S&P500 e Nasdaq batem recordes históricos.

A divulgação de vários PMI´s pelo mundo mostra que a atividade industrial está em queda, mesmo com as enormes quantidade de dinheiro emitidas e dos juros muito baixos. Mas, mesmo com a atividade em frangalhos, as bolsas estão batendo recordes nos EUA. S&P500 e NASDAQ fazem do ciclo de alta de 2009 até agora um dos ciclos mais fortes da história do capitalismo. Ele reflete as enormes contradições dos pacotes estímulos: são capazes de turbinar os lucros e o valor das corporações, mas não são capazes de colocar a economia em trajetória sustentável de alta, com geração de renda e empregos.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

O mercado local está dominado pela divulgação do balanço das Petrobrás, que trouxe um prejuízo de mais de R$ 20 bilhões em 2014 e que será tema de relatório à parte. A empresa está com suas ações ON em alta e as PN em queda, em decorrência da decisão de não pagamento de dividendos aos acionistas nesse ano, o que elimina o prêmio que as PN têm sobre a ON, já que elas têm preferência no recebimento dos dividendos e não dão direito ao voto.

No mundo, os principais movimentos estão ligados à divulgação dos dados da indústria, que vieram abaixo do esperado, indicando desaceleração da atividade industrial. Na China o PMI veio em 49,2, menor nível em doze meses. Abaixo de 50 o indicador indica retração da atividade industrial.  Na Europa o PMI veio em 53,5, depois de vir em 54 em março. Nos EUA o indicador desacelerou de 55,3 para 54,2 e no Japão de 50,3 para 49,7. Fica evidente que a atividade industrial está em queda nas principais economias avançadas e que essa é uma tendência para todos eles. Nos EUA, em particular, o PMI ainda veio acompanhado por um indicador de vendas residenciais em queda: as vendas de casas novas caíram de 543 mil para 481 mil, veja o gráfico:

 

 

 

Apesar de todos os dados ruins, os mercados acionários engataram um movimento de alta e as bolsas dos EUA estrão batendo recordes históricos. Veja os gráficos do S&P500 e da NASDAQ:

 

 

 

Juros baixos e dólar mais forte no primeiro trimestre continuam a turbinar os resultados corporativos. Hoje Procter&Gamble e Caterpillar anunciaram resultados acima do esperado; a GM, por sua vez, lucros abaixo das estimativas, sobretudo por conta das operações na Rússia e América Latina, com destaque para o Brasil. Após o fechamento do pregão, Google e Microsoft mostram os seus.

Quanto mais as economias mostram fraqueza, tanto mais aumenta a especulação sobre a implementação ou aumento de estímulos fiscais e monetários. A China, em particular, tem estimulado a imaginação dos mercados, já que há várias semanas têm sido divulgados dados ruins sobre sua economia, e o mercado rege com altas, esperando um pacote de estímulos. As ações da Vale do Rio do Doce subiram 16% no mês em função dessa expectativa de ação do governo chinês sobre sua economia. Mas as enormes dívidas privadas e das províncias desestimula qualquer percepção em uma reviravolta no atual plano governamental de manter as coisas em “banho maria” por mais algum tempo. As dívidas privadas e provinciais explodiram após a crise e já superam 250% do PIB, limitando a capacidade do governo central em realizar programas expansionistas em meio a essa “bolha” gigantesca. Veja o gráfico das dívidas chinesas:

 

                                                                                                                    Do Blog do Wall Street Journal


Como há um enorme excedente de aço e os estoques de minério de ferro ainda são elevados, esperar que a economia chinesa receba um impulso que seja capaz de reverter o atual ritmo de crescimento da construção civil (setor imobiliário e infraestrutura)é demasiado otimista. A leve recuperação dos preços das commodities (petróleo, minério de ferro, agrícolas e outras) está mais ligada à desvalorização do dólar em relação às outras moedas do que à qualquer indício de aceleração das economias.

Vale notar que hoje o Deutsche Bank anunciou que pagará US$ 2,1 bilhões de multas para encerrar processos que correm nos EUA e na Inglaterra por manipulação da Libor, taxa de juro de mercado privado londrina. Serão US$ 600 milhões para o Dpto de Serviços Financeiros de Nova York, US$ 800 milhões para Comissão de Futuros, US$ 775 milhões para o Depto de Justiça dos EUA e US$ 340 milhões para o órgão de supervisão de conduta financeira do Reino Unido. Outros bancos como o UBS, Barclays, RBS, Lloyds e Rabobank, afora vários dirigentes de bancos e corretoras, foram envolvidos no escândalo.

 

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com