Fundada pelo mais rico do Brasil, GP triplica capital investido em 2 empresas

O fundo disse que receberá US$ 260 milhões pela venda de sua participação de 46% na Sascar Participações SA, especializada em tecnologia para recuperação de veículos roubados, e US$ 250 milhões pela fatia de 41% da BR Towers

 27 jun, 2014 11h01
Bloomberg
Jorge Paulo Lemann
(Divulgação)

A GP Investments Ltd. (GPIV33), a empresa de private-equity fundada pelo homem mais rico do Brasil, obteve US$ 510 milhões para seu fundo número 5 com a venda de duas empresas, neste mês, a quase o triplo do montante originalmente investido.

O fundo disse que receberá US$ 260 milhões pela venda de sua participação de 46 por cento na Sascar Participações SA, especializada em tecnologia para recuperação de veículos roubados, e US$ 250 milhões pela fatia de 41 por cento da BR Towers, uma empresa de torres de telefonia móvel. A fabricante de pneus francesa Michelin comprou a Sascar e a American Tower Corp., com sede em Boston, adquiriu a BR Towers.

"Tivemos duas grandes oportunidades de desinvestimento em um ano eleitoral, o que mostrou muito interesse no Brasil por parte de empresas estrangeiras em algumas áreas-chave de negócios", disse Fersen Lambranho, presidente do conselho da GP, em entrevista, nesta semana. "Os investidores receberão seu dinheiro de volta e a GP terá um impacto positivo em seus lucros".

As transações da GP contribuíram com o salto de 65 por cento no total de fusões e aquisições no Brasil neste ano até agora. O total alcançou US$ 28,6 bilhões em 2014 até o momento, segundo dados compilados pela Bloomberg. Cerca de US$ 2,3 bilhões desse total foram operações envolvendo fundos de private-equity, mostram os dados.

Um maior número de empresas estrangeiras está adquirindo companhias brasileiras em meio à queda no valor das empresas locais e por causa do real mais desvalorizado, segundo Marco Gonçalves, sócio responsável pela área de fusões e aquisições do BTG Pactual, que tem sede em São Paulo.

A venda da participação representou 2,6 vezes o valor investido na participação na Sascar. No caso da BR Towers, o múltiplo foi de 2,8 vezes, segundo a GP. Lambranho disse que a empresa com sede em Hamilton, Bermuda, pretende levantar mais recursos no mercado para novos investimentos. O fundo número 5 tem US$ 1,1 bilhão comprometidos e cerca de US$ 710 milhões já investidos e a GP tem um total de US$ 5 bilhões comprometidos para investimentos.

Plano de diversificação
"A maioria de nossos investidores são fundos de pensão e doação, empresas de seguros e private banking e escritórios familiares de fora do Brasil", disse Lambranho. A empresa de aquisições também está tentando diversificar para mais regiões e setores para reduzir riscos e atrair investidores, disse ele.

A GP fechou um acordo para pagar US$ 33 milhões por uma participação de 27 por cento na empresa suíça de investimentos Apen AG em uma transação anunciada em 21 de maio. O acordo ajudará a GP a expandir-se em mercados emergentes fora da América Latina, enquanto a Apen, que tem sede em Zug, Suíça, planeja investir na Ásia e, possivelmente, na Rússia. A GP é a maior acionista da empresa e tem o controle sobre sua gestão. A Apen tem US$ 450 milhões em ativos, disse Lambranho.

"A Apen tem o direito de gerenciar um fundo listado na Europa que pode investir em mercados emergentes em todo o mundo e tem uma estratégia passiva, investindo com outros gestores de fundos", disse Lambranho.

Imóveis
A GP, único veículo de investimento de capital aberto ativo no Brasil, foi fundada em 1993 por Jorge Paulo Lemann, que vendeu sua participação em 2004 para sócios executivos, incluindo Lambranho. A empresa conta agora com 86 funcionários. Lambranho disse que os planos futuros incluem adquirir participações em projetos imobiliários e de infraestrutura no Brasil.

"Independentemente de quem for eleito novo presidente, os setores de infraestrutura e imobiliário serão uma questão importante pelo resto de nossas vidas no Brasil, um país ainda a ser construído", disse ele. Até 31 de março, o fundo imobiliário da GP havia comprometido R$ 330 milhões (US$ 150 milhões), ou cerca de 132 por cento do total, em 20 projetos.

"Nosso fundo imobiliário investe em escritórios, logística, imóveis comerciais e residenciais" e fica de fora de mercados mais caros, classificados como AAA, como os de Ipanema, no Rio de Janeiro, e os da Faria Lima, em São Paulo, disse ele.

As ações da GP subiram 16 por cento neste ano até ontem, contra um incremento de 3,9 por cento do Ibovespa. No primeiro trimestre, a GP reportou um lucro de US$ 1,6 milhão depois de uma perda de US$ 83,8 milhões em todo o ano de 2013.

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