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Homem mais rico da África levará seu império do cimento à Ásia

Operações asiaticas começarão em 30 meses

(SÃO PAULO) - O homem mais rico da África, Aliko Dangote, diz que está expandindo seu império do cimento à Ásia, com início das operações em 30 meses.

O bilionário nigeriano de 58 anos disse que a Dangote Cement Plc deverá concluir uma fábrica no Nepal até o final de 2017. A empresa recebeu 90 por cento das aprovações regulatórias necessárias para iniciar a construção no país do sul asiático atingido por dois terremotos neste ano, disse ele.

“Esta será uma das primeiras fábricas que construiremos fora da nossa zona de conforto, fora da África”, disse Dangote, vestindo uma tradicional túnica branca, em entrevista no dia 16 de junho, em seu escritório, em Lagos, polo comercial da Nigéria. Novas expansões fora da África ocorrerão principalmente “por meio de aquisições”, disse ele.

Dangote, que nunca visitou o Nepal, investirá US$ 400 milhões no país para construir uma fábrica de cimento com capacidade de até 2 milhões de toneladas. Ele também está mirando a América do Sul e procurando calcário no Brasil, onde registrou uma empresa há dois anos.

O governo do Nepal estima que apenas os custos de reconstrução do terremoto de abril, que matou milhares de pessoas, excederão os US$ 10 bilhões, mesmo antes de o país ser atingido por outro tremor, de magnitude 7,3, no mês passado.

“Vai ser um grande impulso para eles, especialmente depois do que aconteceu”, disse Dangote. “Eles não produzem cimento atualmente, eles importam principalmente da Índia”.

Oportunidade de crescimento

Há espaço para Dangote entrar no Nepal, disse Andy Gboka, gestor de fundo da Bellevue Asset Management AG, que gerencia mais de US$ 5 bilhões e possui ações da Dangote Cement.

“Não existe uma capacidade de produção suficiente e infelizmente vimos o que aconteceu com o terremoto e com a infraestrutura que foi danificada”, disse Gboka, por telefone, de Zurique. “Embora isso seja decorrente de um acontecimento negativo, há uma grande oportunidade de crescimento na região do Nepal”.

O magnata, que possui uma fortuna líquida de US$ 15,4 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index, formou a vasta maioria de sua fortuna na produção de cimento na África. Ele também tem interesses em setores como o açucareiro e, mais recentemente, em refinarias de petróleo na Nigéria.

A Dangote Cement vem se expandindo nos mercados africanos para atender a demanda por materiais de construção provocada pelos investimentos dos governos em infraestrutura. A empresa está planejando US$ 1 bilhão em despesas de capital neste ano para aumentar sua capacidade, hoje de 29 milhões de toneladas.

Seus movimentos para dominar o mercado africano tiveram alguns inconvenientes. Dangote disse que a construção de uma fábrica de cimento de US$ 350 milhões no Níger, anunciada em 2013, foi atrasada após algumas “falhas internas” na empresa, que foram solucionadas. Ele preferiu não dar mais detalhes.

A construção da fábrica no Níger começará neste ano e levará 26 meses para ser concluída, disse ele.

Dangote também viu sua fortuna diminuir em US$ 3,1 bilhões neste ano porque o preço das ações de sua empresa de cimento caiu 13 por cento no mesmo período, mais do que o Nigerian Stock Exchange All Share Index, que teve um declínio de 3,4 por cento. A moeda local da Nigéria, o naira, despencou 7,8 por cento até esta altura em 2015 em relação ao dólar.

“No futuro nós tentaremos replicar os outros negócios fora da Nigéria”, disse Dangote, em referência aos seus interesses fora da indústria de cimento. “Mas nós temos tantos investimentos no momento que queremos continuar apenas com cimento, cimento e cimento nos próximos dois ou três anos”.

Aliko Dangote
(Bloomberg)

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