A Montanha dos Três Budas

Um dos padrões mais clássicos da Análise Técnica aparece no Crude Oil.
Blog por Leandro Ruschel  

Para quem gosta de AT clássica, veja que lindo gráfico do Crude (Petróleo), com um claro OCO, com direito a pullback e posterior alcance do objetivo. Continuação do gráfico que foi postado algumas semanas atrás.

Gráfico Petróleo Futuro


Sempre que eu posto um gráfico, recebo perguntas sobre os conceitos básicos de AT (Análise Técnica), então explico: utilizamos os gráficos para entender o movimento dos preços de um determinado mercado num prazo de tempo. O mercado em questão é um dos mais negociados do mundo: contratos futuros de barril de petróleo.

Esse é um contrato que recebe influências cíclicas pelo consumo maior no inverno do hemisfério norte no inverno e menor consumo no verão, também é influenciado por questões geopolíticas, especialmente aquelas referentes ao Oriente Médio e Rússia, além de ser um leading indicator para a economia global.

Por ser um gráfico muito líquido, costuma seguir bem a AT clássica, aquela que surgiu no final do século XIX e início do século XX, da época que os gráficos eram feitos a mão e os analistas buscavam manualmente por padrões que se repetiam ao longo do tempo.

Um desses padrões, chama Ombro-Cabeça-Ombro, ou OCO, que foi primeiro identificado por traders japoneses no século XVIII, e na época recebeu o nome de Montanha dos Três Budas.

Basicamente o padrão identifica um enfraquecimento da tendência de alta, pois quando o mercado está com uma dinâmica altista, os preços precisam fazer topos e fundos cada vez mais altos. Numa situação de falha em fazer um topo mais alto que o topo anterior e em seguida perder o fundo anterior, temos indício de uma virada de ciclo.

Thomas Bulkowski escreveu um livro muito interessante sobre esse padrão, o "Encyclopedia of Chart Patterns", com o estudo de padrões que apareceram durante 5 anos nos papéis que fazem parte do S&P 500. Ele encontrou resultados estatisticamente consistentes para muitos padrões, inclusive para o padrão de OCO, com uma taxa de acerto de 96% (fazer um movimento de pelo menos 5% na direção do rompimento) e um declínio médio de 22% após a perda da linha de pescoço do padrão. 

O padrão inverso também é interessante e acontece nos fundos, chamado de OCO invertido.

Lindo ver um padrão descoberto por traders japoneses do primeiro mercado futuro do mundo (arroz) há mais de três séculos atrás, utilizado por traders ingleses e americanos em gráficos a mão do século passado e retrasado aparecendo numa das commodities mais negociadas do mundo, por robôs e por humanos.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Opera no mercado há 15 anos com estratégias desenvolvidas a partir da análise técnica e de métodos quantitativos. É fundador da Escola de Traders Leandro & Stormer, que já treinou mais de 40 mil alunos nos últimos 10 anos. leandro@leandrostormer.com.br