Por logo_bloomberg Em bloomberg / mercados  30 jan, 2017 13h58

Grandes casas divergem em recomendação para ações do Brasil

O novo governo brasileiro mudou o rumo da política econômica, ajudando a impulsionar a maior alta mundial de ações no ano passado, e os analistas estão divididos sobre o que virá

Por logo_bloomberg Em bloomberg / mercados  30 jan, 2017 13h58

(Bloomberg) -- Assessorar clientes sobre as ações brasileiras pode ser uma das tarefas mais difíceis nos mercados financeiros.

Considere o exemplo do UBS Group. A unidade de banco de investimento avaliava as ações brasileiras como “underweight”, enquanto a unidade de gestão de riquezas do mesmo banco colocava os papéis entre os preferidos dos mercados emergentes. Nas últimas três semanas, as equipes atualizaram e cortaram suas respectivas recomendações em movimentos separados. Agora ambas têm recomendação neutra para o país, e o Ibovespa é o indicador mais volátil do mundo.

O novo governo brasileiro mudou o rumo da política econômica, ajudando a impulsionar a maior alta mundial de ações no ano passado, e os analistas estão divididos sobre o que virá. Otimistas como Adrian Mowat, do JPMorgan Chase & Co., e Caesar Maasry, do Goldman Sachs Group, preveem ganhos com os ativos brasileiros enquanto o país emerge de sua pior recessão em um século. Por outro lado, os analistas do Credit Suisse Group colocaram os ativos brasileiros em “underweight” em dezembro, dizendo que o efeito das reformas econômicas ainda precisa ser provado.

“A melhora na dinâmica de crescimento e inflação do país e o menor risco político têm apoiado a recuperação dos ganhos das empresas”, escreveu aos clientes o diretor de investimentos do UBS Wealth Management em Nova York, Jorge Mariscal. “Mas acreditamos que isso já foi precificado.”

As opiniões divergentes são, em parte, um reflexo da extrema volatilidade observada no Ibovespa -- com oscilações de preços de 23 por cento nos últimos 90 dias. O indicador chegou a subir 126 por cento em dólares do piso ao teto no ano passado e terminou com uma alta de 69 por cento.

A perspectiva de recuperação econômica, reformas políticas e cortes de juros serão os principais motores de uma alta do mercado no Brasil, de acordo com Mowat. Nicholas Field, gestor de recursos da Schroder Investment Management, também diz que a possibilidade de menores custos de empréstimos torna o mercado atraente.

Para os analistas do Credit Suisse, os ganhos no mercado acionário só serão vistos no segundo semestre de 2017 e o banco central pode ter menos espaço para reduzir os juros do que o previsto. Eles cortaram o Brasil para “underweight” para dar espaço para posições em linha com o mercado de ações do Chile e do Peru.

Mariscal adotou uma posição neutra para as ações brasileiras em 20 de janeiro devido à preocupação de que a volatilidade pudesse disparar nos próximos meses por causa da eleição do presidente da Câmara, e as avaliações ficaram sob pressão por causa da Lava Jato, que continua atingindo novos alvos. Geoffrey Dennis, diretor de estratégia acionária para mercados emergentes do UBS Investment Bank, também tem essa preocupação, mas a perspectiva de valorização do real e de uma redução dos juros neste ano foram suficientes para que ele elevasse sua recomendação e saísse da posição “underweight”. Tanto Mariscal quanto Dennis têm mais de 20 anos de experiência em mercados emergentes.

“Para que a alta continue precisaríamos de mais comprovações em relação a reformas estruturais e crescimento de lucros”, disse Mariscal.

Trader - BM&FBovespa
(Bloomberg)

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