Carro médio custando mais de R$ 100 mil? O absurdo dos preços no Brasil!

O Corolla Altis rompe a barreira dos R$ 100 mil e mostra as distorções impressionantes no mercado de carros no Brasil. Entenda os motivos e o que você pode fazer.
Blog por Leandro Mattera  

O mercado automotivo brasileiro permanece no caminho rumo a um colapso. As vendas seguem em queda contínua, muitas fábricas estão paralisadas e as concessionárias com baixíssimo movimento. No entanto, considerando o cenário de estagflação e todas as imensas distorções dos preços automotivos no país, observamos que muitos carros estão cada vez mais caros.

Recentemente, tivemos um reajuste que é emblemático para ilustrar esse cenário surreal: o Corolla, na sua versão Altis, rompeu a barreira dos R$ 100 mil, passando a custar R$ 100.990.

O Corolla é um bom carro. Quanto a isso, não há dúvidas, ainda mais considerando as peculiaridades brasileiras. Mas a questão aqui é lembrar que ele é apenas um sedan médio (nos Estados Unidos é considerado pequeno).

Aliás, apenas para dar uma visão em perspectiva, vou comentar um caso observado outro dia. Há pouco tempo, circulou na internet um vídeo em que um policial brasileiro reagiu contra assaltantes quando estava num Corolla, disparando contra os criminosos. Esse vídeo ganhou repercussão internacional e, num grupo de discussão, eu vi um americano comentando algo como: “mas quem roubaria um Corolla?".

Logo em seguida, outro leitor brasileiro explicou como é o posicionamento do carro no Brasil. Essa história envolve um certo exagero, mas serve como referência para termos em mente como os padrões brasileiros são distorcidos, inclusive por conta da influência do marketing.

Apenas como uma simples referência, o preço-base de um Corolla nos Estados Unidos está partindo de $ 16.950 atualmente (sem contar os custos tributários).

Voltando ao Corolla Altis no Brasil, existe um outro ponto importantíssimo que merece ser destacado: apesar desse preço elevadíssimo, o carro não conta com o importantíssimo controle de estabilidade. Esse item já é obrigatório em diversos países para todos os veículos. Se você quer saber exatamente porque esse item é tão relevante na prática, assista a este vídeo sobre o controle de estabilidade (ESP) (Clique para assistir).

A falta desse item revela também, no aspecto geral, que a segurança automotiva ainda não tem a prioridade que deveria no nosso mercado. Grande parte dos compradores permanecem dispostos a pagar caro por carros sem os equipamentos realmente essenciais.

Para você, consumidor que dá valor ao seu dinheiro, também existe algo importante para se ter em mente: em muitas ocasiões, o preço da versão topo de linha de um carro tem o papel de servir como “ancoragem” para fazer com que as versões intermediárias pareçam um bom negócio. Escrevi mais sobre o tema num artigo denominado: “Carros: Você aceita pagar mais caro apenas pelo posicionamento?” (Clique para ler)

Agora você pode estar se perguntando: “mas como os preços permanecem subindo com a queda das vendas?”

Essa tendência de alta permanece nítida e tende a continuar. No caso dos carros médios, agora fica aberto o caminho para que outros se poscionem no mesmo patamar acima dos R$ 100 mil, principalmente quando houver algum lançamento. A respeito da referida tendência de alta, comentei com mais profundidade quando escrevi um artigo sobre o primeiro carro 1.0 custando mais de R$ 50 mil (Clique para ler).

Em síntese, os custos de produção permanecem em elevação, com aumento da inflação, dos juros, do preço do dólar, dos insumos, da energia elétrica, dos combustíveis etc. Ainda existe a busca pela manutenção das margens de lucro das fabricantes, que sempre foram altíssimas no Brasil, embora comecem a surgir alguns casos isolados de tímidas reduções dos preços. Nas condições atuais, isso tudo precisará ser repensado. A carga tributária, principal responsável pelos preços estratosféricos, permanece sem nenhum sinal de redução. Aliás, como já defendi aqui no Blog Seu Carro e Seu Bolso, esse “modelo” de venda de carros no Brasil está definitivamente esgotado.

Finalmente, como fator adicional, sempre é fundamental lembrar que os preços são definidos pelo mercado considerando a disposição dos consumidores de pagar. No cenário econômico atual, a compra de um carro requer atenção, pesquisa e análises conscientes. Como defendo no livro digital “Como Escolher o seu Carro Ideal”, a qualidade e a segurança dos veículos varia bastante (inclusive no mesmo segmento) e um bom planejamento financeiro deve levar em conta o real custo-benefício. Em muitos casos, inclusive, a compra de um bom carro usado ou “seminovo” pode ser muito mais vantajosa para você e seu bolso.

Muito obrigado pela atenção, um grande abraço e até a próxima!

Leandro Mattera

Consultor automotivo pessoal na Carro e Dinheiro e autor do livro digital “Como Escolher o Seu Carro Ideal”.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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