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Companhia aérea lucra na Venezuela enquanto rivais somem do radar

Empresa com sede em Santiago está obtendo lucro ao levar imigrantes da Venezuela e do Haiti para o Chile desde que começou a operar no início do ano passado

(SÃO PAULO) -- A novata Latin American Wings está indo aonde outras companhias aéreas temem pousar: Caracas, capital de um país em crise. E, o que é ainda mais notável, ela está ganhando dinheiro com isso.

A empresa com sede em Santiago está obtendo lucro ao levar imigrantes da Venezuela e do Haiti para o Chile desde que começou a operar no início do ano passado, disse o CEO Andrés Dulcinelli. Os voos aterrissam lotados em Santiago e decolam meio vazios, em um momento em que aumenta a imigração para o país mais rico da América do Sul.

Enquanto empresas como Delta Air Lines, Latam Airlines e Avianca Holdings se recusam a voar para Caracas por questões de segurança e porque é praticamente impossível tirar o dinheiro do país, a LAW, como a companhia é conhecida, se expandiu. O segredo? Um acordo com a companhia local Aerolíneas Estelar Latinoamérica, que cuida das dificuldades de converter bolívares em dólares. Agora, a empresa aérea planeja aumentar os voos a Caracas e em toda a América Latina.

“A Latam Airlines e a Avianca estão reduzindo a capacidade e, se a demanda na região continuar crescendo 10 por cento ao ano, como aconteceu nos últimos anos, esta será uma grande oportunidade para empresas como Sky, JetSmart ou nós”, disse Dulcinelli, referindo-se a outras aéreas novas que estão chegando na região. “Ainda há muito espaço para que todas cresçam.”

A companhia atualmente opera cinco aeronaves Boeing 737 e planeja fechar o ano com oito desses modelos, além de dois aviões 767, todos de segunda mão. Sua meta a longo prazo é expandir a frota para 20 aviões 737 e até quatro unidades de 767, a fim de transportar 3 milhões de passageiros por volta do final de 2018, cinco vezes a meta deste ano.

Sucesso espetacular
A indústria aérea como um todo tem cerca de US$ 3,8 bilhões presos na Venezuela e afirma que as autoridades locais não dão ouvidos às suas queixas, disse Peter Cerda, vice-presidente regional da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) para as Américas, em julho.

A Latam Airlines desistiu de slots no ano passado, que a LAW assumiu. Pouco depois, a LAW chegou ao acordo com a Estelar.

“Todas as vendas lá vão para as contas da Estelar, e uma vez por mês fazemos a transferência entre nossas contas”, disse Dulcinelli. “Eles cuidam do processo legal de obter os dólares e isso têm funcionado de forma espetacular.”

Dulcinelli é um dos cinco sócios que financiam a LAW e diz ter trabalhado anteriormente em várias companhias aéreas locais, como a Lan Cargo, uma unidade da Latam antes da aquisição da brasileira Tam, além de Ladeco, Sky Airline e PAL. Boris Serrano, CEO da Estelar, não quis identificar os proprietários dessa companhia aérea.
“Nossa aposta, em um mercado de onde todos fugiram, é dizer ‘estamos aqui’”, disse Dulcinelli. “Quando a situação se resolver, de uma forma ou de outra, acho que todos vão se lembrar de quem se manteve firme.”

--Com a colaboração de Christine Jenkins e Laura Millan Lombrana

Versão em português: Patricia Xavier em Sao Paulo, pbernardino1@bloomberg.net.

Repórter da matéria original: Eduardo Thomson em Santiago, ethomson1@bloomberg.net.

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Arie Shapira, ashapira3@bloomberg.net, Christiana Sciaudone, Philip Sanders

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