A boa e velha dica de operar a favor da tendência

"The trend is your friend." Esse é um velho ditado do mercado que permance válido, desde que observadas algumas ressalvas. Apresento um resumo de como é possível identificar uma tendência e operar a seu favor.
Blog por Leandro Ruschel  

A característica mais marcante de qualquer mercado é o constante movimento dos preços. O principal objetivo da Análise Técnica é identificar o padrão de movimentação para criar um grau maior de previsibilidade do mercado. Alguns estudiosos defendem com bons argumentos a ideia que não há previsibilidade alguma, ou seja, o movimento dos preços seria completamente randômico. Depois de passar 15 anos estudando e operando o mercado na prática, concluo que há sim algum grau de previsibilidade nos preços, com o desenvolvimento de tendências de alta e baixa. Tais padrões podem ser explicados pela limitação de liquidez, pelos ciclos econômicos naturais ou induzidos e pelo comportamento irracional dos agentes.

Não busco exatamente bater o retorno de um determinado índice de ações, mas sim um retorno maior ajustado ao risco que estou disposto a correr. Em outras palavras, não tenho interesse em simplesmente fazer a alocação em algum fundo de índice correndo o risco de “acertar” um topo de mercado e observar uma correção de até 90% no meu capital, como em 1929 ou de 60%, como em 2008. Quem comprou ações no Brasil no início de 2008 deve entender muito bem o meu ponto, visto que nesse caso amarga um retorno negativo aproximado de 20% em 6 anos, isso sem levar em consideração o custo da oportunidade, pois nesse caso a perda aproximada fica em 60%.

Existem estratégias que produzem relações risco/retorno mais atraentes. Por exemplo, a diversificação em diferentes mercados, começando pela clássica renda fixa/renda variável. Ou então a utilização de derivativos para proteger ou criar rendimentos sobre uma carteira, como o lançamento de opções, entre dezenas de outras possibilidades.

Mas creio que a mais interessante e também mais difícil é montar operações direcionais, ou seja, comprar mais próximo de um fundo e vender mais próximo de um topo ou vice-versa. Fazer isso com uma boa relação taxa de acerto versus ganho/prejuízo por operação é um desafio, mas não é impossível. Impossível é acertar 100% das vezes.

O primeiro passo para aumentar as chances de sucesso e compreender a formação de uma tendência. Essa foi a primeira “descoberta” do Charles Dow ao desenvolver os estudos básicos de Análise Técnica no final do século XIX. O mais interessante é que os ciclos de alta e baixa acontecem em qualquer periodicidade e formam portanto um fractal. Poderia escrever algumas centenas de páginas sobre essa características e os seus desdobramentos mas por enquanto vamos definir um objetivo mais específico, que é rapidamente identificar uma tendência e os momentos ideais dentro da tendência para fazer uma aposta. O resultado virá de uma sequência longa de apostas, num processo de tentativa e erro, onde os prejuízos devem ser cortados rapidamente quando o trade não funciona e os lucros devem ser maiores quando o mercado faz o movimento esperado.

Buscamos papéis que estejam claramente se movimentando numa determinada direção, seja para cima ou para baixo. As tendências de alta são definidas por topos e fundos ascendentes, idealmente chegando a patamares nunca antes vistos, com médias móveis apontando para cima, as mais curtas acima das mais longas. São aqueles papéis que se destacam, muito mais fortes que o índice de ações. Estes são os principais candidatos para compras. As tendências de baixa apresentam topos e fundos descendentes, preços mais baixos no histórico daquele mercado, com médias móveis apontando para baixo, com as mais curtas abaixo das mais longas, com um performance claramente pior que o índice de ações.

Em qualquer outra situação é mais difícil de gerar ganhos com operações direcionais.

 

Por exemplo, veja o comportamento de uma ação, no caso Apple, durante vários meses. Em Cinza marquei um período de tendência incerta e em azul o período de clara tendência de alta. Ficou muito mais fácil operar na compra durante as fases em azul do que na fase cinza. Alguém pode argumentar que uma compra no final da fase cinza seria lucrativa. O problema é que nesse caso, sem uma tendência definida, a chance de acerto de uma compra seria menor.

Depois de identificar uma forte tendência, existem dois momentos ideais para entrada: depois de uma correção, quando o mercado rompe uma resistência anterior ou quando produz um candle de reversão sobre uma zona de suporte.

No mesmo gráfico apresentado anteriormente, estão marcados os pontos de entrada na compra, seguindo a tendência e os pontos de saída da operação. Além de identificar o ponto de entrada, é preciso também observar o ponto de stop da operação, ou seja, a margem de movimentação contrária a esperada que estou disposto a aceitar antes de encerrar a operação, mesmo com prejuízo. No caso de tendências de alta, os suportes oferecerão pontos adequados para definir stops. Nas tendências de baixa e consequentes operações de venda, as resistências serão os pontos mais adequados. Um trader mais ativo buscará stops mais curtos, enquanto traders de prazo um pouco maior definirão stops mais longos.

A saída da operação pode ser feita de várias formas. A preferencial é identificar o risco da operação (distância entre o ponto de entrada e o stop) e projetar a partir desse ponto de entrada o alvo para fazer a realização parcial, ou seja, encerrar 50% da posição feita. O restante da posição pode conduzida por um trailing stop, que pode ser a mínima/máxima do candle anterior, a média móvel exponencial de 9 períodos ou o Hi-lo de 3 períodos. 

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Um exercício pode ser muito interessante para definir o stop. A decisão sobre a entrada num trade é gerada por algum sinal que o mercado tenha feito. Por exemplo, um candle que tenha rompido uma resistência pode gerar uma compra. É preciso então imaginar qual seria o movimento posterior feito que invalidasse o sinal altista. Qual o suporte que se perdido muda a tendência? Esse seria o o ponto ideal de stop. Além disso, tenho utilizado o uso de dois níveis de suporte/resistência para escolher o nível adequado de stop, entre as estruturas de topos e fundos, gaps, máximas e mínimas de barras de força e linhas de tendência.

Outra possibilidade é buscar pontos de entrada quando dentro de uma tendência o mercado corrige, no caso de uma tendência de alta busco correções até uma zona de suporte forte com a formação de um candle de reversão, como pode ser visto no gráfico abaixo, na seta em azul. Nas setas vermelhas os pontos de saída.

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O importante é definir bem as regras de entrada e saída que você utilizar, testar a estratégia com operações simuladas, montar um diário de operações e avaliar constantemente o seu sistema, sabendo que ele apresentará momentos melhores e piores ao longo do tempo. 

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Opera no mercado há 15 anos com estratégias desenvolvidas a partir da análise técnica e de métodos quantitativos. É fundador da Escola de Traders Leandro & Stormer, que já treinou mais de 40 mil alunos nos últimos 10 anos. leandro@leandrostormer.com.br