundo relatório de analistas do Credit Suisse liderados por Nilson Teixeira.

"Crescente incerteza política, possivelmente por um período mais longo, levaria a preços mais baixos de ativos e a uma economia mais fraca no Brasil
“De acordo com os nossos modelos macroeconômicos, o cenário atual poderia ser interpretado como um choque negativo (aumento) na aversão ao risco do país”, segundo o relatório, que cita como implicações uma maior depreciação do real; o aumento da inflação “a um nível superior a 4,5%”; contração do PIB em 2017 pode se tornar o cenário mais provável; a magnitude da flexibilização monetária provavelmente seria menor que cenário-base do banco (8,25% em 2017 e 9,0% em 2018)
“Após o provável crescimento do PIB no 1T17, há uma probabilidade significativa de queda do PIB no 2T17 t/t”“Em um cenário de turbulência política e uma menor contribuição para a atividade econômica de uma flexibilização monetária mais suave do que a antecipada, a confiança das empresas e dos consumidores deve se deteriorar”
Assim, o crescimento do PIB em 2017 e 2018 deve ser menor do que no nosso cenário de base (0,2% em 2017 e 2,0% em 2018)”
“Magnitude do impacto nas nossas principais previsões depende da evolução política nas próximas semanas”“Uma rápida resolução da situação política levaria a uma rápida retomada da agenda econômica e, consequentemente, reduziria o impacto da aversão ao risco sobre os fundamentos domésticos”
“Por outro lado, se a incerteza atual durar mais, poderemos ver uma maior deterioração da atividade econômica e um declínio adicional nos preços dos ativos”
“A turbulência política atual compromete o esforço do governo para aprovar reformas urgentes no Brasil”“Congresso vai agora concentrar-se na possibilidade de impeachment em vez de concentrar esforços sobre as reformas da Previdência e trabalhista, que o presidente e sua equipe tão laboriosamente se esforçaram para obter aprovação”
Além disso, pelo menos nos próximos meses, os parlamentares provavelmente não estarão dispostos a aprovar quaisquer projetos de lei significativos, especialmente aqueles que exigem uma coordenação estreita, como a reforma da Previdência”
“Reformas são necessárias para estabilizar a dívida bruta do Brasil e assegurar a retomada do crescimento”
“Portanto, o evento de ontem é claramente negativo para os indicadores econômicos”
“Por exemplo, sem uma reforma da Previdência, o limite de gastos provavelmente será rompido em um futuro muito próximo”

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Ilan Goldfajn
(Bloomberg)

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